Mês: janeiro 2026
Meu Menino Passarinho: livro infantil aborda autismo e inclusão desde a infância
Obra transforma vivência da maternidade atípica em narrativa poética e reforça a importância da literatura como ferramenta de inclusão desde a infância
Como compreender o mundo singular de uma criança dentro do espectro autista? Essa é a pergunta que atravessa o livro ‘Meu Menino Passarinho’, novo livro da escritora e ilustradora Tati Santos de Oliveira, recém-lançado pela Editora Papagaio. A obra propõe um mergulho delicado e poético na relação entre mãe e filho, narrada a partir de dois pontos de vista: o materno e o do próprio “passarinho”, metáfora sensível para uma criança que percebe o mundo por meio de sons, cores, gestos e silêncios muito particulares.
Com texto lírico e ilustrações suaves, o livro constrói uma narrativa que transforma vivências reais em poesia. Longe de explicações técnicas ou didatismos, a história aposta na empatia como linguagem central, criando pontes entre universos que, à primeira vista, parecem distantes, mas que se encontram no afeto cotidiano. Cada pausa, cada olhar e cada traço revelam que há sentido mesmo naquilo que não se diz e que compreender nem sempre significa traduzir, mas respeitar.
Inspirada na própria maternidade, Tati é mãe de Maria Luiza e de João. A menina é autista e a vivência das duas constribuiu com a origem à história. O livro nasce da escuta atenta que a maternidade atípica exige e do aprendizado constante de perceber o mundo para além dos parâmetros convencionais. Essa vivência confere autenticidade à obra, que se ancora na realidade sem abrir mão da delicadeza e da imaginação.
Mais do que um livro sobre autismo, Meu Menino Passarinho é uma obra sobre infância, vínculo e pertencimento. Ao apresentar o espectro a partir de uma narrativa afetiva, o livro contribui para ampliar o repertório de crianças, famílias e educadores e reforça a importância da inclusão desde a primeira infância. Ler histórias que representam diferentes formas de existir no mundo ajuda a formar leitores mais empáticos, capazes de reconhecer e respeitar a diversidade humana desde cedo.
Tati Santos de Oliveira tem uma trajetória dedicada a narrativas sensíveis sobre diversidade, corpo e identidade. Ela também é autora de ‘A Menina Feita de Nuvens’, obra que aborda de forma lúdica o vitiligo na infância.
Inclusão desde a infância
O livro ‘Meu Menino Passarinho’ dialoga diretamente com os princípios das políticas de inclusão, que reconhecem a infância como etapa fundamental para a construção de valores como empatia, respeito e convivência com a diversidade. O contato precoce com narrativas inclusivas contribui para reduzir estigmas, combater o capacitismo e formar crianças mais abertas às diferenças.
Ao apresentar o autismo por meio de uma história afetiva, o livro reforça a ideia de que inclusão não se faz apenas por meio de normas ou adaptações pedagógicas, mas também pela cultura, pela literatura e pelas experiências simbólicas que moldam o olhar das crianças sobre o outro.
Indicação para uso em sala de aula
Com linguagem poética e ilustrações delicadas, ‘Meu Menino Passarinho’ pode ser utilizado como ferramenta pedagógica em escolas da educação infantil e dos primeiros anos do ensino fundamental. A obra favorece atividades de leitura mediada, rodas de conversa e projetos sobre diversidade, sentimentos e formas diferentes de perceber o mundo.
Educadores podem explorar temas como escuta, respeito ao tempo do outro, sensibilidade sensorial e convivência, sem recorrer a explicações técnicas sobre o Transtorno do Espectro Autista. A história permite que crianças compreendam a inclusão a partir do afeto e da identificação, tornando o livro um recurso valioso para práticas educativas alinhadas a uma educação inclusiva e humanizada.
Quase 60 mil escolas não desenvolvem ações de educação ambiental
Curso gratuito orienta professores no retorno às aulas e enfrenta a desinformação climática
Quase 60 mil escolas públicas e privadas no Brasil passaram o último ano letivo sem qualquer ação voltada à educação ambiental ou às mudanças climáticas. O dado, do Censo Escolar 2024, ajuda a explicar por que o debate climático ainda chega de forma fragmentada às salas de aula, justamente quando o tema ganha centralidade no país após a COP30 e diante do avanço da desinformação nas redes sociais.
