Clique aqui – Eleitores são escravos do voto

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

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Foto: Gisele Federicce, 2014

 

Não é incomum que transgressões como corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, estelionato e outros crimes correlatos se encontrem para acertar a melhor forma: ou de branquear os recursos desviados, ou combinar novos modus operandi de tornar essas operações mais invisíveis ou lucrativas para todos.

O corrupto necessita do doleiro ou de um empresário ladino para disfarçar os recursos surrupiados. O doleiro, ou o empresário, necessita do político corrupto para agilizar e dar aparência legal aos seus desatinos. De fato, num tempo indeterminado, ou outro ponto qualquer, todos acabam mergulhando em águas turvas e se confraternizam, festejando o resultado do butim.

Quando o ministro Abraham Weintraub disse: “Eu não quero ser escravo nesse país. E acabar com essa porcaria que é Brasília. Isso daqui é um cancro de corrupção, de privilégio. Eu não quero ser escravo de Brasília. Eu tinha uma visão negativa de Brasília e vi que é muito pior do que eu imaginava.”, essa Brasília a que se referiu o ministro é a que abre os braços para receber os políticos eleitos pela população do país. Nenhum deles ocupa lugar no Supremo Tribunal Federal (STF), Congresso Nacional ou no Palácio do Planalto sem legitimidade.

A capital tem sido esse ponto de encontro de gente de todos os estados, onde essas agendas, que desagradam aos eleitores, se dão regadas a acepipes e vinhos de altíssimos valores. Exemplos dessa prática malcheirosa são abundantes nas cercanias do poder, nos chiques restaurantes, nos hotéis de luxo e em outros lugares exclusivos. Interessante nesse caso não é, precisamente, nem o tempo, nem o lugar onde esses encontros se dão, mas o próprio fato deles se repetirem num compasso até monótono. Muitos desses convescotes têm ocorrido nas residências oficiais, onde, de comum acordo, todos deixam seus celulares na entrada.

Somente o fato de existirem encontros dessa natureza, longe do olhar e dos ouvidos do povo, num país que se declara como República, já é bastante insólito e estranho. A questão aqui é que, de uma forma ou de outra, esses indivíduos, sejam eles identificados como notórios corruptos, ou doleiros de alto calibre, ou mesmo políticos inocentes, acabam se misturando nessas festas, bebendo e brindando o ano proveitoso para todos. A interdependência desses elementos assegura, a todos em conjunto, à própria sobrevida do grupo. Poderosos politica ou financeiramente se protegem mutuamente. Enquanto uns conferem o cartão verde e os passes livres aos articuladores dos recursos que voam livremente de um ponto a outro, outros garantem o azeitamento com farto dinheiro para que esses próceres da República não se preocupem com questões banais como moedas.

As revelações produzidas, quer pela Operação Lava Jato e congêneres, quer pela própria delação feita de muitos acusados, têm ensinado muito sobre esses cruzamentos entre o poder e o dinheiro. Na verdade, existe um ponto geográfico bem determinado e em comum, onde todos esses personagens atuais da história brasileira se encontram e realizam a fase final de seus crimes, quer fisicamente ou apenas na forma de fantasmas. Esse ponto específico, já por demais devassado ao longo dos anos, era nada mais, nada menos do que os cofres do Tesouro Nacional, onde a população confia compulsoriamente suas economias e onde as raposas deitavam e rolavam ao som do Hino Nacional.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Quem entra a introduzir uma lei nova não pode tirar de repente os abusos da velha”

Pe Antonio Vieira, religioso, filósofo, escritor e orador português da Companhia de Jesus.

Padre António Vieira (imagem: wikipedia.org)

 

Insustentável

Escolas pressionam pais para continuarem a pagar a mensalidade da criançada da primeira infância. Meninos e meninas de 4 anos continuam recebendo aulas online com diretores irredutíveis em dar desconto, mesmo que as mães estejam exercendo o papel dos professores, orientando as tarefas. A iniciativa é tão insidiosa que há ameaças, lembrando que crianças de 4 anos precisam obrigatoriamente estar matriculadas. Ou o governo toma uma medida sobre esse assunto, ou a volta à normalidade vai ser outra guerra.

Foto: Arquivo Pessoal/Washington Luiz (correiobraziliense.com)

 

Boa solução

Com os parques fechados, núcleos familiares de moradores do Sudoeste se aninham em sombras do Eixo Monumental para piquenique ou simplesmente espairecer. Brasília já é uma cidade parque.

 

Igrejinha

Maio quase no fim e a festa da Igrejinha não aconteceu no Mês Mariano pela primeira vez.

Cartaz: divulgação (quermesse de 2019)

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

O caso do leito desse supermercado não foi bem explicado. O leite está se perdendo por falta de refrigeração, e não deve ser reduzida a cota, porque na entre safra haverá dificuldade haverá dificuldade para receber a quantidade necessária ao consumo da cidade, como aconteceu no ano passado. (Publicado em 08/01/1962)

Clique aqui – 500 dias sem escândalos de corrupção

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Charge do Jarbas

 

Quando veio à tona o escândalo do Mensalão, revelando o fato aterrador do Poder Executivo estar comprando, com maços de dinheiro vivo, o apoio político de parte significativa do parlamento, não houve um só dia, de lá para cá, em que não chegasse, ao grande público, novas e intermináveis denúncias de corrupção. A maioria dessa torrente de denúncias envolve quase sempre os mesmos personagens, formados por políticos e empresários.

Para um país como o Brasil, caminhando há anos no limbo entre a realidade e as versões, o que a sociedade já tem claro em sua avaliação da cena nacional é que a corrupção está por detrás de todos os males que nos afligem. Sabe também que seus representantes legais são os responsáveis diretos por esses fatos. Bolsonaro aparece, com coragem suficiente, para enfrentar esse cenário e recebe, da população, voto de crédito para governar.

O que a experiência mostra, aqui e em diversos países, é que, sem a participação da sociedade, a tarefa de combate à corrupção é praticamente impossível, dada a amplitude desse fenômeno, sua rede de proteção interna e externa e, no nosso caso, a conhecida morosidade e a leniência de nossas leis.

