Perfume imprevisto

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Clarice Lispector era armada de radares poderosos de intuição. Em 11 de dezembro de 1970, ela conheceu a escritora Olga Borelli, de quem se tornaria amiga para sempre. O encontro está registrado na biografia Clarice – Uma vida que se conta (Edusp), de Nádia Battella Gotlib. Mas, um detalhe chama a atenção: na terceira vez em que elas se viram, Clarice convidou Olga para uma visita a seu apartamento. Lá, Olga se surpreendeu: Clarice havia escrito uma carta para propor a amizade.

Ponte Joaquim Cardozo

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Como foi amplamente noticiado, a Justiça do DF suspendeu o nome Honestino Guimarães para a ponte que liga o Plano Piloto e o Lago Sul e, ao mesmo tempo, proibiu que o monumento seja chamado de Ponte Costa e Silva. A justificativa é que ambos os nomes não foram precedidos de audiências públicas. Caberá à Câmara Legislativa estabelecer o debate.

Há alguns meses, lancei nesta coluna o meu candidato: o poeta do cálculo estrutural Joaquim Cardozo.

Acidente no Eixão

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Certa tarde de agosto, eu passava pelo Eixo Monumental, na Asa Norte, quando divisei uma aglomeração de gente em torno de um ipê florido com a cor de um amarelo incendiado. Pensei, aflito: é mais um acidente.

Com a sua avalanche de carros, quase sempre em fluxo selvagem, aquela pista costuma me despertar um estado de alerta. Aproximei-me do grupo e percebi que eles contemplavam a cena a olho nu, de binóculos ou armados de máquinas fotográficas.

Traço de arte

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Pedi uma ilustração a Kleber Sales, da equipe da editoria de arte do Correio, para uma matéria sobre a célebre polêmica musical e poética entre os sambistas Noel Rosa e Wilson Batista. Ficou tão boa que logo pensei em colocar em uma moldura. Era mesmo uma obra de arte. Em tempos de altas parafernálias tecnológicas da era digital, ele faz aquarelas artesanais.

Cine Brasília revitalizado

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Sérgio Moriconi é uma espécie de neto espiritual do crítico Paulo Emílio Salles Gomes. É cineasta, crítico, jornalista, ensaísta e professor; e cada um desses ofícios enriquece e tensiona o outro. Da mesma maneira que os poetas parnasianos declamavam sonetos de cor, ele recita planos ou sequências inteiras de Griffith, de Eisenstein, de Godard, de Visconti, de Abas Kiarostami, de Nelson Pereira dos Santos, de Glauber Rocha ou do cinema mais recente.

Iluminações brasilianas

Céu de Brasília.
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Armando Freitas Filho, considerado um dos mais importantes poetas brasileiros vivos, é o nosso correspondente de guerra no Rio de Janeiro: “Cada dia é uma bala de roleta- russa”, escreveu em um poema. Armando veio duas vezes a Brasília, uma em 1991 e outra em 2002. Pedi ao amigo que desse as suas impressões. A chegada de avião foi algo […]

Bezerra mediúnico

Crédito: TV Zero/Divulgação.
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Bezerra da Silva faria 90 anos na semana passada. Diante da alienação das marchinhas de carnaval deste ano, resolvi fazer uma entrevista mediúnica exclusiva com o sambista. Do outro lado da vida, ele fala sobre a delinquência de terno e gravata, que grassa no país. Escancara, arrepia, Bezerra!   Bezerra, como é o malandro moderno? Malandro moderno, colarinho branco, só […]