Crianças estão falando mais tarde? Veja os sinais de alerta

Publicado em Deixe um comentárioDesenvolvimento Infantil, Sem categoria

Estudos científicos apontam associação entre excesso de telas e atrasos na linguagem; especialistas explicam sinais de alerta e como estimular a comunicação na primeira infância

Nos primeiros anos de vida, cada som emitido por um bebê é parte de um processo complexo de descoberta do mundo. Balbucios, risadas e as primeiras palavras são marcos importantes do desenvolvimento infantil. Mas muitos pais têm se perguntado se as crianças estão demorando mais para falar  e o que pode estar por trás disso.

Pesquisas recentes têm buscado compreender os fatores que influenciam o desenvolvimento da linguagem na infância. Um estudo publicado na revista científica JAMA Pediatrics encontrou associação entre maior tempo de exposição a telas aos 12 meses e atrasos na comunicação aos 2 e 4 anos. Outros trabalhos científicos também apontam relações entre o uso frequente de dispositivos digitais e dificuldades na linguagem expressiva em crianças pequenas.

Por esse motivo, a Academia Americana de Pediatria recomenda evitar o uso de telas antes dos 18 meses de idade  (com exceção de videochamadas com familiares).

Apesar da preocupação crescente entre famílias, especialistas alertam que ainda não há evidências científicas suficientes para afirmar que houve um aumento real de casos de atraso de fala.

“Ainda não temos dados científicos consistentes para dizer que houve um aumento nos casos. O que sabemos é que hoje os pais têm mais acesso à informação e procuram avaliação mais cedo quando percebem algo diferente no desenvolvimento da criança”, explica a fonoaudióloga Fernanda Lobo, da Afeto Desenvolvimento Infantil.

Segundo ela, esse movimento de maior conscientização tem levado mais famílias aos consultórios, especialmente nos primeiros anos de vida.

Como a linguagem se desenvolve

O desenvolvimento da linguagem começa muito antes das primeiras palavras. Já nos primeiros meses de vida, o bebê se comunica por meio de sons, choro e expressões.

Entre 4 e 6 meses, surgem vocalizações repetitivas, como “aaaa” e “oooo”.
Entre 7 e 11 meses, aparecem os balbucios com sílabas — “bada”, “dadá”, “mamã” — e gestos comunicativos, como apontar ou dar tchau.

Por volta de 1 ano, a criança costuma falar as primeiras palavras e compreender ordens simples.
Aos 2 anos, o vocabulário pode chegar a cerca de 50 a 200 palavras, com frases curtas.
Aos 3 anos, a fala já é compreendida pela maioria das pessoas ao redor.

Segundo Isabela Alberto, da Afeto Desenvolvimento Infantil, observar esses marcos é fundamental. “Os marcos do desenvolvimento são bem definidos pela pediatria. Quando há atraso nas aquisições esperadas para determinada fase, é importante investigar”, afirma.

O papel das telas no desenvolvimento da fala

Nos últimos anos, a presença de celulares, tablets e televisão se tornou constante na rotina de muitas famílias. Diversos estudos investigam como essa exposição pode impactar o desenvolvimento infantil.

Pesquisas científicas indicam que o problema não está apenas no conteúdo das telas, mas também no fato de que elas podem substituir momentos essenciais de interação.

“O desenvolvimento da linguagem acontece principalmente por meio da interação social. A criança precisa ouvir a fala dirigida a ela, observar expressões faciais, participar de trocas de comunicação e brincar”, explica a especialista.

Quando o tempo de interação é substituído por dispositivos digitais, essas oportunidades de aprendizado podem diminuir. “Brincadeiras simbólicas, contato visual e conversas estimulam habilidades fundamentais para a comunicação. Quando esse tempo é reduzido, o desenvolvimento da linguagem pode ser prejudicado”.

Atraso de fala nem sempre indica transtorno

Apesar da preocupação comum entre pais, especialistas reforçam que atraso de fala nem sempre está relacionado a um transtorno do desenvolvimento.

