Paulinho fez gols, homenageou Vini e criticou o gramado do Mineirão. Foto: Pedro Souza/Atlético
O Flamengo recomprou Gerson. O Grêmio contratou Luis Suárez. O Internacional investiu na volta de Luiz Adriano. O Cruzeiro apostou em Henrique Dourado. Nenhum desses clubes deu tiro tão certeiro no mercado do que o Atlético-MG. A essa altura da temporada, Paulinho, emprestado pelo Bayer Leverkusen — e protagonista da virada por 2 x 1 contra o Athletico-PR nesta terça-feira, no Mineirão, pela quarta rodada da fase de grupos da Copa Libertadores da América —, é o melhor custo-benefício.
Se o Galo era Hulk + 10 desde 2021, agora podemos atualizar afirmando que a fórmula do time alvinegro é Hulk, Paulinho e + 9. Como o meia-atacante medalhista de ouro com a Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 está jogando bola! Impressionante. O cara é simplesmente o artilheiro isolado do torneio continental com sete gols. Que fase exuberante.
O desempenho pessoal impressiona. O engajamento também. Paulinho não se limita jogar futebol com excelência. Sabe usar a imagem para defender causas relevantes. Antes, durante e depois dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020, colocou em pauta a intolerância religiosa. Paulinho é candomblecista. Professa uma religião de matriz africana vítima de preconceitos no Brasil.
Paulinho ensina a respeitar a religião dele e a de todos. Lembro-me que o meia Kaká, eleito melhor jogador do mundo em 2007, era criticado por comemorar gols com os dedos indicadores apontados para o céu ou exibindo uma camisa escrito “I belong Jesus” (Eu pertenço a Jesus). Ele, Lúcio e Edmílson foram atacados quando ajoelharam no gramado de Yokohama para orar depois de o Brasil vencer a Alemanha por 2 x 0 na final da Copa do Mundo do Japão e da Coreia do Sul.
O craque do Galo abriu discussão sobre intolerância religiosa, mas também usa a força que tem para entrar no debate sobre o episódio de racismo contra Vinicius Junior. Manifestou-se com autoridade dentro e fora das quatro linhas. Celebrou gol com o punho fechado — gesto do movimento dos Panteras Negras — lembrando o centroavante Reinaldo, ídolo do Atlético-MG.
“O gesto foi para mostrar o apoio ao Vinicius. Jogamos juntos na seleção de base. A gente sempre participou dos períodos da seleção e sempre tivemos uma grande parceria. Ficamos tristes com o que aconteceu lá fora. Não cabe mais em nenhum lugar do mundo. Vamos lutar até o fim contra esse racismo ridículo que tem aqui e na Europa”, frisou, lembrando que não é só na Espanha ou na Alemanha, onde defendeu o Bayer Leverkusen por quatro temporadas.
A maturidade de Paulinho é totalmente necessária ao futebol brasileiro. Ensina a não olhar não somente para o próprio umbigo nas questões de intolerância religiosa e de racismo. De lambuja, detona os gramados do futebol brasileiro com toda a razão. O conhecimento de quem esteve nos melhores tapetes do Velho Mundo e exige o mínimo de respeito ao piso no “país do futebol”. Que ao menos na casa própria o Galo seja bem tratado.
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