Pia Sundhage é celebrada pelas jogadoras: campanha irretocável na Copa América. Foto: Thais Magalhães/CBF
O octacampeonato do Brasil em nove edições da Copa América com o triunfo por 1 x 0 diante da anfitriã Colômbia na noite deste sábado com casa cheia, em Bucaramanga, amplia a hegemonia dos técnicos europeus nas competições sul-americanas.
A Libertadores é dominada há três temporadas por treinadores portugueses. Jorge Jesus levou o Flamengo ao bicampeonato na épica virada por 2 x 1 contra o River Plate. Abel Ferreira conduziu o Palmeiras a dois títulos consecutivos nas edições de 2021 e 2022. Jesus e Abel também levaram seus times a conquistas na Recopa Sul-Americana.
Pia Sundhage entra para a história da Copa América como a primeira mulher a levar uma seleção ao título do nosso continente. É a primeira profissional europeia a levantar troféu na banda de cá do Oceano Atlântico de maneira impressionante: seis vitórias, 20 gols pró e nenhum sofrido. O Brasil não encantou, mas teve sabedoria para lidar com as dificuldades. A maior delas imposta justamente pela Colômbia. As anfitriãs também estavam invictas.
A comandante do Brasil faz um trabalho de renovação excepcional. Há um ano, o Brasil era eliminado pelo Canadá nas quartas de final do Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 com uma formação titular que tinha sete jogadoras acima dos 30 anos: Bárbara, Bruna Benites, Érika, Rafaelle, Tamires, Formiga e Marta. A média de idade do time era de 31,3 anos.
O time do início da partida contra a Colômbia tinha apenas três jogadoras na casa dos 30 anos. As exceções eram a zagueira Rafaelle, a lateral-esquerda Tamires e a atacante Debinha, autora do gol do título. A Seleção rejuvenesceu cinco anos. Média de 26.3 anos. O meio de campo não tinha jogadoras com mais de 25 anos e suportou a pressão do torneio.
Essa é praticamente a idade padrão das conquistas de Pia. Ela levou os Estados Unidos ao ouro em Pequim-2008 com um elenco que tinha média de 25,6 anos. Subiu para 28 no bi em Londres-2012, A Suécia ganhou a prata na Rio-2016 com time na casa dos 27,6 anos.
Se a renovação ainda não é suficiente para encarar as potências europeias, como mostraram vários amistosos neste ano, serviu para dar milhas a jovens jogadoras comprometidas com a evolução necessária para a Copa de 2023, na Austrália e na Nova Zelândia, e os Jogos de Paris-2024. Há pedras no caminho, que ainda assim é belo.
Em 2019, o Brasil ganhou a Copa América sem Neymar. Três anos depois, a Seleção é octa no feminino sem a Rainha Marta. As ausências dos dois camisas 10 fizeram bem nas duas campanhas. Tite e Pia tiveram de se reinventar sem os dois fora de série do país e foram aprovados no teste fogo. Ambos jogaram coletivamente — como deve ser na era moderna.
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