Tag: alfabetização
Encontro internacional discute direito à alfabetização como urgência social
Evento discute como garantir que todas as crianças aprendam a ler e escrever até o 2º ano do ensino fundamental, com foco na redução das desigualdades educacionais no Brasil
O Ministério da Educação (MEC) está promovendo o primeiro Encontro Internacional Alfabetização, Equidade e Futuro. A programação começou nesta segunda-feira (23/2) e vai até esta terça (24/2). O evento reuniu representantes de países da América Latina, em Brasília.
O evento integra as ações do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada e busca reforçar compromissos e decisões que acelerem a alfabetização na idade adequada e com equidade na região.
Entre as agendas da tarde desta segunda-feira (23), foi realizado painel com o tema “Sistemas de Avaliação em Políticas de Alfabetização”, que apresentou as diferentes políticas de avaliação da alfabetização existentes no continente, com destaque para os desafios comuns e as aprendizagens que podem ser estabelecidas no diálogo regional.
Representante do MEC no painel, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Manuel Palácios, detalhou como as políticas de avaliação da alfabetização estão organizadas em nível nacional. Na ocasião, ele destacou a importância da articulação com os entes federados.
“É um esforço muito importante de articulação interfederativa para que as políticas estaduais e políticas de colaboração entre estados e municípios estejam alinhadas com as políticas federais. Esse esforço de alinhamento entre o sistema nacional de avaliação e os sistemas estaduais de avaliação da educação básica têm sido uma inovação muito poderosa”, afirmou o Palácios.
O evento integra as ações do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, uma iniciativa do MEC que envolve União, estados e municípios na busca para que jovens concluam o 2º ano do ensino fundamental alfabetizados — um objetivo que ainda não foi alcançado de forma plena no Brasil e na região, segundo educadores e movimentos sociais.
Representantes de Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru, Uruguai e Brasil participam da programação, que inclui painéis técnicos, troca de experiências e debates sobre políticas públicas que podem reduzir as desigualdades educacionais que persistem há décadas. Também estão presentes secretarias estaduais e municipais de educação, universidades, redes de pesquisa e organizações da sociedade civil.
Na abertura, o ministro da Educação, Camilo Santana, que estava em missão oficial na Índia, foi representado pelo secretário-executivo do MEC, Leonardo Barchini. Para Barchini, discutir alfabetização hoje é “reconhecer que sem a leitura e a escrita consolidadas desde os primeiros anos a criança fica excluída de oportunidades fundamentais ao longo da vida”.
Durante a programação, o tema “Regime de Colaboração na Política de Alfabetização Brasileira” também foi debatido e contou com a participação da secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt. A agenda teve a proposta de intensificar a importância da construção de estratégias de colaboração e cooperação em diversos níveis, a fim de assegurar a efetividade de políticas de alfabetização em contextos federativos vivenciados em países como o Brasil, o México e a Colômbia.
No diálogo, a secretária citou avanços e desafios no contexto do Compromisso Nacional Criança Alfabetiza, a partir da experiência do regime de colaboração e das ações que integram as políticas de educação e de monitoramento e aperfeiçoamento.
No encontro, ela enfatizou que o Compromisso estabelece, entre seus princípios, a promoção da equidade educacional, sendo considerados aspectos regionais, socioeconômicos, étnico-raciais e de gênero; a colaboração entre os entes federativos; e o fortalecimento das formas de cooperação entre estados e municípios.
Na apresentação, Schweickardt também destacou políticas de enfrentamento às desigualdades no acesso à educação e a importância de defender e melhorar a qualidade das escolas públicas no país. “A qualidade não é medida só pelo resultado; é pela entrega da formação do cidadão, o que nós estamos fazendo. A escola pública forma cidadania para todos e por isso estamos olhando para os mais vulnerabilizados e para fatores como as questões de gênero e raciais. Essa preocupação está na esfera pública”, celebrou.
