Categoria: Desenvolvimento Infantil
Cobertura jornalística ao longo do ano evidenciou como a primeira infância atravessa políticas públicas, educação, saúde, comportamento, direitos e o ambiente digital
Ao longo do ano, a primeira infância avançou como tema central no noticiário brasileiro. Reportagens publicadas pelo Correio Braziliense e pelo Blog da Primeira Infância abordaram desde políticas públicas estruturantes e educação infantil até desenvolvimento emocional, proteção digital e o enfrentamento da adultização precoce.
Entre decisões políticas, debates educacionais, alertas científicos e novas formas de violência, o ano escancarou que o cuidado com crianças de 0 a 6 anos não é apenas uma pauta social, mas um dos eixos centrais das escolhas que o país vem fazendo.
1. A primeira infância como alicerce para o país
Estudos e especialistas ouvidos ao longo do ano reforçaram que os primeiros anos de vida são determinantes para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Reportagens explicaram como o cérebro se forma nesse período e por que políticas voltadas à infância têm impacto direto na redução de desigualdades.
2. Primeira infância como política pública
O debate sobre a infância ganhou contornos institucionais com a implementação da Política Nacional Integrada para a Primeira Infância e discussões no Congresso. As matérias mostraram como a articulação entre saúde, educação e assistência social é fundamental para garantir direitos desde os primeiros anos.
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3. Licença-paternidade e o cuidado compartilhado
A ampliação da licença-paternidade entrou na pauta legislativa como um avanço no fortalecimento do vínculo familiar e na divisão de responsabilidades. A cobertura destacou como a presença do pai nos primeiros dias de vida impacta o desenvolvimento infantil.
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4. Creche e educação infantil: o desafio do acesso
A falta de vagas em creches seguiu como um dos principais gargalos enfrentados pelas famílias. Inaugurações de unidades, filas de espera e desigualdades regionais mostraram que o direito à educação infantil ainda não é plenamente garantido.
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5. Saúde materno-infantil e os primeiros cuidados
Temas como pré-natal, vacinação infantil e atenção básica estiveram presentes na cobertura, reforçando que cuidar da saúde das crianças começa antes do nascimento e depende de políticas públicas contínuas.
6. Choro não é birra: compreender o desenvolvimento emocional
Reportagens ajudaram a desconstruir interpretações equivocadas sobre o comportamento infantil. Especialistas explicaram que o choro é forma de comunicação e que acolher emoções faz parte do cuidado na primeira infância.
7. Combater a adultização precoce é dever coletivo
O tema da adultização ganhou destaque ao longo do ano. As reportagens mostraram como crianças vêm sendo expostas precocemente a pressões e responsabilidades incompatíveis com a idade, e apontaram o papel da escola e da sociedade na proteção do direito de viver a infância.
8. ECA Digital e a proteção da infância na internet
A atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente digital entrou na agenda como resposta aos novos riscos enfrentados por crianças e adolescentes no mundo on-line.
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9. Quando a violência acontece na tela: cyberbullying
A violência digital passou a ser tratada como uma ameaça concreta à saúde emocional das crianças. Reportagens explicaram como identificar sinais, prevenir agressões e promover educação digital.
10. A escola como espaço de proteção da infância
No especial Escolha a escola do seu filho, matérias abordaram o papel da escola como ambiente de acolhimento, respeito ao tempo da infância e promoção do desenvolvimento integral.
Reunidas, essas reportagens constroem um retrato do ano em que a primeira infância ganhou centralidade no debate público. Entre avanços, desafios persistentes e novas ameaças, a cobertura mostrou que proteger o direito de ser criança exige informação, políticas públicas e compromisso coletivo.
Em concordância com o art. 227 da Constituição Federal, a atenção dedicada ao tema ao longo do ano reafirma o compromisso do Correio Braziliense e do Blog da Primeira Infância com uma cobertura qualificada, baseada em dados, ciência e informação de interesse público, voltada à proteção de direitos e ao desenvolvimento das crianças.
46% das crianças mostram ansiedade ligada ao uso de telas, aponta pesquisa
Levantamento revela que metade das crianças apresentam sinais de sofrimento emocional ligados ao tempo de exposição digital; especialistas alertam para impacto na rotina, no sono e no vínculo familiar
Quase metade das crianças brasileiras demonstra algum nível de ansiedade, irritabilidade ou inquietação associado ao uso de telas. O dado faz parte de uma pesquisa inédita do Projeto Brief sobre adultização e uso precoce das redes sociais no país.
O estudo ouviu 1.800 pais sobre o apoio à regulamentação das redes para assegurar um ambiente digital seguro para crianças e adolescentes. O estudo revela um cenário crescente de preocupação entre as famílias: 46% das crianças apresentam comportamentos negativos relacionados ao tempo diante de celulares, tablets, computadores e televisores.
Segundo o levantamento, a ansiedade é o sintoma mais frequente, citado por 27% dos responsáveis. Outros efeitos destacados são irritabilidade (25%), dificuldade de concentração (23%) e alterações no sono (20%). Entre os cuidadores entrevistados, 70% afirmam que gostariam de reduzir o tempo de tela dos filhos, mas têm dificuldade em ajustar a rotina, especialmente diante da sobrecarga de trabalho, da falta de espaços de lazer e do apelo constante das plataformas digitais.
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A pesquisa também aponta que 60% das crianças utilizam telas para entretenimento entre uma e três horas por dia. Ou seja, acima do recomendado por especialistas em desenvolvimento infantil. Para crianças com menos de até 5 anos, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orienta um uso bastante restrito e sempre supervisionado; mesmo assim, entre os entrevistados, 30% das crianças nessa faixa etária passam mais de duas horas diárias conectadas.
O impacto no comportamento preocupa. Responsáveis relatam que, ao retirar o acesso digital, 44% das crianças apresentam resistência intensa, como choro, frustração exagerada ou reações agressivas. O estudo ainda mostra que 52% das famílias percebem piora na convivência doméstica quando o uso de telas aumenta, principalmente em períodos sem escola ou feriados prolongados.
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Para especialistas ouvidos pelo levantamento, o excesso de tempo online afeta habilidades essenciais do desenvolvimento, como interação social, autorregulação emocional e brincadeira livre — etapa considerada fundamental na primeira infância. Eles alertam para a necessidade de que a mediação adulta seja ativa, com regras claras, diálogo e estímulo a atividades fora do ambiente digital.
A pesquisa também investigou a percepção dos adultos sobre a própria relação com as telas. Mais da metade (56%) admite que o próprio uso de celular interfere no tempo de qualidade com os filhos, criando um ciclo em que adultos e crianças reproduzem comportamentos semelhantes.
Os dados reforçam um debate urgente: como equilibrar tecnologia e infância em um país onde a conectividade é parte central da vida cotidiana? Para os especialistas, o ponto não é proibir o acesso, mas construir hábitos saudáveis que priorizem o brincar, o descanso, a convivência e a segurança emocional.



