A fachada vermelha e as luzes amarelas não deixam dúvida: é uma réplica de um café de Paris do começo do século passado, que acaba de se transferir para a capital mais moderna do mundo. Instalado numa área de 750 m² do Shopping ID, na Asa Norte, ao lado do Madero, o Grand Bistrô Paris 6, nome oficial do restaurante, está funcionando desde segunda-feira com imenso cardápio, cujos pratos homenageiam artistas e esportistas brasileiros.
Dez anos atrás, o ator de novela Bruno Gagliasso entrou na cozinha do bistrô recém-aberto no número 1244 da rua Haddock Lobo, nos Jardins, em São Paulo, e deu as tintas do que queria comer: camarões-rosa grelhados sobre arroz provençal com champignons, tomate concassé e redução de manteiga no vinho branco. Estava criada a receita de crevettes à provençale a Bruno Gagliasso, servida por R$ 87.
Nem todos os homenageados criaram seus próprios pratos. A maioria é de clientes famosos que frequentam a casa, entre eles, o ator brasiliense Murilo Rosa, que segundo o fundador da marca, Isaac Azar, “faz parte da nossa história”. Leva o nome do artista o grand gâteau de chocolate recheado com banana, cobertura de banana picada com calda de creme de Nutela e raspas de coco picolé Paris 6 de cocada queimada. Especialidade da grife, a sobremesa faz sucesso nas nove casas brasileiras (quatro em São Paulo, duas no Rio, uma em Campinas, Porto Alegre e Belo Horizonte) e uma em Miami. Brasília é a 11ª e até o fim do ano estão previstas inaugurações em Salvador, Goiânia e Curitiba.
De origem judia, o empresário paulistano de 46 anos não está pensando em homenagear políticos (veja entrevista ao lado). Tendo como lema a arte e a boa gastronomia, Azar busca “qualidade e aprimoramento” no empreendimento fadado a fechar nunca. Aqui, porém, o funcionamento terá de ser revisto, pois “é muito cedo para avaliarmos a receptividade do modelo 24 horas em Brasília”, diz ele.
Para comandar a brigada de 50 pessoas, foi contratado o chef brasiliense William Chen Yen (ex-Babel e ex-Table Cachée), que teve destaque nas cozinhas da Copa do Mundo e das Olimpíadas, no Rio de Janeiro. De São Paulo, vieram três cozinheiros e quatro profissionais de salão, como barman, maître, recepcionista e garçom.
Em cada cidade, o experiente proprietário se associa a alguém para tocar a marca. Aqui não foi diferente. São sócios de Isaac Azar os empresários Raul Teixeira e Renato Cerdeira, que têm funções administrativas. No dia a dia do bistrô de 235 lugares, atuam dois jovens: Alex Cezar, de apenas 23 anos, sobrinho de Azar que veio para acompanhar a fase inicial, e Rebeca Teixeira, de 26, filha de Raul, que fica lá o dia todo.
Por enquanto, o serviço está demorado. Minha sobremesa levou 45 minutos para chegar à mesa. Com tíquete médio de R$ 80, Paris 6 funciona das 11h de quinta-feira às 24h de domingo; de segunda a quarta-feira, das 11h às 2h. Reservas podem ser realizadas pelo aplicativo “Paris 6”, disponível gratuitamente na AppStore e no Google Play.
Você é visto mais como colecionador de amigos do que gastrônomo. Não lhe faz falta o conhecimento técnico da profissão de restaurateur?
É uma avaliação equivocada imaginar que ser amigo de famosos atrai clientes. Vale lembrar que alguns dos pratos mais vendidos e copiados no Brasil são criações minhas. Pouca gente associa, mas, em 2008, assinei e criei o menu internacional de todos os voos da TAM. Mas não paro no tempo. Não aceito a ideia de que um restaurante deva se limitar a vender boa comida, apenas. Minha proposta, desde a abertura do primeiro Paris 6, há 11 anos, era oferecer cultura e gastronomia. Esse é o nosso lema. A arte e a boa gastronomia do Paris 6 encantam cada vez mais fãs. A ideia é seguir fazendo isso, com cada vez mais qualidade e aprimoramento. Seguimos inovando e, assim, seguimos crescendo.
Quem dá nome aos pratos nem sempre são os artistas mais admirados pelo público e sim os que frequentam sua casa. Você espera homenagear políticos em Brasília?
As homenagens são ligadas muito mais à história do Paris 6 nos seus primeiros anos. Vejo pouco espaço para novas homenagens. Mesmo porque, já possuímos alguns brasilienses ilustres da classe artística em nosso menu, como o ator Murilo Rosa, que faz parte da nossa história não só no Brasil, como na expansão internacional.
Brasília, centro de decisões nacionais, é uma cidade avessa à badalação noturna, salvo em poucos bolsões. Terá perfil pra manter acesa a freguesia por 24 horas?
É muito cedo para avaliarmos a receptividade do modelo 24 horas em Brasília. Mas uma coisa é certa: o horário da madrugada do Paris 6 não é alimentado pelo público da badalação. Nesse horário, nossos principais clientes são jornalistas, desportistas e a classe artística. O tempo dirá qual o melhor horário para adotarmos, mas uma coisa é certa: independentemente da cidade, a madrugada nunca teve uma representatividade vital para nossa existência. Temos mais clientes no almoço, no jantar e até no café da manhã, do que na madrugada.
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