É nesse contexto que o Redes Cordiais, em parceria com a Embaixada do Reino Unido, mantém disponível na volta às aulas o curso “No Clima Certo”: combatendo a desinformação climática nas escolas. A formação é gratuita, voltada a professores das redes pública e privada, e pode ser acessada pela plataforma Avamec. Como complemento, os educadores também têm acesso ao Guia “No Clima Certo” (acesse aqui), com propostas práticas para aplicação em sala.
Os números do Censo revelam desigualdades regionais. O Sudeste concentra o pior desempenho: cerca de 42% das escolas não realizaram nenhuma iniciativa ambiental em 2024. No Norte, o percentual chega a 39%. Estados como Tocantins, Santa Catarina e Espírito Santo aparecem entre os que mais implementam ações, mas ainda aquém do necessário diante da emergência climática.
O curso aposta em uma abordagem que combina ciência, comunicação e educação, com 20 horas de conteúdo online, distribuídas em videoaulas, materiais de apoio e referências bibliográficas. Participam especialistas reconhecidos, como integrantes do Observatório do Clima, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, além de profissionais ligados à checagem de informações, à divulgação científica e à educação midiática.
O material pedagógico que acompanha a formação organiza o debate em quatro frentes: fundamentos das mudanças climáticas; o que caracteriza a desinformação; como atuam o negacionismo e as narrativas distorcidas sobre o clima; e a circulação desses conteúdos no ambiente digital. A proposta é oferecer ao professor base conceitual e ferramentas práticas, sem transformar o tema em algo distante da realidade dos estudantes.
Para Clara Becker, diretora executiva do Redes Cordiais, a escola ocupa um papel decisivo nesse processo. “É nela que se forma o olhar crítico, a confiança na ciência e a capacidade de distinguir fatos de manipulações. A desinformação climática hoje é uma das maiores ameaças à ação ambiental, porque confunde, gera medo e protege interesses econômicos”, afirma.
Os dados científicos indicam que o desafio é concreto. Desde o fim do século 19, medições mostram um aquecimento global contínuo, acelerado nas últimas décadas. No Brasil, o Relatório Bienal de Transparência aponta 14 ameaças climáticas distribuídas pelas cinco regiões, com aumento de chuvas intensas no Sul, Norte e Sudeste, secas mais severas no Nordeste e Centro-Oeste e maior frequência de eventos extremos, como ventos fortes e ciclones extratropicais.
Apesar disso, a percepção da população ainda é limitada. Pesquisa do ITS Rio indica que apenas 22% dos brasileiros consideram saber muito sobre aquecimento global e mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, 74% afirmam que proteger o meio ambiente é mais importante, mesmo que isso implique menos crescimento econômico, um contraste que reforça a importância da escola como espaço de formação.
- Leia também: Retrospectiva: infância no centro do debate em 2025
O cenário educacional confirma essa lacuna. Levantamento da Nova Escola, em parceria com o Office for Climate Education, mostra que 38% dos professores não se sentem preparados para trabalhar conceitos científicos ligados às mudanças climáticas, e mais de 40% das escolas ainda não incluíram um plano de ação climática em seus projetos pedagógicos. Ainda assim, o interesse por formação é alto: 86% dos docentes dizem querer participar de processos de qualificação continuada.
Criado em 2018, o Redes Cordiais atua justamente nesse cruzamento entre educação, informação e cidadania digital. A iniciativa já formou jornalistas, produziu guias sobre desinformação e segurança online e ganhou reconhecimento internacional, com destaque no mapeamento da Unesco sobre educação midiática. Agora, ao levar a educação climática para o centro do debate escolar, o projeto tenta enfrentar um dos principais desafios da agenda ambiental: transformar informação qualificada em conhecimento acessível, crítico e aplicável no cotidiano das salas de aula.
Confira o corpo docente do curso “No Clima Certo”
- Claudio Angelo e Roberto Kaz (Observatório do Clima);
- Jean Ometto (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE)
- Cinthia Leone (Climainfo)
- Matheus Soares (Desinformante)
- Thaís Lazzeri (Instituto Fala)
- Laila Zaid (Cuíca)
- Kizzy Terra (Programação Dinâmica)
- Rafaela Lima (Mais Ciência)
- Cecília Alves Amorim (Carta Amazônica)
- Liz Nóbrega (Aláfia Lab)
- Karina Santos
- Clara Becker (ITS Rio)
- Januária Alves, Bibiana Maia da Silva e Ana D’Angelo (Redes Cordiais)
- Graham Knight (Embaixada do Reino Unido).
