Projeto estende salário-maternidade a avós e irmãos em caso de morte da mãe

Publicado em Deixe um comentárioPolítica de Cuidado

Proposta em análise na Câmara amplia o benefício para familiares que assumirem a guarda da criança; hoje, regra prioriza cônjuge ou companheiro

Um Projeto de Lei prevê a ampliação do salário-maternidade para avós, bisavós e irmãos com mais de 18 anos que assumirem a responsabilidade por uma criança após a morte da mãe. A proposta está em análise na Câmara dos Deputados e busca adaptar a legislação à realidade de famílias brasileiras, especialmente as monoparentais. 

Atualmente, a legislação permite a transferência do benefício apenas ao cônjuge ou companheiro sobrevivente. Com a mudança, o direito poderá ser estendido a outros familiares próximos, desde que tenham a guarda, tutela ou curatela reconhecida judicialmente. 

Pelo texto, o pagamento seguirá o período restante a que a mãe teria direito originalmente. O benefício não poderá ser acumulado: apenas um responsável poderá recebê-lo. O valor deverá ser depositado, preferencialmente, em conta bancária do titular da guarda da criança.

De acordo com o autor da proposta, deputado Duda Ramos (MDB-RR), a ausência de previsão legal específica tem gerado insegurança jurídica e dificultado o acesso ao benefício em situações de vulnerabilidade. “A falta de previsão legal expressa dificulta o acesso ao benefício, obrigando familiares a recorrerem à Justiça”, afirmou. 

Segundo o parlamentar, é comum que, na ausência da mãe e de um cônjuge, a responsabilidade pela criança recaia imediatamente sobre avós ou irmãos mais velhos. A proposta busca garantir proteção financeira ao recém-nascido nesse momento crítico, evitando burocracia e assegurando condições mínimas de subsistência. 

O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, ainda precisa ser aprovado pela Câmara e senado

Ganho de peso acelerado em bebês aumenta risco de obesidade e diabetes

Publicado em Deixe um comentárioSaúde, Sem categoria

Estudo brasileiro mostra que o ritmo de ganho de peso nos primeiros anos de vida pode influenciar o desenvolvimento de doenças metabólicas no futuro

A velocidade com que um bebê ganha peso nos primeiros dois anos de vida pode influenciar diretamente o risco de desenvolver sobrepeso e obesidade na infância. É o que aponta um estudo brasileiro publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas, que analisou a trajetória de crescimento de aproximadamente 1,7 milhão de crianças.

A pesquisa identificou que crianças que apresentaram ganho de peso acelerado até os 2 anos tiveram trajetórias médias de Índice de Massa Corporal (IMC) mais altas entre os 3 e os 9 anos. Nesse grupo, a prevalência de sobrepeso chegou a 18,62% e a de obesidade a 6,77%, índices superiores aos observados em crianças sem esse padrão de crescimento.

Já se sabe que os chamados primeiros mil dias de vida (período que vai da gestação até os 2 anos) são considerado decisivo para a saúde metabólica. É nessa fase que ocorre a chamada programação metabólica, quando o organismo define parte dos mecanismos que regulam o metabolismo, o apetite e o armazenamento de gordura.

“Durante essa fase, o organismo é extremamente sensível a influências ambientais que podem ‘programar’ trajetórias metabólicas para toda a vida, estabelecendo o número e tamanho das células adiposas que persistirão na idade adulta”, explica a endocrinopediatra Jéssica França, do Hospital Municipal Iris Rezende Machado (HMAP), em Aparecida de Goiânia, unidade pública em Goiás gerida pelo Einstein Hospital Israelita.

Segundo a especialista, quando o ganho de peso ocorre de forma acelerada, o organismo pode sofrer alterações metabólicas precoces. “A longo prazo, essas crianças apresentam maior risco de diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e obesidade persistente na adolescência e vida adulta”, alerta.

Além disso, o crescimento acelerado pode afetar o funcionamento do tecido adiposo. “O tecido adiposo formado rapidamente tende a ser menos eficiente, contribuindo para um estado de inflamação crônica de baixo grau”, afirma França.