A Transparência Internacional, que tem, entre suas metas, a luta contra a corrupção na política, nos contratos internacionais, no setor privado, nas convenções internacionais e nas questões de pobreza e de desenvolvimento, há anos vem alertando para o fato de que os seguidos casos de corrupção, detectados nas últimas décadas no Brasil, contribuíram para o aumento da desigualdade social e da miséria, com reflexos extremamente negativos para o desenvolvimento. No caso específico da Petrobras, o esquema do chamado Petrolão mostrou que a corrupção obedece a um padrão sistêmico na relação entre o setor privado e o poder público, em que a prática do suborno acaba criando novos ambientes de negócios que privilegiam determinados grupos, distantes e contrários ao interesse público, o que resulta sempre em distorções e desigualdades.

No longo roteiro seguido pelos governos venezuelano de Hugo Chaves e de Nicolás Maduro até a implantação total da ditadura farsesca e sanguinária naquele país, os episódios de perseguição e ameaça, a uma parcela da imprensa que se mostrava crítica e temerosa sobre o desenrolar dos acontecimentos, vieram num crescendo que prenunciava, seguramente, que o ovo da serpente, que vinha sendo chocado por etapas, já se encontrava prestes a romper. No início, as ameaças vindas desses dois déspotas eram feitas de modo velado, procurando criar o medo entre os jornalistas e o temor de que, a qualquer momento, algo de ruim iria acontecer com eles ou com seus familiares. Depois, essas intimidações passaram a ser executadas, colocando os mecanismos de controle do Estado para esmiuçar e perseguir a vida pregressa de jornalistas e de empresários da comunicação. O fisco daquele país e os órgãos de inteligência eram direcionados para espionar cada movimento desses profissionais. A corrupção não admite a verdade.

Outro aspecto que se revela, quando os setores públicos e privados passam a agir em desobediência às leis e à ética, reflete-se sobre a infraestrutura, criando uma espécie de colapso nesse setor, com obras de baixa qualidade, superfaturadas, inacabadas, o que deixa de atender aos interesses presentes. Os efeitos da corrupção sistêmica não se esgotam em seus efeitos puramente econômicos, mas se estendem para todos os setores da vida do país, havendo, inclusive, uma correlação evidente entre corrupção e violação dos direitos humanos.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“O subterrâneo do Brasil é mais movimentado do que a superfície.”

Aureliano Chaves, ex vice-presidente do Brasil

 

Aula em casa

Mais uma vantagem trazida pela experiência da quarentena é a possibilidade de regulamentação do homeschooling: pais que preferem ensinar os filhos em casa. Depois, as crianças fazem uma prova para que se tenha certeza de que cumpriram a grade escolar.

Foto: AFP via Getty Images

 

Árido

Como estão tristes as ruas principais de Taguatinga. A fiação aérea e a falta de verde são um choque para quem conheceu aquela cidade em outros tempos. A falta que faz o urbanismo para uma população pode ser vista ali. Na Samdu mesmo.

Print: google.com/maps

 

Entrevistas

Romeu Zema, governador de Minas Gerais, tem dado um baile de política limpa. A população não para de elogiar e se sentir segura.

 

Desespero

Luta que não para. Atorvastatina Cálcica desapareceu das farmácias deixando pacientes, com doença cardiovascular e níveis elevados de colesterol, completamente desamparados. Nenhum laboratório oferece o medicamento. Morbidades são de alto risco e extremamente vulneráveis ao Covid-19. E agora?

Foto: reprodução da internet

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Os jornais cariocas anunciam com grande alarde que onze pessoas ficaram loucas num só dia na naquela cidade. E é pra lá, que o dr. José Bonifácio quer levar o Distrito Federal. (Publicado em 08/01/1962)

Recursos que poderiam salvar vidas continuam a desaparecer na ciranda da corrupção

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Imagem: infonet.com

Charge que circula nesses tempos de pandemia ilustra, de forma seca e direta, as diferenças de comportamento das autoridades do Brasil e do restante do planeta, frente aos problemas provocados pela quarentena prolongada. No primeiro desenho, é mostrado pessoas de mãos dadas formando um longo e uniforme cordão de solidariedade, que somam forças. No outro, surgem dois grupos que parecem disputar uma espécie de campeonato em um cabo de guerra, cada um puxando para si, num esforço inútil e desgastante para todos, onde a soma é sempre um número negativo. Esse último desenho é o retrato do Brasil desses tempos atuais e de outros tempos também. Um Brasil, onde à exceção da população, as autoridades, em todos os escalões da República, fazem questão, e disso não se avexam, de não se entenderem, mesmo diante de um desastre que parece eminente.

Para qualquer lado que o cidadão vire a cabeça, o que se avista são medidas e atitudes que, a toda hora, envergonha-nos a todos, pelo primitivismo e pela falta de patriotismo. No judiciário, os magistrados, por conta da pandemia, estão soltando presos de alta periculosidade, isso sem contar o grande número de indivíduos condenados pelas mais diversas modalidades dos hediondos crimes de corrupção, que estão sendo postos em liberdade, sob a falsa alegação de que estão entre os grupos de risco. No Legislativo, diversos grupos ou bancadas temáticas aproveitando o período de votações online, longe dos holofotes, estão garfando bilhões de reais dos preciosos recursos públicos, também sob a falsa alegação de que serão empregados no combate à virose.

A união interesseira e muito suspeita de governadores, nesse momento de grande aflição, é para trazer recursos, a fundo perdido para estados endividados e costumeiramente inadimplentes. Os escândalos de malversação desses recursos emergenciais, arrancados pelos governos estaduais, já começaram a aparecer nas manchetes dos jornais de forma tímida, mas, mesmo assim, demonstram a prática usual de desviar dinheiro público para outras finalidades ou mesmo em proveito próprio.

Em estados como o Amazonas, justamente onde os atendimentos médicos entraram em colapso total e onde cidadãos são enterrados como bichos, em valas comuns, feitas às pressas, desde o ano passado, a Polícia Federal vem investigando desvios de mais de R$ 142 milhões, justamente do SUS.

No Ceará, onde o caos também está instalado, mesmo antes do pico da doença, a deficiência no atendimento à população assustada com o covid-19 decorre dos mesmos males da malversação e dos desvios de recursos públicos e de lavagem de dinheiro. O mesmo se sucede no Rio de Janeiro, com os hospitais de campanha superfaturados. No Maranhão a situação se repete, com a Polícia Federal investigando, desde 2018, o desvio e lavagem de dinheiro da ordem de mais de R$ 92 milhões.

Esses são apenas alguns exemplos da atuação costumeira de políticas criminosas praticadas por agentes públicos e que, em horas como essa, faltam para salvar vidas e dar alguma dignidade à população, não só em vida, como na hora da doença e morte.

 

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Em Roma tudo está à venda.”

