Repertório e versatilidade: os trunfos do Brasil na Copa América Feminina

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Uma das virtudes do trabalho de Arthur Elias é a variação tática. A Seleção feminina tem alternativas na caminhada rumo à Copa do Mundo de 2027 e o aprimoramento das diferentes facetas do Brasil passa pela fase de grupos do torneio sul-americano, no Equador.

O Brasil iniciou a Copa América contra a Venezuela organizada no sistema 3-4-1-2. A aposta de Arthur Elias é autoral. Se você observar as seleções qualificadas para o mata-mata da Eurocopa Feminina, nenhuma das oito seleções adota três zagueiras. Há opções pontuais como a da Itália, com cinco defensoras na eliminação diante da Inglaterra nas semifinais. A Alemanha costuma usar o 5-4-1 como recurso. Deve iniciar assim contra a Espanha.

O auge do 3-4-2-1 do Brasil de Arthur Elias foi a vitória de virada por 2 x 1 contra os Estados Unidos, em abril deste ano. O modelo ganhou força. Na Copa América, Antônia, Isa Haas e Fernanda Palermo formaram as três torres.

No meio de campo, Gabi Portilho e Yasmim nas pontas e Angelina e ao lado de Duda Sampaio por dentro no papel de volantes. O quarteto deu suporte a Marta. A camisa 10 joga atrás da dupla de ataque formada por Amanda Gutierres e Gio Garbelini.

O modelo da estreia por 2 x 0 contra a Venezuela teve apenas trocas de nomes na goleada por 4 x 1 contra o Paraguai. Mariza entrou na linha de três no lugar de Fernando Palermo. Luany ocupou a função de Gabi Portinho. Kerolin entrou no lugar de Angelina e fez par de volantes com Duda Sampaio. Tudo planejado pelo técnico Arthur Elias.

“O nosso objetivo é dar oportunidade para todas as atletas. Se está na Seleção é porque tem muita qualidade, independentemente da idade. Numa competição com a Copa América, é importante usar o elenco e ter variações de sistema, de posicionamentos. De algumas jogadoras jogarem em mais de uma posição, como foi o caso da Duda Sampaio. Ela começou como uma volante, 5, e depois passou para a camisa 10, mais perto do gol. Fez o gol e um grande jogo, assim como o time, que evoluiu”, disse o técnico na entrevista coletiva depois do triunfo contra o Paraguai na noite de terça-feira.

O repertório de Arthur Elias também tem sistema com linha de quatro defensores, o mais convencional entre as formações da Eurocopa, disputada paralelamente à Copa América. O Brasil começou a goleada por 6 x 0 diante da Bolívia todo trabalhado no 4-2-3-1.

A linha defensiva tinha Fernanda Palermo na lateral direita, Kaká e Tarciane formando a dupla de zaga e Fátima Dutra na lateral esquerda. Yaya e Ary Borges na proteção à zaga, e à frente delas, o trio de meias com Luany, Dudinha e Gabi Portilho na esquerda. Kerolin isolada no comando do ataque sendo abastecida pelas companheiras.

Tão importante quanto conquistar a Copa América e a vaga para os Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028, consolidar modelos e criar outros até o Mundial de 2027. Chama a atenção também o estímulo pela versatilidade. Fernando Palermo de zagueira ou lateral. Gabi Portilho na direita ou na esquerda. Duda Sampaio na destruição ou na construção. Uma formação com Marta na função de maestrina e outro com Dudinha no lugar da Rainha.

Arthur Elias pode até não conquistar a Copa América, a Copa do Mundo em 2027 ou a medalha de ouro em 2028, mas o trabalho é organizado, consistente, competente e ousado. A Seleção precisa disso para voltar a se posicionar como potência em meio à hegemonia europeia.

O desnível entre a Euro e a Copa América é flagrante, mas está mais para lá do que para cá do Oceano Atlântico. A Seleção exala modernidade e terá um duelo chave contra a Colômbia para se provar (e comprovar) que Arthur Elias está no caminho certo.

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Marcos Paulo Lima

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