Sem Neymar e Marta: ausência dos camisas 10 da Seleção testa poder de reinvenção de Tite e Vadão

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O futebol brasileiro viverá uma situação inusitada na semana que começa neste domingo. A Seleção Brasileira não terá em campo os dois maiores talentos, as referências técnicas do país. Lesionado e com uma pilha de problemas particulares para resolver, o camisa 10 Neymar foi cortado da Copa América. Em recuperação de contusão, Marta, camisa 10 da esquadra feminina, está fora da estreia verde-amarela na Copa do Mundo da França contra a Jamaica.

As duas seleções são totalmente dependentes de Neymar e Marta. Os técnicos Adenor Leonardo Bachi e Oswaldo Alvarez viraram reféns dos dois fora de série. A cinco dias da estreia dos homens na Copa América, Tite quebra a cabeça para montar o time sem o problemático pupilo. Vadão se vira nos 30 para manter a seleção competitiva sem a jogadora eleita seis vezes melhor do mundo. Não deveria mais ser assim há muito tempo.

O Brasil com e, principalmente, sem Neymar, é um time comum. A Seleção com Marta é um Deus nos acuda. Desembarcou na França para o Mundial amargando nove partidas sem vitória.  Com a ausência de Marta, o caos é completo. O Brasil disputou 18 jogos na história da Copa do Mundo. Marta disputou 17 e fez 15 gols. É a primeira vez na história do torneio que a rainha do futebol não será opção nem no banco de reservas.

A dependência de Neymar é absurda em tempos de futebol pós-moderno. Tite e Vadão parecem viver em outro planeta. Aparentemente, não compreenderam ou fingem que não compreenderam a guinada no futebol. Os últimos quatro países vencedores da Copa do Mundo masculina — Itália (2006), Espanha (2010), Alemanha (2014) e França (2018) — mostraram que não é preciso ter uma fora de série no elenco para faturar o caneco. Todas conquistaram o título devido à força do conjunto, do time, do jogo coletivo. Alemanha (2003 e 2007), Japão (2011) e Estados Unidos (2015) deram o mesmo recado na Copa delas.

Enquanto ficamos lamentando as perdas de Neymar e Marta, duas perdas importantes, óbvio, os concorrentes não gravitam em torno de um astro. Se essa fosse a regra, Argentina e Portugal teriam conquistado tudo e mais um pouco nos 10 anos em que Lionel Messi e Cristiano Ronaldo se revezaram como melhores do mundo. Os hermanos não ganham uma competição de ponta desde a Copa América 1993. Os lusitanos festejaram a Euro-2016 sem  Cristiano Ronaldo na final e decidirão a Liga das Nações com a Holanda neste domingo.

Tite e Vadão têm obras-primas que deveriam ser revisitadas, times que servem de inspiração para que ambos se reinventem na Copa América e na Copa do Mundo. Adenor montou aquele Grêmio campeão da Copa do Brasil (2001) e foi responsável pela era dourada do Corinthians. Ganhou tudo com uma equipe sem fora de série.

Oswaldo Alvarez é lembrado até hoje por ter formado o impressionante Mogi Mirim do Campeonato Paulista de 1992. À época, o time contava com os desconhecidos Rivaldo, Válber e Leto e ganhou o apelido de Carrossel Caipira. Há saídas para as seleções masculina e feminina. Basta Tite e Vadão revirarem seus baús de memórias e montarem times.

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Marcos Paulo Lima

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