Salústio (867aC). A Guerra de Jugurta – Palavras com que alguns aristocratas romanos pintavam a Jugurta, jovem príncipe númida, a corrupção reinante em sua pátria.

Imagem: imperivm.org

 

Brics

São 4 os elementos básicos para sobreviver, segundo a Ciência: ar, água, luz e alimento. Melhor que o Brasil reveja os contratos com o país asiático para manter a soberania nacional e não ter mais surpresas no futuro. Tenha acesso a algumas notícias sobre o assunto a seguir.

O apetite chinês por terras no Brasil

Brasil volta à rota de investimento dos chineses

China e Brasil vão tratar de certificados de produtos florestais em novembro

Hoje o estoque do investimento chinês no Brasil é de cerca de US$ 80 bilhões

 

Sensatez

Nenhum contrato escolar previa uma pandemia que fosse transformar aulas presenciais em aulas online. Adolescentes conseguem passar horas em frente a uma tela de computador sem problemas. Mas crianças de 4 a 13 ou 14 anos não deveriam. Impossível tentar comparar aulas presenciais com virtuais para a meninada dessa faixa etária. Escolas bem-conceituadas de Brasília se negam a negociar as mensalidades. Só há uma solução. Como se sabe, o ensino escolar é típico produto de consumo, isto é, trata-se de prestação de serviços regulada pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). Sem aulas, sem pagamento. Menos horas de aula, pagamento proporcional.

Foto: Arquivo Pessoal/Washington Luiz (correiobraziliense.com)

 

Homenagem

A equipe da coluna Visto, lido e ouvido, criada por Ari Cunha, agradece o texto de Jorge Guilherme Francisconi. Num ato de extrema simpatia, diz que a preocupação de Ari Cunha com o presente e futuro de Brasília é a mesma que orienta o trabalho do urbanista. Veja a coluna à que se refere Francisconi.

–> Veja o poema “Nunca vi igual”, da série de homenagens ao aniversário da capital do DF2: Nunca vi igual

 

Sucesso

Está sendo bem conduzido, pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal, o drive-thru para detectar novos casos de coronavírus. Informações do GDF apontam que 1,4% da população testada, no universo de 3.196 pessoas, deram positivo para a Covid-19. A Secretaria de Saúde orienta fazer o teste somente pessoas com sintomas da Covid-19 (febre, tosse seca, perda de olfato) há sete dias, para não haver risco de falsos negativos.

Os profissionais da saúde usaram câmeras térmicas para os exames
(Foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Durante os dias de crise, a Aeronáutica pediu emprestado à Novacap um lote de colchões da Divisão de Alojamento, que estava nos apartamentos da W-4. Até hoje, entretanto, esses colchões não foram devolvidos, e o alojamento da Novacap ainda não foi inaugurado por causa disto. (Publicado em 05/01/1962)

Uma dura lição

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Foto: Sérgio Andrade/Governo do Estado de São Paulo (agenciabrasil.ebc.com)

 

Das muitas lições que serão deixadas pelo isolamento social compulsório, por conta da pandemia do Covid-19, a milhões de brasileiros, nenhuma outra será mais importante do que a certeza de que o fenômeno da corrupção tem seus efeitos nefastos prolongados por tempo indefinido, atingindo indiscriminadamente gerações e gerações. Ainda mais quando esse fenômeno atinge patamares de uma endemia, como tem sido no nosso caso.  Por mais defeitos que tenha o presidente Bolsonaro, ainda há o mérito de lutar incessantemente contra o vírus da corrupção. Esse sim, sempre foi nefasto ao país, mantendo a fome, ignorância e paternalismo.

Vale recordar a fala recente do ministro Luís Roberto Barroso do Supremo Tribunal Federal, quando afirmou que: “É um equívoco supor que a corrupção não seja um crime violento. Corrupção mata. Mata na fila do SUS, na falta de leitos, na falta de medicamentos. Mata nas estradas que não têm manutenção adequada. O fato de o corrupto não ver nos olhos as vítimas que provoca, não o torna menos perigoso.”

Por isso mesmo, causa espécie a todos os brasileiros de bem que políticos, notoriamente apontados pela justiça como culpados por esses crimes hediondos, aproveitem desse momento de angústia para, de modo cínico, proporem soluções que, nem de longe, adotaram quando tiveram oportunidade e poder para tanto. Esse é o caso específico do ex-presidente Lula que, de forma absolutamente desavergonhada, tem aparecido em vídeos fazendo críticas e sugestionando ações contra a crise, como se não fosse ele e seu desgoverno um dos responsáveis pela fragilidade de nosso sistema de saúde e pelo saldo de milhões de desempregados.

Não se pode, de modo algum, desprezar esses fatos do nosso passado recente e que hoje pesam sobremaneira nessa crise de saúde pública. Talvez uma das mais emblemáticas cenas desse passado triste, ainda não totalmente solucionado por nossa justiça parcial e suspeita, seja justamente a utilização dos muitos e gigantescos estádios de futebol construídos para a fatídica Copa do Mundo de 2014, em que praticamente todos os envolvidos nesse esquema odioso foram acusados de corrupção, dentro e fora do país.

Esses verdadeiros elefantes brancos, monumentos obsoletos, erguidos para propiciar a manutenção contínua de um propinoduto bilionário, são retirados agora de seu estado letárgico profundo para servirem de hospitais de campanhas. Essa improvisação de finalidade totalmente diversa demonstra de forma cabal a distância entre o que necessita uma população carente e aquilo que os políticos sem ética almejam para si mesmos.

Nada mais emblemático para ensinar uma população em pânico e cerrada dentro de casa do que a conversão de estádios em hospitais de emergência para fazer entender, de uma vez por todas, o potencial deletério do fenômeno da corrupção. A corrupção mata. Essa é a lição aprendida agora da pior maneira possível.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Quando você perceber que para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.”

Da filósofa russo-americana, Ayn Rand (judia fugitiva da Revolução Russa, quando chegou aos Estados Unidos, em meados da década de 20).

Foto: britannica.com/biography

 

Juntos e fortes

Pessoal da Motoluc está confeccionando máscaras Face Shield para doar aos hospitais da cidade. Por enquanto, a capacidade é de 1500 máscaras por dia. Além da convocação de voluntários, eles estão recebendo doações de chapas de acrílico de 3mm. Leia logo abaixo mais detalhes para quem quiser ajudar.

