Reforços, técnico, torcida e competência nos pênaltis: a simbiose do Inter

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Rochet trocou as mãos pelos pés e deixou a torcida do Inter em êxtase. Foto: Ricardo Duarte/Inter

A classificação épica do Internacional para as quartas de final da Libertadores depois de dar o troco no River Plate por 2 x 1 no tempo regulamentar e vencer nos pênaltis por 9 x 8 diz muito sobre a escassez de talentos no futebol brasileiro capazes de resolver carências pontuais dos times nacionais. Quatro contratações podem mudar o patamar colorado na caça ao tricampeonato continental.

O chileno Charles Aránguiz retornou ao clube para tomar conta do meio de campo. Impõe muito respeito. O volante parecia se multiplicar no duríssimo combate no meio de campo com as peças do River Plate. Não, ele não entregou o padrão Aránguiz de qualidade, mas se agigantou quando o jogo passou a exigir dele a fama que tem e o levou de volta ao Beira-Rio. Faltou bola, mas sobrou raça.

Enner Valencia dispensa comentários. Como faz diferença ter um atacante versátil como ele. O equatoriano parece uma imparável locomotiva nas arrancadas. O River Plate só conseguia pará-lo na base da falta. Simplesmente um outro nível de jogador. Um cara experimentado na Europa. Faltou gol, mas craque não desapontou a torcida na belíssima cobrança de pênalti.

E Rochet? O goleiro uruguaio assumiu responsabilidade imensa ao tomar a posição do ex-titular John.  O concorrente fazia uma temporada excelente até perder a posição em uma decisão arrojada do técnico Eduardo Coudet. Jogadores do nível dele fazem a diferença até na hora do protesto imediato nos dois toques de Solari na bola na cobrança. Ele escorregou na hora de bater.

Rochet não perdeu o foco – e a sorte – nem mesmo quando o árbitro decidiu mudar o lado das cobranças devido ao estado do gramado do Beira-Rio. Os cobradores estavam patinando. O goleiro colorado foi protegido pelo travessão e converteu a última cobrança, a da classificação.

Aos três se junta o técnico Eduardo Coudet. O argentino parece empenhado em mudar os conceitos de jogo do Internacional. Pragmático na Era Mano Menezes, o time brigou pela bola com o River Plate. Teve a pelota nos pés durante 54% da partida contra 46% do adversário. Há um novo Internacional em confecção e uma classificação desse tamanho fortalece o plano.

A torcida colorada entendeu. Comprou a briga e deu espetáculo no Beira-Rio. Não faltou fé quando o River Plate diminuiu o placar, De Pena desperdiçou o primeiro match point e muito menos quando o árbitro mudou o lado da cobrança devido ao estado do gramado. Sensacional.

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Marcos Paulo Lima

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