Novo conceito amplia o olhar sobre a maternidade e vai além da ausência de doenças
A Organização Mundial da Saúde (OMS) deu um passo histórico ao formular uma definição oficial de bem-estar materno, reconhecendo que a experiência da maternidade não pode ser avaliada apenas pela ausência de doenças ou de complicações médicas. A iniciativa, apresentada em 2025, amplia o entendimento sobre saúde materna ao incluir dimensões físicas, mentais, sociais e estruturais que atravessam a vida das mulheres durante a gestação, o parto e o pós-parto.
Para entender a relevância dessa mudança, é preciso voltar no tempo. Desde 1948, a organização define saúde, em sua Constituição, como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. Esse conceito geral orientou políticas públicas no mundo inteiro e foi amplamente aplicado à saúde materna e reprodutiva. Na prática, porém, a maior parte dos indicadores usados por governos e sistemas de saúde continuou focada quase exclusivamente em mortalidade, diagnósticos e eventos clínicos.
Isso criou um paradoxo. Muitas mulheres passaram a ser consideradas “saudáveis” simplesmente por terem sobrevivido à gravidez e ao parto, mesmo enfrentando sofrimento emocional, exaustão extrema, falta de apoio, violência institucional ou abandono no pós-parto. O novo conceito de bem-estar materno surge justamente para preencher essa lacuna entre o que se mede e o que, de fato, é vivido pelas mulheres.
A definição apresentada pela OMS reconhece que estar bem envolve muito mais do que parâmetros biológicos. Ela considera a experiência da mulher de forma integral e ao longo do tempo, desde a gestação até pelo menos um ano após o término da gravidez. Com isso, o pós-parto deixa de ser tratado como uma fase periférica e passa a integrar oficialmente o cuidado em saúde materna.
“A Unidade de Saúde Materna está desenvolvendo pacotes de intervenções para abordar e melhorar o bem-estar materno, em consonância com o quadro de bem-estar da saúde da criança e do adolescente. Esse quadro de bem-estar inclui boa saúde, nutrição adequada, oportunidades de aprendizagem e educação, segurança e um ambiente de apoio, relacionamentos responsivos e conexões, além da realização da autonomia pessoal e da resiliência. Esses domínios também são aplicáveis à saúde materna”, define a organização.
A Organização Mundial da Saúde não cria leis, mas estabelece referências globais. Quando ela define um conceito, esse conceito passa a moldar a forma como governos pensam políticas, como profissionais de saúde organizam o cuidado e como pesquisadores constroem indicadores. Ao nomear e definir o bem-estar materno, a OMS afirma que a saúde das mulheres não pode ser reduzida à sobrevivência ou a exames dentro da normalidade.
Essa definição transforma sofrimento invisível em questão de saúde pública. Ao reconhecer oficialmente que o bem-estar materno é um componente essencial da saúde, a OMS abre caminho para que temas historicamente negligenciados, como saúde mental no pós-parto, qualidade do cuidado, autonomia das mulheres e condições sociais da maternidade, ganhem centralidade nas agendas nacionais e internacionais.
Férias: como aproveitar o recesso com atividades lúdicas em Brasília
Especialistas destacam passeios culturais, atividades ao ar livre e brincadeiras em casa como formas de estimular o desenvolvimento infantil sem abrir mão do descanso durante o recesso escolar
Com a chegada das férias de verão, as famílias buscam alternativas para ocupar o tempo livre das crianças sem abrir mão do descanso. A proposta, segundo educadores, é equilibrar lazer, convivência familiar e experiências que despertem a curiosidade infantil, sem transformar o recesso em uma extensão da rotina escolar.
Para a diretora da Escola Eleva Brasília, Amanda Payne, o período é uma oportunidade de aprendizado mais espontâneo. “As férias são importantes para desacelerar, mas isso não significa passar o dia inteiro diante das telas. Passeios pela cidade, atividades ao ar livre e brincadeiras em família ajudam a enriquecer o desenvolvimento infantil de forma natural e prazerosa”, afirma.
Em Brasília, opções não faltam para quem quer combinar diversão e conhecimento.
Uma das alternativas é o Jardim Zoológico de Brasília, que mantém programação especial, com cinema ao ar livre, apresentações teatrais, brincadeiras e atividades monitoradas. A proposta é aproximar as crianças da fauna e estimular a curiosidade por meio de experiências práticas.