 

Capes

Na hora que a coisa aperta, a coisa muda. O sistema da Capes foi liberado para implementação de bolsas de mestrado e doutorado. Um pesquisador nos enviou a missiva com a seguinte conclusão: a terra pode até ser plana na concepção dos fanáticos, mas ninguém pode negar que ela continua dando voltas.

 

Reconhecimento

Nossas homenagens a todos que trabalham na Polícia Federal, instituição que completa 76 anos.

Cartaz publicado no perfil oficial da Polícia Federal no Instagram

 

Sempre a verdade

Morreu ou não morreu? O GDF corrigiu a informação sobre a primeira morte causada pelo coronavírus. A Secretaria de Saúde do DF justificou que houve um desencontro de informações.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Todas as autarquias estão com novos presidentes. É bom ler todos os discursos de posse, para que a gente possa, depois, cobrar as promessas. (Publicado em 04/01/1962)

E as vozes das ruas não serão mais roucas. Viva a mídia social.

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Charge do Duke

 

Boa parte da sociedade está com a memória viva em relação à longa crise social, econômica e política dos últimos anos. As redes sociais tiveram o condão de mudar a percepção de boa parte da sociedade não somente para os problemas do país, mas sobretudo para aumentar o desejo e a atitude de muitos em direção aos valores próprios, fazendo brotar nos brasileiros um sentimento mais individualista e voltado exclusivamente para as necessidades imediatas e a longo prazo das pessoas. Parece resultar da noção de que o Estado pouco ou nada faz pelos brasileiros. Muitos consideram hoje que a melhor estratégia é partir para a luta individual, ao invés de esperar por qualquer amparo do governo.

É preciso salientar que esse individualismo, cada vez mais presente na sociedade, pode inverter a própria lógica do Estado, fazendo com que o governo passe a depender, cada vez mais, da vontade de uma população indiferente e distante, propiciando, inclusive, a considerar a hipótese da desobediência civil.

Dados os efeitos da corrupção sistêmica, conforme implantado pelos governos petistas e que tinham como objetivos diretos o enfraquecimento do Estado paulatinamente ao empoderamento do partido, apesar das investidas da polícia e de toda a revelação da trama, deram frutos diversos; uns bons, outros nem tanto. Ao aumentar a descrença na política, retardou a consolidação plena da democracia. As revelações feitas pela polícia e pelo Ministério Público apresentaram, para o distinto público, uma elite corrupta e disposta a tudo para enriquecer rápido e sem esforço.

Para um país que conta com mais de 700 mil presos, em condições sub-humanas de cárcere, essas revelações serviram muito mais como que um simples incentivo para a ação continuada no mundo do crime. Deu a essa parcela da população a certeza de que a cadeia ainda é lugar para pretos e pobres.

Entender a corrupção como algo moldado pela herança histórica ibérica, onde o patrimonialismo cartorial era a tônica, mostra apenas as raízes ancestrais do problema e que fazia parte inerente do sistema mercantilista e colonialista da época. Se antes a exploração e os desvios tinham origem em vontades vindas do exterior, com o desenvolvimento do capitalismo de compadrio, é muito mais rentável a uma empresa cooptar políticos e agentes públicos buscando negócios fabulosos com o Estado em troca de propinas e outros meios ilícitos. Além das empresas privadas, sempre dispostas a servir aos políticos de forma geral, as estatais cumpriam seu papel de facilitadoras dos negócios nebulosos da elite dirigente.

Transformadas em moedas de troca, dentro do toma lá dá cá generalizado, as nomeações políticas para altos cargos nas estatais tinham um peso crucial na expansão dos casos de corrupção, servindo como ponta de lança dos partidos para se apoderarem dos recursos da nação. Torna-se compreensível o discurso de muitos dirigentes políticos no sentido de o Estado manter controle das estatais.

Obviamente que não se trata de nacionalismos ou protecionismo da economia nacional, mas tão somente de reservar esse nicho de mercado à sanha desmedida dos partidos políticos. Por aí se vê a razão da redução do tamanho do Estado, que incomoda tanta gente. Se por um lado os muitos casos de corrupção do passado revelados serviram para mostrar como é fácil desviar dinheiro público, por outro mostrou que impondo um fim a institutos como o foro privilegiado, a possibilidade de nomeações políticas para cargos técnicos e maior agilidade e presteza nas decisões da justiça trazem a fórmula mágica para reduzir, da noite para o dia, tão imenso volume de caos de malversação dos recursos públicos.

Seis pilhas de um metro quadrado de área por cinco metros de altura cada, contendo notas fictícias de R$ 100, ficaram expostas por um longo período na Boca Maldita, principal rua de Curitiba. O monumento simbolizava o montante de R$ 4 bilhões recuperados pela força tarefa da Lava Jato. É pouquíssimo, se comparado ao volume fantástico de dinheiro desviado por grupos políticos diversos, apenas na última década. É, contudo, muito dinheiro, para os padrões de um país como o Brasil, onde historicamente a impunidade e corrupção sempre foram tratadas de forma parcimoniosa pelas autoridades, sempre constrangidas em punir pessoas e grupos do mesmo estamento social, político e econômico.

Segundo estimativas feitas por técnicos no rastreio de dinheiro de origem suspeita, o Brasil perdeu por ano, em média, R$ 200 bilhões com esquemas de corrupção. Somente com relação à Petrobras, calcula-se que foram desviados, apenas nos governos petistas, entre R$ 30 e R$ 40 bilhões, embora, de forma oficiosa, a estatal tenha divulgado um “prejuízo” de apenas R$ 6 bilhões com desvios de dinheiro dos cofres da empresa. Para se defender de processos no exterior, a estatal tem apresentado sua defesa em cima da tese de que foi vítima da ação dos corruptos, embora a justiça dos Estados Unidos e de diversos outros países, que possuem recursos investidos na empresa, afirmem que há muitos funcionários de carreira da Petrobras envolvidos diretamente nestes esquemas nebulosos.

De toda a forma, o cerco que vai se fechando aqui e no exterior, cedo ou tarde, chegará a um resultado bem próximo da verdade. A última notícia é que um suíço brasileiro foi considerado culpado por cumplicidade em suborno e lavagem de dinheiro. Essa é uma sentença importante porque trata da prova de pagamentos de mais de US$ 35 milhões feitos por sete anos (2007-2014) por meio de mediadores na Suíça e no Brasil a funcionários da Petrobras.

