‘A idade dourada’ une o melhor de ‘Bridgerton’ e ‘Downton Abbey’

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Produção da HBO Max, A idade dourada foge do estereótipo que julga série de época como chata, e apresenta trama divertida e — ironicamente — jovem

Aqueles figurinos de encher os olhos, as palavras rebuscadas, os dramas familiares, a emoção de um amor (só tocando nas mãos!). As melhores características de uma série de época estão de volta à TV (ou melhor, ao streaming), dessa vez com A idade dourada (The gilded age). A produção já está no Brasil, na plataforma da HBO Max.

Com um elenco estrelar, A idade dourada aposta em uma trama bem pop, dinâmica e “jovem” — à lá Bridgerton. Ao mesmo tempo, ela ainda soma uma qualidade que a colega da Netflix tropeça para ter: uma qualidade narrativa e referências sociais muito bem apuradas. Ela está bem mais próxima de Downton Abbey — ambas, inclusive, têm o mesmo criador: Julian Fellowes.

Na prática, A idade dourada se torna o melhor dos dois mundos.

Amores, dramas e entretenimento em A idade dourada

Na história, o público acompanha a jovem Marian Brook (Louisa Gummer), que acabou de perder o pai, no interior dos Estados Unidos, e agora tem de ir morar com as tias (Agnes — vivida por Christine Baranski — e Ada, interpretada por Cynthia Nixon), em uma Nova York da década de 1880. Inocente e sem maldades, Marian logo entra em choque com o estilo de vida bem segregacionista da cidade, em que a velha monarquia britânica (da qual descende) está em constante choque com a nova elite burguesa dos Estados Unidos, que ganha muito dinheiro, especialmente com a expansão ferroviária da época.

Crédito: Alison Cohen Rosa/HBO — Como em Downton Abbey, os empregados têm importante papel na história

Esses novos ricos — que não têm o sangue azul da monarquia e, por isso,  não são bem quistos — são representados na série pelos Russell. George (Morgan Spector) e Bertha (Carrie Coon) Russell são milionários extremamente ambiciosos, que conseguiram ganhar a cidade (e a economia do país), mas que ainda precisam lutar para não serem vistos como inferiores pela “velha” América.

Eles são vizinhos de Marian, Agnes e Ada. E, enquanto a nova garota não vê mal nenhum nos ricos colegas de rua, as tias (especialmente Agnes) encaram os Russell como uma grande ameaça a sociedade tradicional do país. Não é de impressionar que a “situação” logo crie um perfeito plot de enredo: o interesse romântico de Marian por Larry (Harry Richardson), o primogênito dos Russell.

Para melhorar ainda mais, a jovem ainda está dividida com o “amor” por Raikes, um advogado gentil e apaixonado, mas rejeitado pela tia de Marian por não viver na mesma classe social que a sobrinha.

Outro destaque é a presença de Peggy (Denée Benton) na história. A jovem escritora negra acaba se tornando amiga de Marian e representa importantes revelações sobre como era a sociedade norte-americana no pós-abolição da escravidão no país — ao mesmo tempo em que quebra importantes tabus sobre o assunto.

Misturados nessa confusão de emoções e relações de A idade dourada, ainda existem vários outros personagens, como o primo gay de Marian, até as histórias dos empregados daqueles ricos e aristocratas. Mas o que importa aqui é pontuar o quanto tudo é bem amarrado e organizado ao longo dos episódios.

Em síntese, A idade dourada foi uma grata surpresa em que história de época ganhou uma roupagem leve, divertida e jovem, mas sem esquecer das importantes referências culturais e sociais do momento.

Ronayre Nunes

Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). No Correio Braziliense desde 2016. Entusiasta de entretenimento e ciências.

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