Pulgar, Gerson e Arrascaeta: quando um Clássico dos Milhões é decidido no meio de campo

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Diga-me com quem andas e direi quem és. Pulgar e Gerson trabalharam com Jorge Sampaoli antes da parceria no Flamengo. Ambos sabem decifrar a esfinge. Por isso não foram devorados por ele. Marinho e Vidal iniciaram o trabalho do argentino como referências do time. Ao que parece, ficaram pelo caminho. Marinho, inclusive, foi afastado do elenco. Vidal perde espaço.

Pulgar e Gerson não foram os nomes da goleada por 4 x 1 contra o Vasco por acaso na noite dessa segunda-feira no encerramento da nona rodada do Campeonato Brasileiro. Ambos incorporaram as ideias de Jorge Sampaoli. São as referências de como ele gosta de jogar.

Subutilizado por Dorival Júnior e Vítor Pereira por causa de uma série de lesões e falta de inscrições em torneios como a Copa do Brasil do ano passado, Pulgar exalou versatilidade no clássico. Quando o Flamengo tinha a bola, agiu como terceiro homem da defesa. Posicionava-se entre os zagueiros Fabrício Bruno e David Luiz. Na posse rubro-negra, saiu de trás para a linha do meio de campo. Deu qualidade ao passe e até se aproximou da área adversária. Foi assim no lance do golaço no ângulo esquerdo do goleiro Léo Jardim.

Gerson foi o que era no Olympique de Marselha sob a batuta de Sampaoli. Deu ritmo ao meio de campo. Apareceu dentro da área para aproveitar o cruzamento milimétrico do meia uruguaio Arrascaeta. A temporada mais goleadora da carreira de Gerson foi justamente sob a batuta de Jorge Sampaoli no time francês. Marcou 11 gols em 48 exibições e deu 10 assistências. Lembram de quem deu o passe para em profundidade para Ayrton Lucas marcar o quarto? Gerson!

Por fim, falemos de Arrascaeta. A volta dele colocou a cabeça do Flamengo no lugar. Sem o camisa 14, faltam ideias, imaginação, talento, visão de jogo, ritmo. O meia foi o garçom do primeiro e do segundo gol. O cruzamento para Gerson parece ter sido feito com a mão tamanha a perfeição. Ele cresce quando o Flamengo mais precisa. Chamo atenção para o posicionamento do craque uruguaio. Sampaoli o colocou aberto na direita, na faixa de campo ocupada por Gabriel Barbosa. Ele se alternava com Matheus França entre parceiro de ataque do Pedro e companheiro de Gerson na armação. A alternância confundia a marcação do Vasco.

Sobre o time cruzmaltino, o placar dilatado tem a ver com as escolhas de Mauricio Barbieri. Enfrentar um Flamengo desajustado e sem evolução como naquela série de três duelos no Campeonato Carioca é uma situação. Duelar com um rival que havia acabado de eliminar o Fluminense da Copa do Brasil e aponta crescimento é outra totalmente diferente. Faltou sensibilidade ao técnico para perceber a impossibilidade de fazer omelete sem ovos. Ele preferiu enfrentar o adversário de peito aberto e pagou muito caro por isso. Como se não bastasse a qualidade técnica inferior, do outro lado estava uma equipe claramente em ascensão.

A situação do Vasco é preocupante por uma razão óbvia. O time só tem o Campeonato Brasileiro para disputar até o fim do ano. Portanto, é inaceitável a involução do time a cada rodada. A derrota para o Flamengo estava dentro do previsto. Ter apenas uma vitória em nove rodadas, não. Perder pontos para adversários da mesma raia, como Bahia, Santos e Coritiba, muito menos. Mais inaceitável do que tudo isso somente os ataques a São Januário depois do jogo. Há várias formas de protestar. Depredar a histórico estádio do clube definitivamente não é a melhor.

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Marcos Paulo Lima

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