 

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Há o caso de vários operários de uma obra, que pediram as contas e foram para a fila da Novacap. (Publicado em 16/12/1961)

Legal e imoral

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Foto: reprodução da internet

 

Em episódios cotidianos, como são os casos dos recorrentes processos de licitação para a aquisição de gêneros alimentícios finíssimos, elaborados por muitas instituições e que incluem vinhos famosos, lagostas e outros acepipes requintados, se confirmam essa dissintonia entre o brasileiro comum e as elites dirigentes do país.

Exemplos desse comportamento atípico, que configura mais um agrupamento familiar no poder do que um conjunto de profissionais e técnicos a serviço da nação, podem ser observados muito além do clássico nepotismo cruzado.

Historicamente e por razões já delineadas no clássico “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda de 1936, o nosso arcabouço institucional, desde sempre, foi montado de forma a colocar sempre, em primeiríssimo plano, a figura do indivíduo e de seu entorno imediato, conferindo maior destaque e importância a estes, relegando a um plano secundário a própria instituição. Dessa forma, nossas instituições e o próprio conceito de República acabaram perdidos num pano de fundo, exercendo um papel de coadjuvantes.

Com uma estrutura assim, não surpreende que as seguidas crises políticas sejam motivadas, não por debilidade das instituições em si, mas por falhas provocadas pelos próprios sujeitos que estão à frente de cada um desses órgãos do Estado. Entram nessa confusão secular, entre o público e o privado, sentimentos casos que são identificados como capazes de transformar as altas autoridades do país numa imensa e unida família, a quem os contribuintes são obrigados a ceder boa parte do que produzem ao longo do ano.

Fatos dessa natureza são comuns em instituições que possuem por lei a capacidade de organizar livremente seu próprio orçamento. Nesses casos, as despesas são montadas não apenas com base nas necessidades do órgão, mas sobretudo em consonância com os interesses, muitas vezes pessoais de cada um de seus membros. Mais preocupante ainda é quando essas distorções passam a adquirir um amplo manto legal, dispostos em regimentos e outros ordenamentos legais, de forma a assegurar que possíveis contestações encontrem, nas barreiras da lei, qualquer impedimento para a perpetuação de regalias.

Fossem contabilizados, o valor de todas as mordomias cabidas por lei a cada um dos membros desse seleto grupo, o teto máximo do salário público atual facilmente seria multiplicado por dez.

Esse familiarismo estendido aos altos escalões do serviço público e que perpassa praticamente todas as instituições do Estado, e no qual as vontades particulares acabam sempre predominando sobre o coletivo, criando uma confusão propositada de interesses, necessita urgentemente de um fim, sob pena de permanecermos atrelados ao mesmo ciclo de pensamento.

 

 

 

A frase que não foi pronunciada:

“As cicatrizes da história do Brasil deveriam servir para alguma coisa.”

Dona Dita pensando enquanto vê alguns erros se repetindo

Charge do Adão

 

 

Noves fora

Recebemos de um leitor a seguinte informação: Na reforma da previdência de 2019, os servidores aposentados com doenças graves, que não têm aumento de salário há cinco anos, ao receberem o contracheque de fevereiro, viram e sentiram os percentuais de seus desconto para a previdência aumentarem e seu salário diminuir.

Imagem: spbancarios.com.br

 

 

Perigo constante

Em tempos de férias, a vigilância sanitária de cidades praianas está em alerta. No Recife, por exemplo, há suspeitas de que um empresário tenha morrido infectado por ostras consumidas na praia de Boa Viagem. O principal cuidado deve ser com o armazenamento do produto, situação bastante deficiente averiguada pela investigação epidemiológica.

 

 

Defesa

Senadora Leila Barros pelo DF destaca o projeto de Lei 550, que já foi pautado dezenas de vezes, mas ainda não foi votado na Câmara. Esse projeto altera a Lei nº 12.334, de 20 de setembro de 2010, trata da Política Nacional de Segurança de Barragens, oferecendo à população proteção contra os desastres, como os que aconteceram em Mariana e Brumadinho, por exemplo.

Foto: Editoria de Arte/G1

 

 

Falta vigilância

Ao longo da L2 Sul, muitas clínicas e hospitais obrigam os pacientes a estacionarem em local sem proteção alguma. Quadrilhas quebram os vidros dos automóveis para furtar qualquer objeto que tenha sido deixado dentro do carro. A única possibilidade depois disso é registrar um Boletim de Ocorrência. Só.

Foto: Arquivo Pessoal (correiobraziliense.com)

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Em companhia do porteiro do hotel, os candangos aprisionaram o animalzinho, que teria vindo, provavelmente, da área onde se localizará, futuramente, o Jóquei Clube. (Publicado em 15/12/1961)

Dinheiro público, para o que a nação não necessita, tem de sobra!

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Charge do Amorim (folhapolitica.org)

 

Dinheiro público neste país é como alça de caixão de defunto importante: todos querem segurar e carregar. A desfaçatez e a pouca cerimônia com que os responsáveis pela gestão desses recursos, que saem da algibeira dos pagadores de impostos, torram em despesas, absolutamente supérfluas, ou mesmo tratam de desviar para si, não possuem paralelo no mundo contemporâneo.

São fortunas tão fabulosas que somem no espaço, que foi necessário Congresso, Executivo e Judiciário se unirem em tratativas estratégicas e regulares para encontrarem fórmulas capazes minorar a punição aos gestores públicos, principalmente aqueles oriundos das classes políticas. A pobreza, a deficiência de escolaridade e outros fatores de ordem social e sociológicas que explicavam nosso subdesenvolvimento crônico, já não podem, no momento presente, servir de pretexto para justificar esse atraso do Brasil em relação à muitos países do Ocidente, mormente aqueles reunidos na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Hoje qualquer análise sociológica séria que pretenda encontrar as raízes de nosso subdesenvolvimento secular, terá que apontar como uma das causas principais e permanentes o fator político ou mais precisamente nossa classe política. Fosse vivo Celso Furtado (1920-2004) ou mesmo Hélio Jaguaribe (1923-2018), dois pensadores contemporâneos que se debruçaram sobre a questão da perpetuação do subdesenvolvimento nacional, concordariam com o novo indicador, representado agora pela classe política nacional, como sendo um dos fatores primordiais por detrás de nosso atraso como Estado.

Para um país com altos índices de pobreza e com altíssima concentração de renda, torrar, literalmente, centenas de milhões de reais do contribuinte em fogos de artificio, para marcar a passagem do calendário anual, pagando altos cachês a artistas e outras atrações é um acinte, mas acontece todo o ano. Depois vem o carnaval, que faz a alegria das escolas de samba e dos turistas desavisados que para aqui vem.