O estudo também observou que a relação entre ganho rápido de peso e IMC elevado no futuro ocorre independentemente do peso ao nascer. Ainda assim, o risco é maior em bebês que nascem com macrossomia — peso superior a 4 quilos.

“Bebês macrossômicos já nascem com maior número de células adiposas e possível resistência à insulina herdada do ambiente intrauterino. Quando esse perfil se combina com ganho rápido pós-natal, ocorre uma sobrecarga do sistema metabólico ainda imaturo”, detalha a endocrinopediatra.

Por outro lado, bebês que nascem com baixo peso também exigem acompanhamento cuidadoso. Segundo os pesquisadores, a recuperação de peso deve acontecer de forma gradual, ao longo de seis a 24 meses, respeitando o potencial genético da criança e priorizando a qualidade nutricional.

O alerta ocorre em um cenário de crescimento da obesidade infantil no país. Dados do Panorama da Obesidade em Crianças e Adolescentes, com base no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), indicam que 32 em cada 100 crianças brasileiras entre 0 e 9 anos já apresentam excesso de peso, incluindo sobrepeso, obesidade ou obesidade grave.

Mantida a tendência atual, metade das crianças e adolescentes do país poderá estar acima do peso até 2035, segundo projeção da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Especialistas destacam que a prevenção começa cedo. Entre as medidas recomendadas estão o incentivo ao aleitamento materno exclusivo até os seis meses e, após esse período, a introdução alimentar baseada em alimentos in natura, evitando açúcar, excesso de sódio e produtos ultraprocessados.

Rotinas adequadas de sono, estímulo à atividade física e o respeito aos sinais de fome e saciedade do bebê também fazem parte das estratégias de prevenção. “Para famílias em vulnerabilidade social, programas de acompanhamento nutricional e educação alimentar, seja na escola ou na Unidade Básica de Saúde, podem ser fundamentais para quebrar ciclos que levam tanto à desnutrição quanto ao sobrepeso”, afirma Jéssica.

Para a médica, o acompanhamento contínuo durante a primeira infância é essencial para identificar sinais de risco. “Por meio do monitoramento sistemático das curvas de crescimento, educação alimentar continuada e detecção precoce de desvios, é possível prevenir padrões metabólicos adversos que só se manifestariam décadas depois”, conclui.

Com informações da Agência Einstein*

Crianças estão falando mais tarde? Veja os sinais de alerta

Publicado em Deixe um comentárioDesenvolvimento Infantil, Sem categoria

Estudos científicos apontam associação entre excesso de telas e atrasos na linguagem; especialistas explicam sinais de alerta e como estimular a comunicação na primeira infância

Nos primeiros anos de vida, cada som emitido por um bebê é parte de um processo complexo de descoberta do mundo. Balbucios, risadas e as primeiras palavras são marcos importantes do desenvolvimento infantil. Mas muitos pais têm se perguntado se as crianças estão demorando mais para falar  e o que pode estar por trás disso.

Pesquisas recentes têm buscado compreender os fatores que influenciam o desenvolvimento da linguagem na infância. Um estudo publicado na revista científica JAMA Pediatrics encontrou associação entre maior tempo de exposição a telas aos 12 meses e atrasos na comunicação aos 2 e 4 anos. Outros trabalhos científicos também apontam relações entre o uso frequente de dispositivos digitais e dificuldades na linguagem expressiva em crianças pequenas.

Por esse motivo, a Academia Americana de Pediatria recomenda evitar o uso de telas antes dos 18 meses de idade  (com exceção de videochamadas com familiares).

Apesar da preocupação crescente entre famílias, especialistas alertam que ainda não há evidências científicas suficientes para afirmar que houve um aumento real de casos de atraso de fala.

“Ainda não temos dados científicos consistentes para dizer que houve um aumento nos casos. O que sabemos é que hoje os pais têm mais acesso à informação e procuram avaliação mais cedo quando percebem algo diferente no desenvolvimento da criança”, explica a fonoaudióloga Fernanda Lobo, da Afeto Desenvolvimento Infantil.

Segundo ela, esse movimento de maior conscientização tem levado mais famílias aos consultórios, especialmente nos primeiros anos de vida.

Como a linguagem se desenvolve

O desenvolvimento da linguagem começa muito antes das primeiras palavras. Já nos primeiros meses de vida, o bebê se comunica por meio de sons, choro e expressões.

