A missão de Zidane: classificar o Real para a Champions via Espanhol. Foto: AFP
Adoramos (a começar por mim) exaltar a organização do futebol europeu, a estabilidade da maioria dos treinadores por lá, respeito aos profissionais da prancheta, mas crises como a do Real Madrid mostram que eles agem exatamente como os clubes brasileiros na hora do caos. A lei do resultado impera aqui e do outro lado do Oceano Atlântico: demitem e contratam técnicos como quem troca de roupa. Tomemos como exemplo Vinicius Júnior. O atacante ainda nem completou dois anos como jogador profissional e será comandado pelo sétimo técnico diferente em 1 ano e 10 meses. Zinedine Zidane é o novo professor dele.
O atacante passou 13 meses no elenco profissional do Flamengo. Estreou em maio de 2017 e deixou o clube em junho de 2018. Foi comandado por quatro técnicos diferentes nesse período: Zé Ricardo, Reinaldo Rueda, Paulo César Carpegiani e Maurício Barbieri. Vinicius Júnior está no Real Madrid há oito meses. Zinedine Zidane será o terceiro treinador dele nos profissionais. Antes, Julen Lopetegui e Santiago Solari passaram pelo cargo. Estamos falando do Real Madrid — tricampeão da Liga dos Campeões e do Mundial de Clubes da Fifa nas últimas três temporadas.
A cadeira elétrica do Real Madrid lembra alguns casos recentes de clubes brasileiros. Cuca levou o Palmeiras ao título do Campeonato Brasileiro em 2016 e pediu demissão para cuidar de problemas pessoais. Eduardo Baptista assumiu para a temporada 2017. Cinco meses depois, Cuca “zidanava” e reassumia o cargo no meio da fase de grupos da Libertadores.
Fábio Carille largou o Corinthians em junho do ano passado para trabalhar no Al-Wehda, da Arábia Saudita. Seis meses depois, “zidanou” e arrumou as malas e voltou ao Brasil para retomar as rédeas do Corinthians. Mano Menezes deixou o Cruzeiro em dezembro de 2015 para se aventurar na China e voltou ao clube mineiro em julho de 2016.
Técnicos de Vinicius Júnior em 1 anos e 10 meses como profissional
Flamengo
2017: Zé Ricardo e Reinaldo Rueda
2018: Paulo César Carpegiani e Maurício Barbieri
Real Madrid
2018: Julen Lopetegui e Santiago Solari
2019: Santiago Solari e Zinedine Zidane (2018)
Acho muita maluquice um técnico ser demitido (ou pedir o boné) de um clube e voltar ao mesmo time meses depois — há caso até de semanas, como o vaivém de Cuca no Botafogo em 2007. Doidice dos treinadores e dos cartolas. Alguns requisitos são necessários para que isso aconteça: falta de vergonha na cara dos técnicos e muita cara de pau dos dirigentes. No caso de Florentino Pérez há outros dois ingredientes: lábia e dinheiro.
O presidente do Real Madrid é aquele sujeito que convenceu Julen Lopetegui a abandonar a concentração da Espanha na véspera do início da Copa do Mundo da Rússia para assumir o Real Madrid. Favorita, a Fúria começou a perder o Mundial naquele dia. Deu adeus nas oitavas de final contra a Rússia.
Zidane é muito madridista. Porém, cá entre nós: está na cara que Florentino Pérez certamente prometeu ao francês um caminhão de dinheiro, “estabilidade” e a contratação de Neymar, Mbappé ou Hazard, por exemplo. Se brincar todos de uma vez. Desconfio que sim.
A movimentação do Real anuncia recordes na janela de transferências. E uma nova geração de galácticos. Enquanto isso, a missão de Zidane é classificar o Real Madrid para a Champions Lague via Campeonato Espanhol. A última vez que o clube ficou fora do principal torneio de clubes do mundo rolou na temporada de 1994/1995. Faz tempo, hein.
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