Nesses festejos, em lugares em que os hospitais praticamente não funcionam e onde os serviços públicos quase inexistem, mais algumas centenas de milhões de recursos do contribuinte brasileiro, caem na folia, desaparecendo no turbilhão da galeria. Não há como economizar na melhoria de escolas e hospitais, pois logo ali na frente, começam as eleições e aí é que o dinheiro arrancado do cidadão vira fumaça.

Esse ano serão R$ 2 bilhões do Fundo Eleitoral, mais R$ 1 bilhão do Fundo Partidário, para serem distribuídos justamente na promoção e perpetuação daqueles que estão classificados como causa de nossa parada no tempo. Se isso não é gastar sem propósito ou sem prioridade, recursos públicos, então o que seria?

São tantos os casos em que os cofres públicos são vilipendiados, que para não acontecer a situação surreal de ter que processar e prender toda a classe dirigente do país, por formação de quadrilha e malversação do Tesouro Nacional, esses mesmos dirigentes se veem forçados a organizar uma espécie de “concertación” onde a confecção de leis, suas interpretações posteriores e execução das mesmas, se façam de modo a não alterar ou punir o status quo vigente.

Dessa forma, desviar dinheiro em eleições para o próprio bolso é transformado de roubo comum, previsto no Código Penal à crime de caixa 2, que passa a ser remetido ao Tribunal Eleitoral para a prescrição e posterior perdão. Em outro cenário e com o mesmo afinco em driblar a lei maior da ética pública, aprova-se, em tempo relâmpago, Proposta de Emenda à Constituição (PEC) garantindo que parlamentares negociem livremente com governadores e prefeitos o destino de emendas individuais, sem vinculação com programas do governo federal e sem a fiscalização do Tribunal de Contas da União.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“A especulação é no comércio uma necessidade; é nos abusos, uma inconveniência; mas entre as inconveniências dos abusos e a necessidade do uso, essa, em todos os casos dessa espécie a liberdade, que deve ser respeitada, porque se em nome de abusos possíveis nos quiserem tirar a liberdade do uso, talvez não nos deixem água para beber.”

Rui Barbosa, jurista, advogado, político diplomata, escritor, filólogo, jornalista, tradutor e orador brasileiro.

Foto: academia.org

 

Celíacos

Nossa leitora Beatriz de Oliveira acrescenta no comentário sobre a falta de hóstia sem glúten, que a iniciativa adotada pela igreja é que, aos celíacos, o vinho substitui a hóstia. Basta conversar com o pessoal da pastoral litúrgica.

Foto: Arquivo cancaonova.com

 

Multimistura

Dra. Clara Takaki Brandão, a criadora da multimistura, merece todo o respeito do povo brasileiro. Folha de mandioca, farelo de arroz e gergelim. Segundo o professor Nagib Nassar, são 26% de proteína só na folha de mandioca. Essa é uma mistura que salva vidas e que precisa compor a merenda escolar.

 

Vão!

Elogiadíssima a ópera O Barbeiro de Sevilha numa versão em português superdivertida, para todas as idades. Nos dias 17,18,19,24,25 e 26 de janeiro, no Espaço Renato Russo. 6ª e sábado às 20h e aos domingos às 19h. Ingressos de 15 e 30 reais. Hermógenes Correia é o Fígaro, e Janette Dornellas e Carol Araújo são a Rosina. A direção musical é do pianista Rafael Ribeiro.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

De trezentas e tantas razões pelas quais “você pode confiar no governo Carlos Lacerda”, há várias, como as do setor transporte, onde aparece: retífica de tantas bielas, de tantos semieixos, etc. (Publicado em 14/12/1961)

Milícias uma questão a ser enfrentada

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Charge do Nicolielo

 

É sabido que os extremos, por força de uma repulsão, até imaginária, acabam se tocando. Caso conhecido por nós e por muitos desse fenômeno, que pode até não ter uma explicação racional na física quântica, mas encontra seu exemplo mais perfeito no caso das milícias, formadas por policiais e ex-policiais que passam a agir como justiceiros por conta própria, com seu próprio código de conduta, atuando como verdadeiros criminosos.

Escudados por um corporativismo e com o preparo necessário para enfrentar a bala seus oponentes, esses indivíduos têm por característica o não temor à lei, que conhecem de perto. Principalmente o lado complacente da justiça com esses anti-heróis.

Na escola da polícia com o conhecimento adquirido em preparação, e nas ruas, principalmente com o envolvimento que possuem com autoridades de todo o escalão do Estado, suas fraquezas e culpas, fazem dos milicianos uma tropa mais difícil de combates do que as quadrilhas comuns de criminosos. Uma característica desses falsos heróis e que logo salta aos olhos, é que por sua origem no seio no próprio Estado, fazem com que eles se tornem até mais vis e mais criminosos do que os próprios e tradicionais bandidos.

Esse verdadeiro exército de malfeitores em proliferação, não apenas em regiões do Rio de Janeiro e São Paulo, lembra, para alguns que o antigo Esquadrão da Morte, que atuava na fronteira entre o Estado ditatorial do final dos anos sessenta, gerou outros descendentes, só que muito mais letais e prejudiciais às populações.

Trata-se, na opinião de alguns especialistas no assunto, de um potencial grupo paramilitar que se não vier a ser combatido, na raiz, trará sérios problemas ao país, já atolado na questão da criminalidade. As suspeitas que personagens do alto escalão mantém proximidades com esses grupos, fez acender a luz para o problema.

Pena que o Congresso, tão enredado em problemas pessoais de seus membros com a própria justiça, não possa realizar um profundo inquérito de investigação sobre essa questão, à tempo de colocar toda a sociedade a par de um problema que cresce e que se espalha até dentro do próprio Estado.

Bancadas como a da Bala, em defesa disfarçada, fazem desse grupo também é um assunto da maior importância e que não vem sendo tratado com o cuidado que mereceria. A noção de que esses grupos agem apenas para deter quadrilhas de traficantes e outros bandidos tradicionais, é além de enganosa, uma espécie de antipropaganda que visa angariar apoio popular para suas ações.