Entre 4 e 6 meses, surgem vocalizações repetitivas, como “aaaa” e “oooo”.
Entre 7 e 11 meses, aparecem os balbucios com sílabas — “bada”, “dadá”, “mamã” — e gestos comunicativos, como apontar ou dar tchau.

Por volta de 1 ano, a criança costuma falar as primeiras palavras e compreender ordens simples.
Aos 2 anos, o vocabulário pode chegar a cerca de 50 a 200 palavras, com frases curtas.
Aos 3 anos, a fala já é compreendida pela maioria das pessoas ao redor.

Segundo Isabela Alberto, da Afeto Desenvolvimento Infantil, observar esses marcos é fundamental. “Os marcos do desenvolvimento são bem definidos pela pediatria. Quando há atraso nas aquisições esperadas para determinada fase, é importante investigar”, afirma.

O papel das telas no desenvolvimento da fala

Nos últimos anos, a presença de celulares, tablets e televisão se tornou constante na rotina de muitas famílias. Diversos estudos investigam como essa exposição pode impactar o desenvolvimento infantil.

Pesquisas científicas indicam que o problema não está apenas no conteúdo das telas, mas também no fato de que elas podem substituir momentos essenciais de interação.

“O desenvolvimento da linguagem acontece principalmente por meio da interação social. A criança precisa ouvir a fala dirigida a ela, observar expressões faciais, participar de trocas de comunicação e brincar”, explica a especialista.

Quando o tempo de interação é substituído por dispositivos digitais, essas oportunidades de aprendizado podem diminuir. “Brincadeiras simbólicas, contato visual e conversas estimulam habilidades fundamentais para a comunicação. Quando esse tempo é reduzido, o desenvolvimento da linguagem pode ser prejudicado”.

Atraso de fala nem sempre indica transtorno

Apesar da preocupação comum entre pais, especialistas reforçam que atraso de fala nem sempre está relacionado a um transtorno do desenvolvimento.

É importante diferenciar fala e linguagem. A fala está ligada à pronúncia correta dos sons. Já a linguagem envolve compreensão e expressão — ou seja, a capacidade de entender e se comunicar.

“Atrasos na fala podem ter diferentes causas, como ambiente com pouca interação verbal, dificuldades auditivas, questões musculares ou outros fatores do desenvolvimento”, explica Fernanda. Por isso, a avaliação profissional é essencial quando surgem sinais de alerta.

Interação é o principal estímulo para a linguagem

Embora não exista fórmula mágica para estimular a fala, práticas simples do cotidiano fazem grande diferença no desenvolvimento infantil. Conversar com a criança durante as atividades diárias, narrar acontecimentos, ler livros e brincar são estratégias importantes para ampliar o vocabulário e incentivar a comunicação.

“A imitação é uma das principais formas de aprendizagem na infância. Quando os adultos conversam, leem histórias e brincam com a criança, estão oferecendo modelos de linguagem que ela aprende a reproduzir”, explica Isabela.

Ela destaca que o mais importante não é o brinquedo em si, mas a interação de qualidade entre adulto e criança. “Não precisa ser o brinquedo mais caro. O fundamental é a troca, o diálogo, o olhar compartilhado e o tempo de atenção dedicado à criança”.

Ruth Rocha será tema-enredo da Mancha Verde no Carnaval 2027

Publicado em Deixe um comentárioDiversão, Educação Infantil

Educadora terá trajetória celebrada no Sambódromo do Anhembi; escola quer destacar a literatura como instrumento de transformação social

A educadora e escritora brasileira Ruth Rocha, uma das maiores referências da literatura infantil no país, será o tema-enredo da escola de samba Mancha Verde no Carnaval de 2027. O anúncio foi feito no último dia 2 de março, dia em que a autora completou 95 anos, celebrando uma trajetória dedicada à formação de leitores e à valorização da infância.

A proposta da escola é transformar o desfile em uma celebração da literatura infantil como ferramenta de transformação social. Ao escolher Ruth Rocha como tema central, a Mancha Verde pretende destacar o papel da leitura na formação cultural do país e lembrar que a infância é um período decisivo para o desenvolvimento intelectual, emocional e social.