É importante diferenciar fala e linguagem. A fala está ligada à pronúncia correta dos sons. Já a linguagem envolve compreensão e expressão — ou seja, a capacidade de entender e se comunicar.

“Atrasos na fala podem ter diferentes causas, como ambiente com pouca interação verbal, dificuldades auditivas, questões musculares ou outros fatores do desenvolvimento”, explica Fernanda. Por isso, a avaliação profissional é essencial quando surgem sinais de alerta.

Interação é o principal estímulo para a linguagem

Embora não exista fórmula mágica para estimular a fala, práticas simples do cotidiano fazem grande diferença no desenvolvimento infantil. Conversar com a criança durante as atividades diárias, narrar acontecimentos, ler livros e brincar são estratégias importantes para ampliar o vocabulário e incentivar a comunicação.

“A imitação é uma das principais formas de aprendizagem na infância. Quando os adultos conversam, leem histórias e brincam com a criança, estão oferecendo modelos de linguagem que ela aprende a reproduzir”, explica Isabela.

Ela destaca que o mais importante não é o brinquedo em si, mas a interação de qualidade entre adulto e criança. “Não precisa ser o brinquedo mais caro. O fundamental é a troca, o diálogo, o olhar compartilhado e o tempo de atenção dedicado à criança”.

Animação infantil apoiada pela Lei Paulo Gustavo vira sucesso na web

Publicado em Deixe um comentárioDesenvolvimento Infantil, Diversão

Produção de São José dos Pinhais recebeu R$ 39 mil e já ultrapassa 42 mil visualizações no YouTube

O média-metragem de animação “Pruca – A Menina Jacaré” se tornou um sucesso nas plataformas digitais ao ultrapassar a marca de mais de 42 mil visualizações no YouTube, desde que foi disponibilizado em novembro de 2025, segundo dados da produção. (assista abaixo)

Produzido em São José dos Pinhais (PR), o filme infantil foi realizado com o apoio financeiro da Lei Paulo Gustavo (LPG). Por meio de um edital municipal, foram destinados R$ 39 mil para o projeto. A verba foi considerada essencial pela equipe para transformar a ideia em produto audiovisual.

A história se inicia quando uma menina que se recusa a arrumar o quarto é transformada em jacaré por uma bruxa. Para recuperar sua forma humana, a personagem embarca numa jornada pela Mata Atlântica, vivenciando encontros com espécies como mico-leão dourado, sapo-cururu e uma mariposa, além de “vilões” representados por cobra e aranha. Todos os personagens inspirados em animais reais do bioma.

Segundo Ravena Bianca Vargas, produtora audiovisual e uma das responsáveis pelo projeto no Abluba Estúdio de Animação e Vídeo, o enredo foi pensado para combinar diversão com mensagens pedagógicas sobre responsabilidade, respeito ao meio ambiente e cuidado com os seres vivos.

“Queríamos conscientizar o público infantil de que organização vai além de apenas arrumar coisas: trata-se de cuidar de si e das pessoas à sua volta. A Mata Atlântica serve como pano de fundo perfeito para falar sobre biodiversidade e preservação”, explicou Ravena. 

A equipe afirmou que a recepção da animação na internet superou as expectativas iniciais. A estratégia de lançamento no canal do YouTube da produção, que já tem alcance consolidado, permitiu que o filme chegasse a diversas regiões do Brasil, muito além do público local de São José dos Pinhais.

“Prevíamos algo em torno de 10 mil visualizações, com foco sobretudo na região. Mas a Pruca se mostrou uma personagem carismática que gerou identificação nacional”, destacou Ravena.

Contrapartida social

Antes de sua divulgação online, a animação foi exibida em casas de acolhimento e ONGs do Paraná, com sessões voltadas para crianças em situação de vulnerabilidade. As exibições contaram com acessibilidade completa, incluindo Libras (Língua Brasileira de Sinais) e legendas, seguidas de bate-papos com o público infantil, o que, segundo a equipe, proporcionou experiências marcantes e feedback direto das crianças.