Outra possibilidade é explorar a história da capital e do país em espaços como o Museu Nacional da República, o Memorial JK, o Memorial dos Povos Indígenas e o Museu do Catetinho. Fotografias, documentos e ambientações ajudam as crianças a entender como Brasília foi idealizada e construída, além de apresentar a diversidade cultural que forma o país.
Para quem prefere atividades ao ar livre, o Parque Nacional de Brasília é um dos destinos mais procurados durante as férias. Trilhas, áreas de banho e espaços para piquenique permitem que as crianças explorem o Cerrado com segurança e criem vínculos com a natureza.
Já o Centro Cultural Banco do Brasil Brasília oferece programação gratuita aos fins de semana e feriados, com oficinas, contação de histórias, atividades sensoriais e ações voltadas especialmente ao público infantil.
Outra sugestão são os passeios rápidos pelo entorno do Distrito Federal. Cidades como Formosa, Pirenópolis e Alto Paraíso de Goiás reúnem cachoeiras, trilhas acessíveis e experiências ligadas à preservação ambiental, ideais para um bate-volta em família.
Amanda destaca ainda que, dentro de casa, as férias também podem ser um convite à criatividade. Montar um cantinho artístico com materiais simples (papéis, argila, lãs, galhos ou pedras) estimula a imaginação e a livre expressão. Cozinhar em família é outra atividade que costuma agradar: escolher uma receita, organizar os ingredientes e preparar o prato juntos ajuda a criança a entender sabores, culturas e hábitos alimentares.
O período também pode ser usado para um contato mais leve com outros idiomas. Brincadeiras como caça ao tesouro com pistas simples em inglês, músicas, desenhos animados e livros infantis em outra língua tornam o aprendizado mais natural, mesmo para quem ainda não estuda um segundo idioma.
Por fim, criar um diário de férias é uma forma afetiva de registrar o recesso. Um caderno personalizado pode acompanhar passeios e reunir fotos, desenhos e pequenos textos, transformando as lembranças do verão em memória compartilhada entre adultos e crianças.
A ideia, reforçam educadores, não é preencher todos os horários, mas permitir que o tempo livre seja vivido com qualidade, respeitando o ritmo da infância e fortalecendo os vínculos familiares.
Férias: Festival ‘Em Cantos’ leva música sensorial a bebês e crianças
4ª edição do evento ocupa o Espaço Cultural Renato Russo e a Escola MIFÁSOL-LÁ, em Brasília, com programação que vai do canto lírico ao samba e inclui oficinas de movimento
As férias de janeiro em Brasília vão ganhar trilha sonora, palco e colo. A 4ª edição do Festival Em Cantos – Música para Crianças chega com uma proposta de escuta sensível e experiências artísticas pensadas para a primeira infância. A programação reune espetáculos e oficinas que atravessam diferentes gêneros, do canto lírico ao samba, passando pela viola caipira. A programação ocorre de 17 de janeiro a 1º de fevereiro de 2026, sempre às 16h, no Teatro Hugo Rodas, no Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul), e na Escola de Música MIFÁSOL-LÁ (503 Sul).
A abertura do festival, no próximo sábado (17/1), coloca os bebês no centro da cena. No Teatro Hugo Rodas, será apresentado “FIO – Música para Bebês”, obra criada para crianças de 0 a 3 anos e seus cuidadores. Em vez de um show tradicional, “FIO” se constrói como uma narrativa sensorial que combina música, teatro e movimento para provocar presença, vínculo e pertencimento.
Com concepção de Jéssica Fritzen, a montagem divide o palco com Plínio Carvalho, em uma condução que aposta na música como linguagem não verbal. A ideia é simples e potente: sons que “esticam, enrolam e conectam”, criando uma ponte direta entre adultos e pequenos, respeitando o tempo de cada bebê e a maneira como ele percebe o mundo.
A inspiração vem de uma lenda japonesa conhecida como Akai Ito, o “fio vermelho” invisível que, segundo a crença, conecta pessoas destinadas a ficarem juntas. Esse fio pode se esticar, se emaranhar, mas não se rompe, tornando-se metáfora de laços afetivos e de um destino que insiste em aproximar. Em cena, a imagem se transforma em convite para que famílias construam memórias e trocas reais, sem pressa e sem excesso de estímulos.