Comunidades compostas por milhares de famílias que vivem há anos sob o jugo dessas milícias, sabem exatamente do que estamos falando e sentem, na pele, o domínio ameaçador e violento desses grupos. O medo impera nessas comunidades, quem ousa se opor ao controle desses grupos é ameaçado, forçado a sair da própria casa ou simplesmente morto de morte matada, sendo que as investigações, jamais chegam ao seu curso final. Infiltrados no Executivo e no Legislativo, tanto local como federal esses grupos encontram a simpatia de muitos próceres do governo e mesmo do judiciário. Não por outra razão é possível afirmar que esse é mais um ovo da serpente que vem sendo lentamente chocado no seio da sociedade aos olhos de todos.

Muito mais do que um fenômeno puramente brasileiro, a existência das milícias é mais uma prova da leniência dos Três Poderes em enfrentar uma questão que, mais cedo ou mais tarde, poderá estar fincado em definitivo entre nós. Não se deixem iludir: a questão da violência no Brasil, uma das maiores do mundo, jamais irá recuar pela ação de milicianos ou assemelhados. Pelo contrário, trata-se de mais um fator de insegurança a agravar nosso problema.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“A invasão de um exército pode ser detida, mas não a invasão das idéias.”

Victor Hugo, romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista francês

Foto: opiniaoenoticia.com

 

Preferido

Curiosamente, o Guinness Book bateu um recorde. É o livro mais roubado do mundo.

 

Brincadeira

Outra curiosidade que poderia sacudir as feministas é a origem do nome GOLF: Getlemens Only Ladies Forbbiden (Apenas cavalheiros. Damas proibidas.). Seria um escândalo se fosse verdade. Mas não é.

Foto: regrasdoesporte.com

 

Estocolmo

Um verdadeiro absurdo o preço do material escolar. Em colégios particulares, livros custam uma fábula. Em escolas estrangeiras ou bilíngues, alguns itens são cobrados em dólar. A venda casada também é adotada. Há a opção de os pais escolherem outro estabelecimento, mas se submetem a isso porque o ensino é bom. E é aí que mora o perigo.

Charge do Duke

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

O Deputado Hugo Borghi pediu, ontem, licença à Câmara dos deputados, para fazer uma viagem ao exterior, sem ônus para o governo. Pediu, entretanto, interferência do Legislativo, para facilitar a aquisição de 10 mil dólares. (Publicado em 14/12/1961)

Ineficiência seletiva

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Quadrinho: Turma da Mônica

 

É da ineficiência dos órgãos de vigilância, ou mesmo da atenção seletiva de alguns deles na tarefa de proteger o cidadão e os recursos públicos, que o Brasil vai, pouco a pouco, transformando-se, aos olhos de todos, no paraíso das práticas das irregularidades e no mercado de vale tudo, onde prevalece a lei mais forte e poderosa.

Ditado repetido pelo filósofo de Mondubim dizia que “quando os gatos saem, os ratos fazem a festa.” A falta de fiscalização favorece para que todo o país se transforme num inimigo do cidadão, mesmo em Estados comprovadamente evoluídos, como é o caso dos países Nórdicos ou da Suíça, ou mesmo no Japão, que é exemplo de civilidade para o resto do mundo.

Não surpreende que no Brasil, mesmo após a deflagração de operações exitosas como a Lava Jato e outras que poderiam amedrontar muita gente graúda, milhões de reais ou mesmo bilhões desviados dos cofres públicos continuam a voar de um lado para o outro, em malas, meias, cuecas, caixas de papelão ou outros invólucros exóticos e inusitados.

O mais curioso é que, apenas para ficar em eufemismos e não despertar a ira dos cidadãos, esses mesmos órgãos de fiscalização, seja a Receita, o antigo Coaf ou mesmo as agências reguladoras, como a Anvisa ou Anatel, mostram-se exímias e competentes repartições públicas, quando o alvo é o pequeno e displicente cidadão. Todo e qualquer brasileiro se surpreende com a eficiência desses organismos quando o que está em jogo são centavos esquecidos na hora do cidadão prestar contas.

Bilhões passam pelo corredor estreito e expiatório dos fiscais, sem levantar suspeitas. Mas, quando a questão envolve o pequeno e médio contribuinte, o pente fino é rigoroso e cruel. No caso mais recente, divulgado pela imprensa, apenas para ficar em exemplos da hora, nenhum órgão de fiscalização foi capaz de detectar mais de R$ 130 milhões que voaram dos recursos escassos dos hospitais de João Pessoa, na Paraíba, diretamente para o bolso do ex-governador Ricardo Coutinho do PSB.

Essa seletividade, que faz com que os poderosos gozem de blindagem por parte dos órgãos de fiscalização, já é, para o todo e qualquer brasileiro, uma certeza de que vivemos num país imensamente desigual e injusto. Nenhum cidadão, cônscio da realidade nacional, acredita nessa lorota de que todos são iguais perante às leis. O caso de Lula e de muitos de seus asseclas soltos, depois de seguidas manobras da mais alta corte do país, comprova a tese de que a cadeia e a dureza das leis só servem para aqueles que residem no patamar de baixo de nossa pirâmide social.

Essa displicência direcionada de outros órgãos como a Anvisa e outras Agências, criadas para normatizar e fazer valer as leis da ética e do mercado, parecem existir apenas no papel, sem atuação digna de nota. O que fazem os países desenvolvidos serem o que são é justamente a onipresença da lei, de uma legislação enxuta e eficaz, por meio de muitos órgãos de fiscalização, todos devidamente aparelhados, com faro, olhos e ouvidos bem apurados.

Enquanto milhões de reais vão de lado para outro sem chamar a atenção de ninguém, serviços essenciais como planos de saúde, telefonia, luz, água e outros nadam de braçada prejudicando os consumidores ao mesmo tempo que amealham fortunas com serviços de quinta categoria. É nesse banzé, onde as leis valem para uns e para outros não, que o Brasil vem sendo sistematicamente classificado como um dos países com os piores serviços prestados aos seus cidadãos em todo o mundo. Não é fácil!

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Há dois relógios em todas as esferas do governo. Um que funciona rápido para subir impostos, taxas, “contribuições” e cobrar dos consumidores, e outro, mais devagar, para pagar precatórios, baixar tarifas e reconhecer débitos.”

Dona Dita, aguardando o preço das passagens de ônibus baixar.

Foto: Carolina Cruz/G1

 

Esclarecimento

Em nota à imprensa, a CEB esclarece que o valor de R$600 milhões nada tem a ver com o total desviado pelos supostos criminosos investigados pela operação da PCDF e o MPDFT. Trata-se na realidade, do total histórico de dívidas registradas e vencidas de clientes da companhia. O valor supostamente desviado ainda não foi informado.