Para Loana Campos, coordenadora do Escritório Estadual do Ministério da Cultura no Paraná, a Lei Paulo Gustavo foi fundamental para fomentar o setor audiovisual no estado e dar visibilidade a produções locais. Segundo ela, o Paraná recebeu mais de R$ 203 milhões repassados pelo Ministério da Cultura às prefeituras e ao governo estadual.

“A Lei Paulo Gustavo tem sido essencial para descentralizar o fomento cultural, permitindo que talentos fora dos grandes centros desenvolvam e compartilhem suas obras. O sucesso de Pruca – A Menina Jacaré é um exemplo claro do impacto positivo desses investimentos”, afirmou Campos.

Retrospectiva: infância no centro do debate em 2025

Publicado em Deixe um comentárioDesenvolvimento Infantil

Cobertura jornalística ao longo do ano evidenciou como a primeira infância atravessa políticas públicas, educação, saúde, comportamento, direitos e o ambiente digital

Ao longo do ano, a primeira infância avançou como tema central no noticiário brasileiro. Reportagens publicadas pelo Correio Braziliense e pelo Blog da Primeira Infância abordaram desde políticas públicas estruturantes e educação infantil até desenvolvimento emocional, proteção digital e o enfrentamento da adultização precoce. 

Entre decisões políticas, debates educacionais, alertas científicos e novas formas de violência, o ano escancarou que o cuidado com crianças de 0 a 6 anos não é apenas uma pauta social, mas um dos eixos centrais das escolhas que o país vem fazendo.

1. A primeira infância como alicerce para o país

Estudos e especialistas ouvidos ao longo do ano reforçaram que os primeiros anos de vida são determinantes para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Reportagens explicaram como o cérebro se forma nesse período e por que políticas voltadas à infância têm impacto direto na redução de desigualdades.

2. Primeira infância como política pública

O debate sobre a infância ganhou contornos institucionais com a implementação da Política Nacional Integrada para a Primeira Infância e discussões no Congresso. As matérias mostraram como a articulação entre saúde, educação e assistência social é fundamental para garantir direitos desde os primeiros anos.

3. Licença-paternidade e o cuidado compartilhado

A ampliação da licença-paternidade entrou na pauta legislativa como um avanço no fortalecimento do vínculo familiar e na divisão de responsabilidades. A cobertura destacou como a presença do pai nos primeiros dias de vida impacta o desenvolvimento infantil.

4. Creche e educação infantil: o desafio do acesso

A falta de vagas em creches seguiu como um dos principais gargalos enfrentados pelas famílias. Inaugurações de unidades, filas de espera e desigualdades regionais mostraram que o direito à educação infantil ainda não é plenamente garantido.

5. Saúde materno-infantil e os primeiros cuidados

Temas como pré-natal, vacinação infantil e atenção básica estiveram presentes na cobertura, reforçando que cuidar da saúde das crianças começa antes do nascimento e depende de políticas públicas contínuas.

6. Choro não é birra: compreender o desenvolvimento emocional

Reportagens ajudaram a desconstruir interpretações equivocadas sobre o comportamento infantil. Especialistas explicaram que o choro é forma de comunicação e que acolher emoções faz parte do cuidado na primeira infância.

7. Combater a adultização precoce é dever coletivo

O tema da adultização ganhou destaque ao longo do ano. As reportagens mostraram como crianças vêm sendo expostas precocemente a pressões e responsabilidades incompatíveis com a idade, e apontaram o papel da escola e da sociedade na proteção do direito de viver a infância.

8. ECA Digital e a proteção da infância na internet

A atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente digital entrou na agenda como resposta aos novos riscos enfrentados por crianças e adolescentes no mundo on-line.

9. Quando a violência acontece na tela: cyberbullying

A violência digital passou a ser tratada como uma ameaça concreta à saúde emocional das crianças. Reportagens explicaram como identificar sinais, prevenir agressões e promover educação digital.

