Hulk começou como ponta, virou centroavante e saiu vaiado. Foto: Lucas Merçon/Fluminense
A sensação no empate do Fluminense por 0 x 0 com o Independiente Rivadavia no jogo de ida das oitavas de final da Copa Libertadores da América é de que o trabalho do técnico argentino Luis Zubeldía acabou. A diretoria tricolor insiste em prestigiá-lo e a torcida, em tom de protesto, largou mão. O público de 28.825 pagantes e 31.275 presentes é inadmissível para um confronto de mata-mata em um torneio continental.
Foi uma das piores atuações do Fluminense. A saída de bola era instável. Ansioso, o meio de campo formado por Hércules, Martinelli e Nonato acelerava o jogo o tempo inteiro sem aguardar as passagens dos laterais Guga e Arana. Não havia pausa para raciocínio.
O ataque escolhido é questionável. Hulk atuou aberto na direita. É difícil cobrar recomposição dele a essa altura, como se fosse aquele atacante do Brasil na Copa de 2014, ou seja, há 12 anos, justamente quando tinha essa função na Seleção. O resultado da exposição de Hulk são as impiedosas vaias na substituição dele por German Cano.
Zubeldía mudou a posição de Hulk para centroavante no segundo tempo. Na etapa inicial, ele e Soteldo eram os responsáveis por abastecer o péssimo Castillo. O ex-jogador do Lanús custou R$ 51,7 milhões. A contratação mais cara do clube não entrega.
O Fluminense foi campeão inédito da Libertadores em 2023 com a maior média de idade na história do torneio: 32,1 anos. Três anos depois, insiste na fórmula. A escalação inicial tinha 31,3 anos contra 27,5 do Independiente Rivadavia.
É muita diferença!
Aquele Fluminense competitivo da final da Campeonato Carioca contra o Flamengo não existe a essa altura da temporada. Piorou depois da pausa para a Copa do Mundo. Se escolheu apostar em Hulk, a comissão técnica precisa potencializá-lo.
Uma alternativa é o 4-4-2. Hulk no papel de centroavante acompanhado por um jogador inteligente para atuar ao lado dele. A última grande fase do atacante foi jogando ao lado de Paulinho no Atlético-MG. O ex-par perfeito está no Palmeiras.
Entre mortos e feridos, salvaram-se todos (por enquanto). Luis Zubeldía acredita na vaga porque, segundo ele, tem bons jogadores. Thiago Silva cobra que cada uma assuma a responsabilidade. Hulk deixou o Maracanã dizendo que as vaias não vão desanimá-lo.
O Fluminense perdeu a final do Campeonato Carioca para o Flamengo. Foi eliminado da Copa do Brasil pelo Vasco. Faz boa campanha no Brasileirão, mas a distância em relação ao líder isolado Palmeiras é de 13 pontos.
Portanto, a partida de volta contra o Independiente Rivadavia na próxima terça-feira pode manter ou encerrar o sonho de título na temporada. E no meio do caminho há um jogo dificílimo justamente contra o Palmeiras no Maracanã.
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