Animação infantil apoiada pela Lei Paulo Gustavo vira sucesso na web

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Produção de São José dos Pinhais recebeu R$ 39 mil e já ultrapassa 42 mil visualizações no YouTube

O média-metragem de animação “Pruca – A Menina Jacaré” se tornou um sucesso nas plataformas digitais ao ultrapassar a marca de mais de 42 mil visualizações no YouTube, desde que foi disponibilizado em novembro de 2025, segundo dados da produção. (assista abaixo)

Produzido em São José dos Pinhais (PR), o filme infantil foi realizado com o apoio financeiro da Lei Paulo Gustavo (LPG). Por meio de um edital municipal, foram destinados R$ 39 mil para o projeto. A verba foi considerada essencial pela equipe para transformar a ideia em produto audiovisual.

A história se inicia quando uma menina que se recusa a arrumar o quarto é transformada em jacaré por uma bruxa. Para recuperar sua forma humana, a personagem embarca numa jornada pela Mata Atlântica, vivenciando encontros com espécies como mico-leão dourado, sapo-cururu e uma mariposa, além de “vilões” representados por cobra e aranha. Todos os personagens inspirados em animais reais do bioma.

Segundo Ravena Bianca Vargas, produtora audiovisual e uma das responsáveis pelo projeto no Abluba Estúdio de Animação e Vídeo, o enredo foi pensado para combinar diversão com mensagens pedagógicas sobre responsabilidade, respeito ao meio ambiente e cuidado com os seres vivos.

“Queríamos conscientizar o público infantil de que organização vai além de apenas arrumar coisas: trata-se de cuidar de si e das pessoas à sua volta. A Mata Atlântica serve como pano de fundo perfeito para falar sobre biodiversidade e preservação”, explicou Ravena. 

A equipe afirmou que a recepção da animação na internet superou as expectativas iniciais. A estratégia de lançamento no canal do YouTube da produção, que já tem alcance consolidado, permitiu que o filme chegasse a diversas regiões do Brasil, muito além do público local de São José dos Pinhais.

“Prevíamos algo em torno de 10 mil visualizações, com foco sobretudo na região. Mas a Pruca se mostrou uma personagem carismática que gerou identificação nacional”, destacou Ravena.

Contrapartida social

Antes de sua divulgação online, a animação foi exibida em casas de acolhimento e ONGs do Paraná, com sessões voltadas para crianças em situação de vulnerabilidade. As exibições contaram com acessibilidade completa, incluindo Libras (Língua Brasileira de Sinais) e legendas, seguidas de bate-papos com o público infantil, o que, segundo a equipe, proporcionou experiências marcantes e feedback direto das crianças.

Para Loana Campos, coordenadora do Escritório Estadual do Ministério da Cultura no Paraná, a Lei Paulo Gustavo foi fundamental para fomentar o setor audiovisual no estado e dar visibilidade a produções locais. Segundo ela, o Paraná recebeu mais de R$ 203 milhões repassados pelo Ministério da Cultura às prefeituras e ao governo estadual.

“A Lei Paulo Gustavo tem sido essencial para descentralizar o fomento cultural, permitindo que talentos fora dos grandes centros desenvolvam e compartilhem suas obras. O sucesso de Pruca – A Menina Jacaré é um exemplo claro do impacto positivo desses investimentos”, afirmou Campos.

Retrospectiva: infância no centro do debate em 2025

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Cobertura jornalística ao longo do ano evidenciou como a primeira infância atravessa políticas públicas, educação, saúde, comportamento, direitos e o ambiente digital

Ao longo do ano, a primeira infância avançou como tema central no noticiário brasileiro. Reportagens publicadas pelo Correio Braziliense e pelo Blog da Primeira Infância abordaram desde políticas públicas estruturantes e educação infantil até desenvolvimento emocional, proteção digital e o enfrentamento da adultização precoce. 

Entre decisões políticas, debates educacionais, alertas científicos e novas formas de violência, o ano escancarou que o cuidado com crianças de 0 a 6 anos não é apenas uma pauta social, mas um dos eixos centrais das escolhas que o país vem fazendo.

1. A primeira infância como alicerce para o país

Estudos e especialistas ouvidos ao longo do ano reforçaram que os primeiros anos de vida são determinantes para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Reportagens explicaram como o cérebro se forma nesse período e por que políticas voltadas à infância têm impacto direto na redução de desigualdades.

2. Primeira infância como política pública

O debate sobre a infância ganhou contornos institucionais com a implementação da Política Nacional Integrada para a Primeira Infância e discussões no Congresso. As matérias mostraram como a articulação entre saúde, educação e assistência social é fundamental para garantir direitos desde os primeiros anos.

3. Licença-paternidade e o cuidado compartilhado

A ampliação da licença-paternidade entrou na pauta legislativa como um avanço no fortalecimento do vínculo familiar e na divisão de responsabilidades. A cobertura destacou como a presença do pai nos primeiros dias de vida impacta o desenvolvimento infantil.

4. Creche e educação infantil: o desafio do acesso

A falta de vagas em creches seguiu como um dos principais gargalos enfrentados pelas famílias. Inaugurações de unidades, filas de espera e desigualdades regionais mostraram que o direito à educação infantil ainda não é plenamente garantido.

