Roberto Mosquera era auxiliar do Sporting Cristal na final de 1997 contra o Cruzeiro. Foto: AFP
A Bolívia pode disputar uma semifinal de Libertadores pela segunda vez em quatro anos*. A Bolívia, que um dia fez uma festa danada por se tornar o primeiro país sul-americano a derrotar o Brasil na história das Eliminatórias. A Bolívia pilhou. Classificou-se para a Copa de 1994. Naquela década, a Bolívia chegaria a uma final de Copa América em casa contra o Brasil, em 1997. Perdeu o título, mas o país lavou a alma. Neste século, o maior feito da Bolívia foi golear a Argentina por 6 x 1 nas Eliminatórias para a Copa de 2010. Lionel Messi estava em campo. Diego Armando Maradona era o técnico.
Na Libertadores, a Bolívia é sempre o patinho feio. Os clubes de lá chegaram às semifinais apenas quatro vezes. A primeira delas justamente com o Jorge Wilstemann, em 1981, ano em que o Flamengo conquistou o troféu. Na época, havia triangular semifinal. Blooming (1985) e Bolivar (1986 e 2014) também conseguiram a proeza de chegar entre os quatro.
Há uma mania de apontar a altitude como principal jogador dos clubes bolivianos, mas o Jorge Wilstermann que eliminou o Atlético-MG e ameaça desbancar o River Plate após a vitória por 3 x 0 no jogo de ida tem mais do que o ar rarefeito da altitude de 2.570m de Cochabamba como aliado.
O técnico do time pode ser um Zé Ninguém para nós, brasileiros, mas os peruanos conhecem o seu potencial. Roberto Mosquera é ídolo do Sporting Cristal. Disputou a Copa do Mundo de 1978. Estava em campo na polêmica goleada da Argentina sobre o Peru, por 6 x 0, que abriu caminho para os donos da casa conquistarem o caneco e eliminou o Brasil.
No Peru, foi eleito três vezes o melhor técnico do país, em 2011, 2012 e 2014. Antes de virar treinador, foi aprendiz do técnico Sergio Markarián. Ajudou o uruguaio a levar o Sporting Cristal, do Peru, à final da Libertadores de de 1997 contra o Cruzeiro, de Paulo Autuori. Perdeu o título para a Raposa, mas aprendeu a lidar com elencos limitados. Sonha levar o Jorge Wilstermann onde chegou um dia, na final do principal torneio de clubes da América.
O sucesso do Jorge Wilstermann tem pouquinho de Brasil também. A torcida do Atlético deve lembrar até hoje de Serginho, que deitou e rolou em cima de Marcos Rocha nas oitavas e nesta quinta-feira fez gato e sapato do River Plate. O veterano Alex Silva, que até outro dia era xerife da defesa do Brasiliense, comanda uma defesa maluca que sofreu 10 gols na fase de grupos e ainda não foi vazada no mata-mata. Nem Atlético-MG nem River Plate marcaram. Há o sangue chileno do goleiro Olivares, a raça uruguaia de Enrique Díaz, os argentinos Christian Chávez e Marcelo Bergese, mas o elenco conta com uma maioria de jogadores bolivianos pilhados a fazer história.
A fusão da altitude — o time está invicto em Cochabamba — com a capacidade do técnico Roberto Mosqueta e o comprometimento de jogadores praticamente aposentados, como Alex Silva, move o sonho de um país que conquistou o título da Copa América em 1963 e volta a sonhar com a possibilidade de chegar novamente a uma semifinal de Libertadores. A virada é possível. A camisa do outro lado é pesada, a do River Plate, mas quem viu um tal de Barcelona virar um 4 x 0 contra o Paris Saint-Germain neste ano nas oitavas da Liga dos Campeões da Europa não pode duvidar de nada na partida de volta…
Correção: O post foi atualizado. O texto original afirmava que a Bolívia não chegava às semifinais há 31 anos. Perdão pelo equívoco. O Bolivar disputou a semifinal em 2014 contra o San Lorenzo, da Argentina, que conquistou o título.
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