A dimensão pedagógica e artística do espetáculo também é resultado de uma formação imersiva realizada pelos artistas com a Companhia de Música Teatral, de Portugal, referência no encontro entre música e teatro. O aprendizado aparece na costura delicada entre cena e som, pensada para estimular a percepção dos pequenos com cuidado, sem infantilização.
Idealizado pela cantora e arte-educadora Célia Porto em parceria com a MIFÁSOL-LÁ, o Festival Em Cantos nasceu do desejo de oferecer aos “pequenos ouvintes” uma experiência musical de alta qualidade, apostando na inteligência e na sensibilidade da criança, desde bebê. A curadoria deste ano reforça essa ideia ao apresentar estilos variados e formatos que alternam contemplação, narrativa e interação.
Além de “FIO”, o festival traz “Canto Lírico para Crianças”, com Rebecca Pacheco e Marcos Borges, que apresenta o universo da ópera por meio de fábulas e histórias cantadas; “Palco-Céu – Viola Orgânica”, com RC Ballerini e Jun Cascaes, unindo viola caipira e dança em um momento de contemplação; a Oficina Som e Movimento, com Victória Oliveira, pensada para bebês e acompanhantes explorarem corpo e ritmo juntos; e, no encerramento, “Samba na Areia”, com Célia Porto, o maestro Rênio Quintas e Eduardo Bento, em celebração da música popular brasileira para todas as idades.
Um dos diferenciais do Em Cantos está no acolhimento desde a chegada. Antes de cada espetáculo, intervenções artísticas de abertura preparam o ambiente: quatro vozes, com educadores musicais e monitores, introduzem o público na atmosfera do encontro, ajudando crianças e famílias a atravessarem a porta do teatro com mais calma, segurança e encantamento.
Os ingressos são gratuitos, mediante doação de 1 kg de alimento, com retirada prévia pelo Sympla na semana de cada apresentação.
Serviço
Festival Em Cantos – Música para Crianças (4ª edição)
Datas: 17, 18 e 25 de janeiro; 31 de janeiro; 1º de fevereiro de 2026
Horário: 16h
Locais: Teatro Hugo Rodas, no Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul), e Escola de Música MIFÁSOL-LÁ (503 Sul, Bloco B)
Ingressos: gratuitos mediante doação de 1 kg de alimento
Retirada: Sympla, disponível na semana de cada evento
Informações: Instagram @festivalemcantos
Abertura do festival
Espetáculo: “FIO – Música para Bebês”
Data: 17 de janeiro (sábado)
Horário: 16h
Local: Teatro Hugo Rodas – Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul)
Público: bebês de 0 a 3 anos e cuidadores
Ingresso: retirada no Sympla (na semana do evento)
Ministério lança curso gratuito sobre cuidados na primeira semana de vida
Formação gratuita capacita profissionais da atenção básica para o acompanhamento de mães e recém-nascidos no período mais sensível do pós-parto
O Ministério da Saúde lançou um novo curso voltado para qualificar o atendimento a mães e recém-nascidos durante a primeira semana de vida, etapa considerada crucial para o fortalecimento da saúde materno-infantil. A formação, oferecida na Atenção Primária à Saúde, tem como foco ampliar a capacidade técnica de profissionais e gestores na atenção precoce, preventiva e humanizada desde os primeiros dias de vida.
A iniciativa, disponibilizada na plataforma da Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS), visa promover o cuidado integral à mulher no puerpério e à criança recém-nascida, com ênfase na promoção da saúde, prevenção de agravos e identificação precoce de fatores de risco. A formação também segue diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e reforça o papel estratégico da atenção primária neste processo.
O primeiro contato da família com a equipe de saúde deve ocorrer preferencialmente ainda na primeira semana de vida, com escuta qualificada, abordagem técnica e articulação entre diferentes saberes e setores do sistema de saúde. O curso foi desenvolvido para traduzir essa abordagem ao cotidiano dos serviços.
Conteúdo e principais temas
O programa aborda temas essenciais para o cuidado materno-infantil, como:
- Acolhimento e vínculo entre profissionais de saúde, mães e famílias;
- Avaliação do estado de saúde do recém-nascido e da mulher no puerpério;
- Planejamento do cuidado e atuação em equipe multiprofissional e intersetorial;
- Estratificação de risco e identificação de sinais de alerta;
- Valorização da visita domiciliar na primeira semana de vida e os passos para a sua realização.