5. Saúde materno-infantil e os primeiros cuidados

Temas como pré-natal, vacinação infantil e atenção básica estiveram presentes na cobertura, reforçando que cuidar da saúde das crianças começa antes do nascimento e depende de políticas públicas contínuas.

6. Choro não é birra: compreender o desenvolvimento emocional

Reportagens ajudaram a desconstruir interpretações equivocadas sobre o comportamento infantil. Especialistas explicaram que o choro é forma de comunicação e que acolher emoções faz parte do cuidado na primeira infância.

7. Combater a adultização precoce é dever coletivo

O tema da adultização ganhou destaque ao longo do ano. As reportagens mostraram como crianças vêm sendo expostas precocemente a pressões e responsabilidades incompatíveis com a idade, e apontaram o papel da escola e da sociedade na proteção do direito de viver a infância.

8. ECA Digital e a proteção da infância na internet

A atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente digital entrou na agenda como resposta aos novos riscos enfrentados por crianças e adolescentes no mundo on-line.

9. Quando a violência acontece na tela: cyberbullying

A violência digital passou a ser tratada como uma ameaça concreta à saúde emocional das crianças. Reportagens explicaram como identificar sinais, prevenir agressões e promover educação digital.

10. A escola como espaço de proteção da infância

No especial Escolha a escola do seu filho, matérias abordaram o papel da escola como ambiente de acolhimento, respeito ao tempo da infância e promoção do desenvolvimento integral.

Reunidas, essas reportagens constroem um retrato do ano em que a primeira infância ganhou centralidade no debate público. Entre avanços, desafios persistentes e novas ameaças, a cobertura mostrou que proteger o direito de ser criança exige informação, políticas públicas e compromisso coletivo. 

Em concordância com o art. 227 da Constituição Federal, a atenção dedicada ao tema ao longo do ano reafirma o compromisso do Correio Braziliense e do Blog da Primeira Infância com uma cobertura qualificada, baseada em dados, ciência e informação de interesse público, voltada à proteção de direitos e ao desenvolvimento das crianças.

46% das crianças mostram ansiedade ligada ao uso de telas, aponta pesquisa

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Levantamento revela que metade das crianças apresentam sinais de sofrimento emocional ligados ao tempo de exposição digital; especialistas alertam para impacto na rotina, no sono e no vínculo familiar

Quase metade das crianças brasileiras demonstra algum nível de ansiedade, irritabilidade ou inquietação associado ao uso de telas. O dado faz parte de uma pesquisa inédita do Projeto Brief sobre adultização e uso precoce das redes sociais no país.

O estudo ouviu 1.800 pais sobre o apoio à regulamentação das redes para assegurar um ambiente digital seguro para crianças e adolescentes. O estudo revela um cenário crescente de preocupação entre as famílias: 46% das crianças apresentam comportamentos negativos relacionados ao tempo diante de celulares, tablets, computadores e televisores.

Segundo o levantamento, a ansiedade é o sintoma mais frequente, citado por 27% dos responsáveis. Outros efeitos destacados são irritabilidade (25%), dificuldade de concentração (23%) e alterações no sono (20%). Entre os cuidadores entrevistados, 70% afirmam que gostariam de reduzir o tempo de tela dos filhos, mas têm dificuldade em ajustar a rotina, especialmente diante da sobrecarga de trabalho, da falta de espaços de lazer e do apelo constante das plataformas digitais.

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A pesquisa também aponta que 60% das crianças utilizam telas para entretenimento entre uma e três horas por dia. Ou seja, acima do recomendado por especialistas em desenvolvimento infantil. Para crianças com menos de até 5 anos, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orienta um uso bastante restrito e sempre supervisionado; mesmo assim, entre os entrevistados, 30% das crianças nessa faixa etária passam mais de duas horas diárias conectadas.

O impacto no comportamento preocupa. Responsáveis relatam que, ao retirar o acesso digital, 44% das crianças apresentam resistência intensa, como choro, frustração exagerada ou reações agressivas. O estudo ainda mostra que 52% das famílias percebem piora na convivência doméstica quando o uso de telas aumenta, principalmente em períodos sem escola ou feriados prolongados.

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Para especialistas ouvidos pelo levantamento, o excesso de tempo online afeta habilidades essenciais do desenvolvimento, como interação social, autorregulação emocional e brincadeira livre — etapa considerada fundamental na primeira infância. Eles alertam para a necessidade de que a mediação adulta seja ativa, com regras claras, diálogo e estímulo a atividades fora do ambiente digital.

A pesquisa também investigou a percepção dos adultos sobre a própria relação com as telas. Mais da metade (56%) admite que o próprio uso de celular interfere no tempo de qualidade com os filhos, criando um ciclo em que adultos e crianças reproduzem comportamentos semelhantes.

Os dados reforçam um debate urgente: como equilibrar tecnologia e infância em um país onde a conectividade é parte central da vida cotidiana? Para os especialistas, o ponto não é proibir o acesso, mas construir hábitos saudáveis que priorizem o brincar, o descanso, a convivência e a segurança emocional.