O encontro também é transmitido ao vivo pelo canal do MEC no YouTube, com tradução simultânea em português, espanhol e Libras, sinalizando a tentativa de incluir não só gestores, mas também educadores, pesquisadores e ativistas no debate.
Dia Nacional da Alfabetização reforça importância dessa fase para o desenvolvimento da criança
Especialista em educação explica processo de aprendizagem da escrita e como pais podem perceber se há dificuldades no percurso
Michelle Gössling Cardoso
O processo de alfabetização é o período em que as crianças aprendem a ler e escrever. Ele se inicia na educação infantil, e tem continuidade nos primeiros anos do ensino fundamental. Esta é uma fase de extrema importância para o desenvolvimento da aprendizagem. Tão relevante que ganhou seu próprio dia. Hoje, 14 de novembro é comemorado o Dia Nacional da Alfabetização.
O primeiro passo no processo de alfabetização é familiarizar as crianças com o sistema de escrita, apresentando as letras do alfabeto e seus sons correspondentes. Isso é feito por meio de atividades lúdicas, como jogos, brincadeiras com rimas, músicas, escrita espontânea e histórias. O despertar do interesse das crianças pela linguagem escrita deve ser de maneira leve, prazerosa e com muito acolhimento.
À medida que as crianças vão reconhecendo as letras e seus sons, elas começam a aprender a combinar esses sons para formar palavras. Isso envolve a compreensão dos princípios fonéticos, ou seja, a relação entre os sons da fala e as letras escritas.
A importância da prática adequada
As crianças devem ser expostas a textos simples, relacionados aos projetos trabalhados em sala, sempre com temáticas que sejam do interesse e realidade delas para que a aprendizagem seja significativa. Aos poucos, elas desenvolvem a habilidade de decodificar as palavras, associando os sons às letras e lendo de forma fluente.
A compreensão do texto também é fundamental na alfabetização. O envolvimento das crianças em discussões e atividades de interação, incentivam a compreensão do significado das palavras e das frases e a interpretação do texto de forma geral.
Ao mesmo tempo em que estão aprendendo a ler, também são estimuladas a desenvolver habilidades de escrita. Começam escrevendo letras isoladas, depois palavras simples , até chegarem em frases e textos.
É muito importante ressaltar ainda que o processo de alfabetização é gradual e individual, cada criança tem seu próprio ritmo de aprendizagem e isso deve ser respeitado. Os professores desempenham um papel fundamental nesse processo, oferecendo atividades adequadas ao nível de desenvolvimento de cada aluno e fornecendo apoio e orientação individualizada. Por isso, as atividades e estratégias de ensino devem ser adaptadas de acordo com as necessidades específicas de cada um.
Como perceber se há dificuldade na aprendizagem?
Com um acompanhamento cuidadoso e individualizado, é possível identificar se comportamentos desafiadores e instabilidade socioemocional da criança são sinais de dificuldades de aprendizagem ou até mesmo o contrário, se essas dificuldades apresentadas e instabilidade não são fatores que impactam e trazem mais desafios para o processo.
Os professores e a equipe multidisciplinar das instituições devem estar atentos a esses comportamentos oferecendo o suporte adequado às crianças que estão passando por desafios. Trabalhar as necessidades socioemocionais, criando um ambiente seguro, acolhedor e em parceria com as famílias, maximiza o potencial de cada um e promove a aprendizagem, motivação, envolvimento e concentração das crianças de forma mais eficaz com um trabalho de formação integral. É preciso então que todos estejam empenhados em ajudar essas crianças a se alfabetizarem com qualidade.
Sobre a autora
Michelle Gössling Cardoso cursou Pedagogia na Universidade de Brasília e tem especialização em novas metodologias, tendências e foco no aluno na moderna educação, o fazer pedagógico bilíngue na educação infantil e em gestão escolar. Atua como coordenadora pedagógica do 1° ano no Colégio Everest Brasília.