Foto: portalvarada.com

 

Daniela

Uma diferença interessante dos desfiles de beleza entre cadeirantes e não cadeirantes é que quem não pode andar, além de ser escolhido pela beleza é votado pelo engajamento nas causas sociais. Daniela Louvores, miss cadeirante, deu uma entrevista na radio Sinttel sobre o assunto. Veja a seguir.

 

Falta urbanidade

Comunidade do Lago Norte volta a discutir a necessidade de uma ponte. Interessante notar o argumento da minoria que trata da segurança. Como se ladrão precisasse de ponte para roubar. Por interesse pessoal, não se vislumbra a realidade prática que seria executar o plano já traçado. Foi a mesma coisa quando o hospital Sarah demarcou o terreno. Até gente que já tinha sido tratada no hospital mobilizou mundos e fundos para impedir a obra.

 

Só a justiça

Empresa que não tiver programa de integridade pode ser preterida pelo GDF. Como dizia o filósofo de Mondubim: “isso é discutir a inflexibilidade do cachimbo de barro.” Não é um pedaço de papel que vai garantir a honestidade. Basta ler as metas e missões de qualquer empresa para se apaixonar na hora! Xilindró é o que resolve.

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Grande vitória conseguiram os funcionários residentes em Brasília. O presidente João Goulart assinou decreto prorrogando a “dobradinha” por tempo indeterminado. (Publicado em 14/12/1961)

Contraditoriamente Brasil

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Charge do Adão

 

Nossa imagem e o que pensam da gente aqueles que nos observam de fora e de longe, quase sempre não coincide com aquilo que pensamos de nós próprios. O motivo, dentre vários, é que acreditamos ser o que gostaríamos de ser e quase nunca o que somos de fato. No espelho do ego, nos vemos como nosso ego nos enxerga e não com as diversas fantasias que exibimos para parecermos um personagem aceitável perante a plateia. Assim acontece com o Brasil.

Observado do exterior, ainda é visto como um país tropical, exótico e violento, cheio de contradições, exibindo uma imagem que parece andar na contramão do mundo civilizado. Um país que, desafiando regras e impondo outras que parecem modernas, tenta, desesperadamente, esconder o medo de se mostrar ridículo aos olhos de todos. Também não parece ser exagero, já que muitos reconhecem que possuímos a classe política e dirigente mais cara e corrupta de todo o planeta, ao mesmo tempo em que mantemos os professores mais baratos do mundo e um alunado que dia após dia mantem e confirma sua posição na rabeira dos rankings internacionais que medem a qualidade do ensino público.

Para qualquer setor da vida pública do país que miramos nossa atenção, as contradições e o exotismo estão presentes. Condenamos e prendemos em nossas masmorras indivíduos envolvidos com rinha de animais, mas deixamos à solta criminosos de alta periculosidade. Editamos leis que protegem, dão abrigo e até planos de saúde para cachorros e gatos e desprezamos e condenamos nossos idosos e nossos cidadãos a morrerem nas salas de espera dos hospitais.

Do mesmo modo colocamos na cadeia quem corta uma árvore enquanto deixamos livres conhecidos personagens, madeireiros, garimpeiros e outros profissionais da terra arrasada, ao mesmo tempo em que concedemos a liberdade e o passe livre àqueles que derrubam e incendeiam florestas inteiras, contaminam as águas brasileiras, exterminam nossos rios ou matam nossos indígenas. Nas cidades, multam e prendem quem apresenta carros fora do padrão exigido, enquanto, deixamos de lado quem mata no trânsito. Proibisse fumar em lugar fechado, enquanto o consumo de drogas rola solto em cada esquina. Cracolândias são permitidas, intocadas, onde a cada dia um miserável morre sob os olhos da sociedade, tudo isso em pleno centro de nossas principais cidades. Enquanto isso, quem busca saúde, obrigação constitucional do Estado, morre nas filas e sofre com o mais alto grau de descaso. É justamente nas altas esferas que essas contradições se mostram mais surpreendentes, revelando nosso pendor pelo ridículo, pelo perigoso, pelo incorreto e pelo inusitado.

Os tribunais não se avexam em condenar a anos de prisão quem furta um tubo de pasta de dentes, mas encontra o mesmo argumento jurídico para colocar em liberdade aqueles que desviam bilhões dos cofres públicos. No quesito discriminação, somos imbatíveis.

Aceitamos que se condene ao ridículo, enxovalhe a honra com cusparadas de desprezo, figuras avaliadas como sagradas e veneradas pela maioria dos brasileiros, enquanto repreendemos com falso moralismo, quem ousa fazer pilhérias sobre as ditas minorias. É justamente esse Brasil que é visto e notado do exterior.

Um país em que o comerciante trabalha protegido por grades para não ser assaltado mais uma vez, e em que os criminosos, quando apanhados, passam a receber dos contribuintes um soldo mensal maior do que o salário mínimo. Quem desejar ter uma pálida noção sobre o que os estrangeiros pensam de nós, basta ler a última cartilha distribuída pela Embaixada dos Estados Unidos aos seus cidadãos, alertando para os perigos do Brasil inzoneiro.

Primeiro de tudo, é preciso manter a discrição, permanecer em alerta sobre o entorno, principalmente em locais frequentados por turistas. Para tanto, é preciso que os americanos, que ousem vir para o Brasil, revejam seus planos de segurança. Todo o cuidado é pouco.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Viva o Brasil

Onde o ano inteiro

É primeiro de abril.”

Millôr Fernandes, escritor, jornalista, cartunista, humorista brasileiro.

Foto: Daniela Dacorso/Bravo (exame.abril.com)

 

Sem comunicação

Sobre o inexistente número telefônico do HRAN, nosso assíduo leitor Renato Prestes esclarece que os telefones dos Centros de Saúde de Brasília não recebem ligações há um ano e meio. Verdadeiro descaso e desrespeito com a população.

Foto: sindsaude.org.br

 

Coincidência

Enquanto ouvia a notícia de que havia planos para resgatar Marcola da cadeia em Brasília, e que o PCC comprou várias residências de luxo pelo DF, nosso leitor foi ultrapassado por um carro com a placa PCC0001 em direção aos Jardins Mangueiral, na saída da ponte JK.

Foto: Ed Alves/CB/D.A Press

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Realizou-se a passeata da fome à porta da Câmara dos Deputados. A chuva não atrapalhou. Sabe-se que em Brasília há fome, há desemprego, para os empregados, e há dificuldades para os empreiteiros. (Publicado em 14/12/1961)