Pontas sem obsessão pelo gol minam o Flamengo e dão fôlego ao Cruzeiro

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A era dos extremos exige mais do que velocidade, dribles, recomposição e assistências. Os pontas modernos precisam jogar para o time, mas para si também: fazer gol. Isso ajuda a explicar um pouquinho o empate por 0 x 0 desta quinta-feira entre Flamengo e Cruzeiro, no Maracanã, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Os melhores do mundo na Bola de Ouro são jogadores de lado do campo: o número 1 Dembélé entregou 37 gols em 60 partidas na temporada de 2024/2025. Versátil, virou falso nove com Luis Enrique. Faz no PSG o que Filipe Luís tentou com Gonzalo Plata no papel de centroavante postiço na função de Pedro .

Número 2 do mundo, Lamine Yamal é um ponta sedento pelo gol. Entregou ao técnico Hansi Flick 21 em 62 jogos na temporada anterior. É decisivo quando veste a camisa da Espanha.

Vale mencionar o quarto e o quinto colocados no prêmio. Mohamed Salah e Raphinha gostam de jogar abertos. O egípcio marcou 37 vezes em 57 jogos pelo Liverpool. O brasileiro anotou 37 em 57 exibições no Barcelona atuando ao lado de Lewandowski!

Leia também: Poder aos pontas faz Ancelotti focar em laterais capazes de virar zagueiro – Blog Drible de Corpo

Pontas precisam fazer a diferença. Os do Flamengo balançam pouco a rede. Os maiores artilheiros do time no ano são Arrascaeta (17) e Pedro (12). O ponta mais goleador em 2025 é Luiz Araújo (10). Híbrido, Bruno Henrique tem 9. Dos quatro, somente o camisa 10 jogou desde o apito inicial.

Filipe Luís renunciou ao gol em nome do equilíbrio tático. Samuel Lino não tem tanta intimidade com a rede. Gonzalo Plata e Carrascal muito menos. Restou Arrascaeta se alternando com Plata no papel de falso nove. Ele quase marcou em duas oportunidades. Havia aproximação entre os quatro, toque de bola, mas faltava finalização. Instinto fatal.

Bom para o Cruzeiro. O plano de jogo do técnico Leonardo Jardim funcionou mais uma vez contra o Flamengo. Matheus Pereira comeu a bola no meio de campo. Lucas Silva fez uma exibição de alto nível. Matheus Henrique incomodou pela esquerda, Christian deu trabalho pela direita e Kaio Jorge esteve um pouco abaixo. Em alguns momentos, Matheus Pereira era praticamente o jogador mais avançado quando a Raposa tinha a posse da bola.

Leonardo Jardim foi superior a Filipe Luís no confronto de ideias, mas o técnico rubro-negro ajudou. Errou ao prescindir dos gols de Pedro, Luiz Araújo e Bruno Henrique na etapa inicial. Juntos, eles têm 47 gols. São 54 de 101 gols se incluirmos 7 do esquecido Wallace Yan. Um dos desafios do Flamengo em 2026 será achar pontas obcecados pela rede. Faz diferença!

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Marcos Paulo Lima

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