10. A escola como espaço de proteção da infância

No especial Escolha a escola do seu filho, matérias abordaram o papel da escola como ambiente de acolhimento, respeito ao tempo da infância e promoção do desenvolvimento integral.

Reunidas, essas reportagens constroem um retrato do ano em que a primeira infância ganhou centralidade no debate público. Entre avanços, desafios persistentes e novas ameaças, a cobertura mostrou que proteger o direito de ser criança exige informação, políticas públicas e compromisso coletivo. 

Em concordância com o art. 227 da Constituição Federal, a atenção dedicada ao tema ao longo do ano reafirma o compromisso do Correio Braziliense e do Blog da Primeira Infância com uma cobertura qualificada, baseada em dados, ciência e informação de interesse público, voltada à proteção de direitos e ao desenvolvimento das crianças.

46% das crianças mostram ansiedade ligada ao uso de telas, aponta pesquisa

Publicado em Deixe um comentárioDesenvolvimento Infantil

Levantamento revela que metade das crianças apresentam sinais de sofrimento emocional ligados ao tempo de exposição digital; especialistas alertam para impacto na rotina, no sono e no vínculo familiar

Quase metade das crianças brasileiras demonstra algum nível de ansiedade, irritabilidade ou inquietação associado ao uso de telas. O dado faz parte de uma pesquisa inédita do Projeto Brief sobre adultização e uso precoce das redes sociais no país.

O estudo ouviu 1.800 pais sobre o apoio à regulamentação das redes para assegurar um ambiente digital seguro para crianças e adolescentes. O estudo revela um cenário crescente de preocupação entre as famílias: 46% das crianças apresentam comportamentos negativos relacionados ao tempo diante de celulares, tablets, computadores e televisores.

Segundo o levantamento, a ansiedade é o sintoma mais frequente, citado por 27% dos responsáveis. Outros efeitos destacados são irritabilidade (25%), dificuldade de concentração (23%) e alterações no sono (20%). Entre os cuidadores entrevistados, 70% afirmam que gostariam de reduzir o tempo de tela dos filhos, mas têm dificuldade em ajustar a rotina, especialmente diante da sobrecarga de trabalho, da falta de espaços de lazer e do apelo constante das plataformas digitais.

Leia também: Dezembro Dourado: diagnóstico precoce evita 80% dos casos de cegueira infantil

A pesquisa também aponta que 60% das crianças utilizam telas para entretenimento entre uma e três horas por dia. Ou seja, acima do recomendado por especialistas em desenvolvimento infantil. Para crianças com menos de até 5 anos, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orienta um uso bastante restrito e sempre supervisionado; mesmo assim, entre os entrevistados, 30% das crianças nessa faixa etária passam mais de duas horas diárias conectadas.

O impacto no comportamento preocupa. Responsáveis relatam que, ao retirar o acesso digital, 44% das crianças apresentam resistência intensa, como choro, frustração exagerada ou reações agressivas. O estudo ainda mostra que 52% das famílias percebem piora na convivência doméstica quando o uso de telas aumenta, principalmente em períodos sem escola ou feriados prolongados.

Leia também: Crianças exaustas: rotina cheia e pouco sono elevam fadiga infantil

Para especialistas ouvidos pelo levantamento, o excesso de tempo online afeta habilidades essenciais do desenvolvimento, como interação social, autorregulação emocional e brincadeira livre — etapa considerada fundamental na primeira infância. Eles alertam para a necessidade de que a mediação adulta seja ativa, com regras claras, diálogo e estímulo a atividades fora do ambiente digital.

A pesquisa também investigou a percepção dos adultos sobre a própria relação com as telas. Mais da metade (56%) admite que o próprio uso de celular interfere no tempo de qualidade com os filhos, criando um ciclo em que adultos e crianças reproduzem comportamentos semelhantes.

Os dados reforçam um debate urgente: como equilibrar tecnologia e infância em um país onde a conectividade é parte central da vida cotidiana? Para os especialistas, o ponto não é proibir o acesso, mas construir hábitos saudáveis que priorizem o brincar, o descanso, a convivência e a segurança emocional.