Antes dos 2 anos de idade, já existe diferença de vocabulário entre crianças ricas e pobres

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O nível econômico determina o volume do vocabulário de crianças. É o que constatou pesquisa de universidade norte-americana. Estudo detectou diferenças relevantes a partir dos 2 anos de idade que são acentuadas com o passar do tempo.

Os pesquisadores Betty Hart e Todd R. Risley, da Universidade do Kansas nos Estados Unidos, passaram dois anos e meio acompanhando o desenvolvimento de crianças de 42 famílias locais.

Os cientistas avaliaram as palavras ditas e compreendidas pelos bebês. O resultado final revelou que as diferenças de desenvolvimento intelectual são diretamente proporcionais ao nível socioeconômico familiar. Os cientistas chamaram o fenômeno de “catástrofe precoce” (em tradução livre).

Em um dos testes, as crianças eram colocadas no colo da mãe e os pesquisadores mostravam duas imagens. Um pássaro e um carro, por exemplo. Então, pediam à criança que olhasse para uma das imagens. As crianças de 1 ano e meio vindas de famílias com condições econômicas excelentes enxergaram a imagem correta num espaço de tempo 200 milissegundos mais rápido do que aquelas crianças cujas condições econômicas eram classificadas como precárias. Parece pouco, mas os especialistas garantem que é uma diferença significativa.

Número de palavras

Em relação à quantidade de palavras às quais a criança tem acesso, o estudo mostra que aquelas de lares de alta renda são expostas a cerca de 30 milhões de palavras a mais do que os dependentes de assistência do governo. Isso quer dizer que, enquanto crianças com menos dinheiro escutam, em média, 616 palavras por hora, crianças com mais dinheiro ouvem 2.153 palavras por hora. Um volume quase quatro vezes maior, portanto.

Comunicação

O estudo avalia ainda o conteúdo do que os pais diziam aos filhos. Dividindo as famílias por renda em três categorias, os pesquisadores notaram que os pais da categoria mais abastada faziam seis elogios a cada crítica. Já os da categoria intermediária, pais assalariados que não recebiam assistência do governo, faziam dois elogios por crítica. Os pais na faixa com menos dinheiro faziam duas críticas por elogio aos filhos.

Os pesquisadores, que acompanharam de perto as 42 famílias por dois anos e meio, afirmaram que em nenhuma delas faltou amor ou afeto. A grande diferença foi a forma de se comunicar. Sobre essa situação, os pesquisadores ressaltaram que, quanto mais tempo se demora para entender a situação da criança, mais difícil fica para que uma mudança seja feita.

Ana Paula Lisboa

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