Entrevista: Francisco Maturana. Discrição é arma do badalado colombiano que virou guru da Venezuela na Copa América e ameaça à Seleção Brasileira

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Campeão da Copa América e da Libertadores, Maturana (E) assessora Rafael Dudamel. Foto: FVF/Divulgação

São Paulo — A preocupação da comissão técnica da Seleção Brasileira nesta terça-feira, na Arena Fonte Nova, em Salvador, vai além da evolução da Venezuela. O adversário desta noite pela segunda rodada do Grupo A contratou um senhor revolucionário. Aos 70 anos, Francisco “Pacho” Maturana topou, há duas semanas, o papel de assessor técnico do comandante vinotinto Rafael Dudamel. O colombiano é o único treinador negro campeão da Copa Libertadores da América (1989) e da Copa América (2001). Para refrescar a memória, é o mentor da histórica goleada por 5 x 0 da Colômbia sobre a Argentina, no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, nas Eliminatórias para a Copa de 1994.

Embora seja badalado, Francisco Maturana adota a discrição como a melhor ferramenta para colaborar com a seleção da Venezuela. Em entrevista ao blog no último sábado, Pacho fez questão de assumir o papel de coadjuvante. “Eu decidi ser discreto. O protagonista deve ser o treinador.  A minha missão é ajuda-lo a ser melhor. É por isso que estou fora de órbita. Eu quero evitar mal-entendidos”, desculpou-se ao evitar falar sobre o trabalho na Venezuela.

Protagonista do título invicto da Colômbia em casa na edição de 2001, Francisco Maturana deu uma aula de humildade e ética ao evitar opinar sobre a revolução no futebol venezuelano. Há dois anos, o país foi vice-campeão do Mundial Sub-20 ao perder o título para a Inglaterra. Vários campeões foram promovidos para o elenco principal e disputam a Copa América.

“Escolhi ser discreto. O protagonista é Rafael Dudamel. Enquanto eu estiver nessa posição (assessor técnico), falarei sobre futebol internamente com ele. Quero respeitá-lo”

Francisco “Pacho” Maturana, assessor técnico da Venezuela

“Não quero emitir os meus conceitos sobre a Venezuela. A pessoa mais indicada para isso é o Dudamel. Claro que eu tenho a minha sensibilidade, mas repito, ele deve ser o protagonista e falar sobre a seleção. Posso parecer antiquado, mas, enquanto eu estiver nessa posição, falarei sobre futebol internamente com Dudamel. Quero respeitá-lo e evitar confusão”, insistiu.

Maturana jamais foi técnico do ex-goleiro Dudamel. “Não tive oportunidade de tê-lo como jogador, apenas como adversário”, recorda. Entretanto, já prestou serviços ao amigo ao dar palestras para jogadores das divisões de base da Venezuela no Sul-Americano Sub-20 do Chile. Ali começou o “namoro” entre o colombiano e a seleção venezuelana.

A discrição de Maturana preocupa a comissão técnica da Seleção Brasileira. A capacidade do veterano de ler os jogos é notória. Os mentores do colaborador de Dudamel também. O holandês Johan Cruyff é a maior fonte de inspiração do Pacho. Maturana sempre trocou ideias com os italianos Arrigo Sacchi e Carlo Ancelotti. Adora interagir com Pep Guardiola. Embora tenha 70 anos, o ex-zagueiro formado em odontologia compra passagem rumo à Europa numa busca incansável por atualização. A Venezuela oferecia a ele o que sempre gostou: investimento nas divisões de base. Maturana ama a várzea. Chegou a dizer um dia que as crianças brincando de bola no terrão são mais importantes do que o futebol.

Numa época em que a Colômbia abre mão de treinadores da casa para contratar profissionais estrangeiros em série, a Venezuela está de parabéns ao valorizar o maior técnico da história da Colômbia, um dos grandes da Libertadores e da Copa América!

Confira uma sabatina do blog com Francisco Maturana publicada em 2016

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Marcos Paulo Lima

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