Com mais de 200 livros publicados, Ruth Rocha construiu uma carreira marcada pela defesa da educação e da autonomia das crianças. Obras como Marcelo, Marmelo, Martelo e O Reizinho Mandão tornaram-se clássicos da literatura brasileira e ajudaram a formar gerações de leitores desde a década de 1970. Conhecidos pela linguagem acessível e pela abordagem crítica de temas sociais, os textos de Ruth foram traduzidos para diversos idiomas e adotados em escolas de todo o país.

Segundo a escola de samba, levar a trajetória da escritora para o Carnaval também é uma forma de chamar atenção para um desafio persistente no Brasil: o acesso desigual aos livros e ao incentivo à leitura na infância. “Apesar da relevância da formação leitora nos primeiros anos de vida, muitas crianças ainda crescem sem contato regular com bibliotecas, livrarias ou políticas públicas de estímulo à leitura”, disse a agremiação.

A escolha de Ruth Rocha também simboliza a valorização da educação infantil como base para o desenvolvimento do país. “É nesse período que se formam leitores, cidadãos e pessoas capazes de imaginar e construir futuros diferentes. Ao transformar a literatura em samba, a escola pretende reforçar que investir na infância e na cultura é investir em transformação social”.

“Na educação das crianças, o ato de ler vai muito além da alfabetização; é o despertar da criatividade e da empatia, aguçando a mente para enxergar o mundo com cores mais vivas e possibilidades infinitas. Investir no hábito da leitura é garantir que nossas futuras gerações tenham a liberdade de sonhar e a autonomia para transformar esses sonhos em realidade, tornando a educação um processo vibrante, mágico e verdadeiramente transformador”, afirmou a bicampeã do carnaval paulista.

A Mancha Verde afirmou ainda que a autora participa ativamente da construção do projeto do desfile, ao lado da família e de sua equipe. A proposta é que o enredo vá além da homenagem tradicional e se transforme em um grande manifesto pela leitura e pela imaginação.

Além do desfile no Carnaval de 2027, a escola também pretende desenvolver ao longo do ano atividades culturais e sociais em sua quadra, com foco no incentivo à literatura infantil. A programação deve incluir eventos voltados à comunidade e projetos dedicados às crianças, aproximando o universo dos livros da realidade de novos leitores.

 

Brasília recebe mobilização nacional por políticas para autismo

Publicado em Deixe um comentárioAutismo, Sem categoria

Encontro reunirá especialistas e parlamentares para discutir diagnóstico precoce, inclusão escolar e acesso a terapias no Brasil

Brasília será palco, nos dias 14 e 15 de abril, de um encontro voltado à discussão de políticas públicas para pessoas dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA). O Advocacy Day, iniciativa promovida pelo Lions International, deve reunir especialistas, representantes da sociedade civil e parlamentares para debater estratégias de diagnóstico precoce, inclusão e ampliação do acesso a terapias no país.

O evento ocorre em um momento em que o autismo ganha maior visibilidade no debate público brasileiro, impulsionado pelo aumento de diagnósticos e pela mobilização de famílias em torno de direitos como acesso à saúde, educação inclusiva e políticas de apoio ao desenvolvimento infantil.

Segundo estudos, cerca de 1 em cada 36 crianças no mundo está dentro do espectro autista. Especialistas destacam que o diagnóstico precoce e o acompanhamento multidisciplinar são fatores decisivos para favorecer o desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais e comunicativas.

Durante os dois dias de encontro, a programação prevê debates técnicos, articulações institucionais e audiências com parlamentares no Senado Federal. Entre os temas previstos estão a ampliação da triagem precoce na infância, a capacitação de profissionais de saúde e educação e a necessidade de consolidar dados oficiais sobre o autismo no Brasil.

Outro eixo das discussões será o combate ao estigma social associado ao TEA e o fortalecimento de estratégias de inclusão em escolas e espaços públicos. Organizações que atuam na área defendem que políticas estruturadas podem ampliar a autonomia e a qualidade de vida das pessoas autistas e de suas famílias.

Além dos debates técnicos, o encontro busca aproximar pesquisadores, gestores públicos e entidades da sociedade civil para transformar evidências científicas em propostas concretas de políticas públicas.

