Os militantes da doença

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Severino Francisco

A selva selvagem de mentiras da internet, manipulada por extremistas, produziu a anomalia de professores contra a educação, advogados contra o Estado de Direito, parlamentares contra o parlamento, jornalistas contra os fatos, povo contra a democracia, magistrados contra a lei e médicos contra a vacina. É inacreditável, que, depois de uma pandemia que ceifou a vida de mais de 700 mil brasileiros, ainda apareçam negacionistas da vacina para pregar a doença e a morte.

Em vídeo veiculado nas redes sociais, o governador de Minas Gerais Romeu Zema (Podemos) comunicou que “todo aluno, independente (mente) de ser vacinado, terá acesso às escolas”. O governador estava acompanhado pelo deputado Cleitinho (Republicanos) e pelo deputado Nikolas Ferreira (PL). “A educação e a liberdade agradecem”, afirmou Zema em legenda da referida publicação.

Bem, no caso, a deseducação, o negacionismo, o obscurantismo e a doença agradecem. É preciso lembrar que, quando era vereador, graças ao voto contrário do deputado Nikolas, em 2021, Belo Horizonte deixou de receber verbas no valor de R$ 160 milhões ( para fazer obras de contenção das chuvas, que assolaram a cidade neste ano. E, com certeza, contribuíram para o alastramento dos mosquitos portadores da dengue.

Tudo porque o parlamentar queria fazer uma oposição cega ao então prefeito Alexandre Kalil (PDS). É com a mesma irresponsabilidade que brincam com a saúde de crianças por meio de asnices negacionistas para confundir os pais incautos. Para se defender do indefensável, Zema afirma, em manifestação ao STF, depois de ação movida pelo PSOL, que a vacinação nunca foi requisito para a matrícula nas escolas de Minas.

Pode ser, mas há muito tempo as epidemias não proliferam com a intensidade atual, entre outras razões, por causa das campanhas negacionistas militantes da doença. Os pesquisadores alertam que a poliomelite, a rubéola e a difteria, entre outras doenças erradicadas, podem ressurgir em razão da baixa cobertura vacinal. Ora, o Brasil era exemplo de campanhas de imunização para o mundo. No entanto, graças aos negacionistas e à impunidade com que cometem crimes em série contra a saúde pública, as nossas crianças estão ameaçadas.

É preciso, urgentemente, a regulação das chamadas redes sociais. O pior é que isso rende votos. Não subestimemos a estupidez humana. Já imaginaram se os pais dos autores dessas campanhas criminosas não os tivessem levado para serem vacinados contra a poliomelite, o sarampo ou a varíola?

Os cientistas avisaram que, com as mudanças climáticas e com os desmatamentos, o risco de epidemias e pandemias cresce. Como se não bastasse lutar contra as doenças, ainda é preciso combater os que conspiram contra a saúde pública.

Esse é o legado da antiga PGR, que considerou liberdade de opinião as atrocidades contra a saúde pública cometidas pelo ex-presidente durante a pandemia da covid-19, que resultou na morte de mais de 700 mil brasileiros. A impunidade emitiu sinal verde para que outros irresponsáveis reiterassem na infração. Basta cumprir a lei e responsabilizar os militantes da doença acabar com essa palhaçada de negar a vacina.

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