O curso combina diferentes recursos educacionais, como vídeos instrutivos com especialistas, infográficos, fluxogramas e textos de apoio. Os materiais foram pensados para facilitar a aplicação prática dos conteúdos no dia a dia dos serviços de saúde.
Inscrições e certificação
As inscrições são gratuitas e estão abertas pela plataforma da UNA-SUS. A oferta e a certificação da formação são realizadas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com a Coordenação-Geral de Atenção à Saúde das Crianças, Adolescentes e Jovens do Ministério da Saúde. Ao todo, 15 mil vagas estão disponíveis até novembro de 2026.
Férias favorecem consumo de ultraprocessados na infância, alerta especialista
Levantamento mostra que 20% dos alimentos consumidos por bebês e crianças pequenas no Brasil é ultraprocessado; especialistas defendem ação conjunta entre famílias, escolas e políticas públicas
O período de férias escolares costuma trazer mudanças na rotina das famílias e, junto com elas, um risco conhecido, mas ainda subestimado: o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados na infância. Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani) indicam que 20,5% da alimentação de crianças entre seis meses e dois anos no Brasil já é composta por produtos com alta concentração de açúcar, gordura, sódio e aditivos químicos, como biscoitos, doces e farinhas instantâneas.
Especialistas alertam que esse padrão alimentar, quando iniciado tão cedo, impacta a formação do paladar, a relação emocional com a comida e o risco de doenças ao longo da vida, como obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares. Nas férias, quando há menos controle de horários e maior oferta de lanches prontos, o cuidado precisa ser redobrado.
Segundo a nutricionista da Sanutrin, Cynthia Howlett, especializada em psiconutrição, o cenário revela um desafio que vai além das escolhas individuais das famílias. “Hoje, a escola passou a ter um papel central na alimentação infantil. As crianças fazem dois lanches e, muitas vezes, também o almoço no ambiente escolar. Isso torna a instituição corresponsável pela formação de hábitos alimentares desde a primeira infância”, afirma.
Estudos científicos associam o consumo precoce e frequente de alimentos ultraprocessados a indícios de maior risco de obesidade e alterações na regulação do apetite em crianças. Pesquisadores também mostram que as propriedades desses produtos podem influenciar o sistema de recompensa cerebral e os mecanismos que regulam fome e saciedade. Estudos observacionais ainda revelam que dietas ricas em ultraprocessados estão associadas a maior gordura corporal e risco de obesidade em crianças.
Relatórios da UNICEF reforçam ainda que dietas ultraprocessadas tendem a ter baixa qualidade nutricional e contribuir para excesso de peso, doenças crônicas e hábitos alimentares duradouros.
- Leia também: Retrospectiva: infância no centro do debate em 2025
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo frequente desses produtos leva ao aumento da obesidade infantil, problema que já atinge uma em cada três crianças brasileiras, segundo o Ministério da Saúde.
O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, referência do governo federal, é categórico ao recomendar a exclusão total de açúcar e ultraprocessados nessa faixa etária e o incentivo a alimentos in natura ou minimamente processados.
Escola como espaço estratégico de formação alimentar
A mudança no papel das escolas acompanha transformações sociais mais amplas, como jornadas de trabalho mais longas e menos tempo disponível para o preparo das refeições em casa. Se antes a cantina escolar era voltada apenas a pequenos lanches, hoje ela se tornou parte estruturante da rotina alimentar das crianças.
Esse novo contexto impulsionou alterações na gestão da alimentação escolar, com a terceirização do serviço em instituições de médio e grande porte. Empresas especializadas passaram a assumir não apenas a operação das cantinas, mas também a elaboração dos cardápios e ações educativas.
“A modernização não é só tecnológica, como o uso de sistemas digitais para pagamento e controle, mas também pedagógica. A alimentação precisa ser entendida como parte do processo educativo”, explica Cynthia.
Continuidade em casa é necessária
Para além da escola, a especialista reforça que o ambiente doméstico segue sendo determinante. A introdução alimentar saudável depende menos de regras rígidas e mais de experiências positivas com a comida.