As atividades ocorrerão no hotel Windsor Brasília, na Asa Norte, com audiências institucionais previstas no auditório do Senado Federal.

A programação completa do evento deve ser divulgada nos próximos dias.

 

Uma a cada seis crianças no mundo vive em zonas de guerra

Publicado em Deixe um comentárioSegurança

Ataque que matou 165 meninas em uma escola no Irã reacende alerta internacional sobre o impacto dos conflitos armados na infância

Pequenos caixões alinhados, mochilas escolares cobertas de poeira e famílias em silêncio marcaram a despedida das 165 meninas mortas após um ataque que atingiu uma escola na cidade de Minab, no sul do Irã. As estudantes estavam em sala de aula quando o prédio foi atingido durante a recente escalada militar norte-americana no Oriente Médio.

O caso é considerado um dos ataques mais mortais contra crianças em um ambiente escolar na história recente. Milhares de pessoas ignoraram o risco de novos bombardeios para acompanhar o funeral coletivo das vítimas. A maioria das meninas tinha entre 7 e 12 anos.

A tragédia levanta um alerta que já preocupa organizações humanitárias há anos: as crianças estão entre as principais vítimas dos conflitos armados no mundo. Os impactos da guerra sobre a infância vão muito além das mortes e ferimentos imediatos. Conflitos interrompem a educação, desestruturam famílias, provocam deslocamentos forçados e deixam marcas psicológicas profundas que podem acompanhar essas crianças ao longo de toda a vida. Em muitos casos, embora a guerra comece nos quartéis, as consequências mais duradouras tem origem na infância.

Em nota divulgada após os ataques recentes na região, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) afirmou estar “profundamente preocupado” com relatos de escolas atingidas durante as hostilidades. Segundo a organização, ataques contra civis e contra estruturas essenciais para a sobrevivência da população, como escolas e hospitais, constituem violações do direito internacional humanitário.  O organismo também reiterou o apelo por uma cessação imediata das hostilidades e pela proteção da população civil.

O alerta ocorre em um momento em que o número de crianças vivendo em áreas afetadas por conflitos armados atingiu o maior nível já registrado. Estimativas do UNICEF indicam que cerca de 473 milhões de crianças vivem atualmente em regiões marcadas por guerras ou violência armada, o equivalente a aproximadamente 19% da população infantil global — ou uma em cada seis crianças no mundo.

Além da exposição direta à violência, os conflitos obrigam milhões de famílias a abandonarem suas casas. Dados das Nações Unidas mostram que 47 milhões de crianças estavam deslocadas por guerras e violência até o fim de 2023, vivendo muitas vezes em campos improvisados ou em condições precárias.

Organizações humanitárias alertam que os efeitos dessas crises se multiplicam em diferentes dimensões da vida infantil. A Save the Children destaca que guerras interrompem o acesso à educação, ampliam o risco de fome e expõem crianças a diferentes formas de violência, exploração e abuso.

Relatórios recentes da ONU mostram a dimensão do problema. Somente em 2023, foram registradas mais de 32 mil violações graves contra crianças em áreas de conflito, incluindo assassinatos, mutilações, sequestros e recrutamento por grupos armados.

Esses contextos de violência também aprofundam desigualdades sociais. Segundo dados das Nações Unidas, cerca de 80% das necessidades humanitárias globais estão relacionadas a países afetados por conflitos armados. Nos países afetados por conflitos, em média, mais de um terço da população vive na pobreza (34,8%), em comparação com pouco mais de 10% nos países não afetados por conflitos.

Além das consequências imediatas, especialistas alertam para os impactos psicológicos de longo prazo. Estudos indicam que crianças expostas a conflitos armados apresentam maior risco de desenvolver transtornos como ansiedade, depressão e estresse pós-traumático.

Diante da escalada recente de tensões no Oriente Médio, agências da ONU afirmam que continuam monitorando a situação e se preparando para ampliar a assistência humanitária às famílias afetadas.

Para essas organizações, proteger escolas, hospitais e serviços básicos é essencial para evitar que os conflitos armados destruam não apenas o presente, mas também o futuro de gerações inteiras.