Conheça o primeiro restaurante tibetano do Brasil, na Serra Gaúcha

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Serra Gaúcha — Diversas etnias povoam o Rio Grande do Sul, um estado multirracial, colonizado quase 200 anos após a descoberta do Brasil. O principal aporte veio mesmo da Europa, e os imigrantes influenciaram desde os costumes até a arquitetura. Alemães, italianos e açorianos logo se misturaram aos ameríndios, portugueses e escravos negros. Deles ficou uma rica gastronomia que logo recebeu a contribuição de outros grupos minoritários, como espanhóis, poloneses, russos, judeus, árabes, japoneses, argentinos e uruguaios.

Por essa razão, até hoje é possível desfrutar no estado dos sabores de todas essas culturas até a de um povo distante e muito pouco conhecido entre nós, o tibetano. Fica na encosta da Serra Gaúcha, no bairro Águas Brancas do município Três Coroas, o Espaço Tibet, primeiro restaurante tibetano do Brasil.

Himalaia a pé

Fundado em 2011, com o nome de Tashi Ling (significa “sabores do Tibete”), no município de São Francisco de Paula, o estabelecimento nasceu do mesmo modo que muitos outros restaurantes no país: de uma história de amor entre um chef estrangeiro e uma brasileira. Ele, Ogen Shak, um tibetano refugiado, que após escapar do Tibete (ocupado pela China) cruzando o Himalaia a pé em busca de liberdade, se dedica a divulgar e preservar sua cultura de paz. Ela, Adriana, uma gaúcha que após ver a morte levar a mãe e uma irmãzinha muito esperada durante o parto, busca no budismo uma forma mais sábia de entender a vida.

Artista plástico em seu país, Ogen sempre teve gosto pela culinária transmitida pela mãe. Ao chegar ao Brasil, foi trabalhar num templo budista em São Paulo, que o enviou em visita ao templo em Três Coroas. Lá, ele conheceu Adriana, com quem se casou, e eles passaram a oferecer uma experiência gastronômica, que mudou de endereço em 2013 e se tornou Espaço Tibet.

Menu tibetano

Mais que um restaurante, o espaço ocupa um belo jardim, onde se pode ver crianças brincando e adultos meditando. “Mediante a gastronomia, consigo divulgar meu país”, assegura Ogen, de 40 anos, responsável pelo cardápio e pela decoração tipica da casa. “Como o Tibet é uma região muito fria, lá se come carne e gordura”, explica o chef ao apresentar o menu, que pode ser uma sequência de entrada, salada e prato principal.

Para começar, peça trouxinha tibetana cozida no vapor, salteada na manteiga ao molho vermelho com castanhas de caju picadas e especiarias. Você pode escolher o recheio entre carne, batata ou legumes. Sai por R$ 31,90, a porção inteira ou R$ 19,90, a meia.

Entre os principais, há cinco pratos de filé bovino e uma costela de porco (Pocha Tse) ao molho de maracujá e hibisco flambado na manteiga com castanhas de caju picadas e gergelim preto e chips de batata-doce. Nos outros de filé, há sempre a opção de substituir a carne por cogumelos ou aspargos, como Alu Tse com batatas fatiadas e pimentão molho de açafrão com queijo branco à moda tibetana, acompanhado de pão em forma de caracol temperado com ervas e açafrão.

Anis e água de rosas

Outra carne que entra na dieta do país asiático é o cordeiro. Gostei do pernil ao molho de anis (pode substituir por cravo) servido com arroz branco flambado na manteiga, batatas cozidas e cenoura caramelada. O prato se chama Racha.
De sobremesa, o diferencial é uma musse de rosas feita com chocolate branco belga, uma pitada de licor de romã granadine, outra de uísque, gelatina sem sabor bem batida com claras em neve.

Adriana Shak se divide entre o caixa do restaurante, a cozinha temática e uma lojinha que ocupa o espaço, aberto de quarta a sexta-feira, das 11h45 às 15h; sábado, domingo e feriados, das 11h45 às 16h. Telefone (51) 3546-5763.

Vinícius Nader

Boas histórias são a paixão de qualquer jornalista. As bem desenvolvidas conquistam, seja em novelas, seja na vida real. Os programas de auditório também são um fraco. Tem uma queda por Malhação, adorou Por amor e sabe quem matou Odete Roitman.

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