Entre as estratégias apontadas por Cynthia estão:
– o exemplo dos adultos à mesa
– a construção de momentos prazerosos em torno da alimentação
– a não imposição ou pressão sobre a criança
– a ampliação do contato com alimentos naturais, feiras e preparações simples
“O vínculo emocional com a comida começa cedo. Quando a alimentação está associada a afeto, memória e cuidado, criamos bases muito mais sólidas para escolhas saudáveis no futuro”, resume Howlett
Cynthia defende que o enfrentamento ao consumo excessivo de ultraprocessados na infância exige políticas públicas, regulação da publicidade infantil e ações integradas entre famílias, escolas e Estado. As férias, nesse sentido, funcionam como um espelho: “escancaram hábitos que já estavam sendo construídos ao longo do ano”, diz a nutricionista.
Férias: 5 livros que ensinam, divertem e estimulam o cérebro
Tempo livre pede leituras que cabem na mala, acolhem no sofá e viram pontes de conversa entre crianças, famílias e educadores.
As férias chegaram — e, com elas, uma oportunidade preciosa para o desenvolvimento infantil. Estudos em neurociência mostram que a leitura na infância estimula áreas do cérebro ligadas à linguagem, à empatia, à autorregulação emocional e à criatividade, além de fortalecer vínculos afetivos quando compartilhados com adultos. Ler não é apenas um passatempo: é uma experiência que organiza pensamentos, amplia repertórios e ajuda a criança a compreender o mundo e a si mesma.
Pensando nisso, reunimos cinco livros que dialogam com diferentes idades e universos. São histórias que despertam a imaginação, acolhem sentimentos, promovem inclusão e convidam à reflexão, tudo com leveza, humor e sensibilidade. Uma curadoria pensada para acompanhar as crianças nas viagens, nos dias tranquilos em casa ou nas pequenas aventuras do cotidiano.
Leia também: Retrospectiva: infância no centro do debate em 2025
Prepare-se para uma vitrine que une aprendizado e encanto, porque boas férias também passam por boas histórias.
O pequeno mundo criativo
Com uma narrativa poética e ilustrações delicadas, o livro convida as crianças a percorrerem uma jornada criativa em busca da reconstrução de um pequeno mundo. A obra estimula o pensamento criativo, o olhar crítico e a resolução de problemas ao integrar arte, sustentabilidade e economia circular. Em tempos de urgência ambiental, a história mostra que imaginar soluções também é um gesto de cuidado com o planeta — e que toda criança pode ser parte dessa transformação.
Autora: Silmara Rascalha Casadei
Editora: Cortez Editora
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Óculos? Pra mim?
Tudo parece menos divertido quando o mundo está borrado. Entre tropeços e apertar de olhos, uma menininha descobre que usar óculos pode transformar não só a visão, mas a forma de se perceber no mundo. Com humor e delicadeza, a história aborda aceitação, autoestima e a beleza das pequenas descobertas do dia a dia. Ao final, o livro traz ainda um guia do oftalmologista Sergio Passerotti para pais e educadores, com orientações sobre os cuidados com a visão infantil.
Autora: Maíra Lot Micales
Editora: Caminho Suave
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Família da Libras – Sentimentos
Os sentimentos não podem ser vistos, mas podem — e precisam — ser expressos. Neste livro sensível e acolhedor, as crianças são convidadas a aprender sobre emoções por meio da Língua Brasileira de Sinais. Com poesia, afeto e sinais, a obra amplia a comunicação emocional e promove inclusão desde a infância, reforçando que acessibilidade também é linguagem, vínculo e cuidado.
Autor: Filipe Macedo
Editora: Ciranda na Escola
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João Problemão
João conhece um “amigo” curioso em um momento de frustração. Pequeno no início, ele cresce à medida que é alimentado — até se tornar um grande problema. A história é uma metáfora potente e acessível sobre emoções, hábitos e autorregulação, ajudando crianças a entenderem que sentimentos precisam ser reconhecidos, não ignorados, para que possam ser manejados de forma saudável.
Autora: Verônica Cunha
Editora: Hanoi Editora
Onde encontrar: Hanoi
Como surgiu o primeiro Griot
Inspirado em relatos ancestrais da África Ocidental, o livro apresenta a origem dos Griots — mestres da palavra responsáveis por preservar a memória, a cultura e a história de seus povos. Mais do que uma narrativa histórica, a obra conecta música, oralidade e identidade cultural, mostrando às crianças a importância das histórias como herança viva entre gerações.
Autor: Rogério Andrade Barbosa
Editora: Cortez Editora
Onde encontrar: Amazon














