Gabriel Barbosa e De Arrascaeta, os reforços do Flamengo
Como escrevi no Twitter, eu não contrataria Gabriel Barbosa e De Arrascaeta. Não acho maus jogadores. Longe disso, óbvio. Apenas questiono os valores envolvidos tanto na compra quanto no pagamento dos salários. Considero que o elenco do Flamengo é carente de laterais e de um bom volante para atuar ao lado do excelente Cuéllar. Algumas questões incomodam: o excesso de cartões do Gabigol — 17 amarelos e 1 vermelho em 2018 — e os apagões de Arrascaeta. Mas isso é problema para competente Abel Braga. Se a transferência de Diego para o Orlando City, dos Estados Unidos, se confirmar, mudarei de opinião. Aí, sim, considerarei a aquisição do uruguaio um acerto da nova diretoria.
Quanto a Gabigol, além da marra e de certa indisciplina, considero R$ 1,2 milhão por mês muita grana para quem não se firmou nas passagens por Internazionale e Benfica, e conquistou a artilharia de um Campeonato Brasileiro de baixíssimo nível técnico. Ah, da Copa do Brasil também.
Minha opinião à parte, a terça-feira de compras do Flamengo é simbólica. Muita gente sairá da zona de conforto. Veremos isso na partida desta quinta-feira contra o Ajax, da Holanda, na Florida Cup. Ninguém vai querer fazer o papel de “Pateta” na Disney. O elenco terá de convencer o técnico Abel Braga de que tem futebol para permanecer no competitivo elenco. Quem achava que tinha vaga cativa deve colocar as barbas de molho.
A vida de rico do Flamengo começou com a compra do centroavante Paolo Guerrero, dono da camisa 9 de 2015 a 2018. Gabriel Barbosa desembarca para assumir o algarismo até então abandonado. Arrascaeta é mais um ícone da ascensão rubro-negra. Anuncia um clube voraz no mercado internacional e agora também no nacional. Antes, o time havia adquirido o zagueiro Rodrigo Caio, do São Paulo, titular ao lado de Gabigol na conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio-2016. Ao menos no papel, é muito talento a serviço de Abel Braga, um técnico experiente, vencedor, com moral para colocar a turma do “biquinho” no devido lugar. Em 2012, levou o Fluminense de Diego Cavalieri, Jean, Thiago Neves, Wellington Nem, Rafael Sobis e Fred ao título do Campeonato Brasileiro. Portanto, sabe lidar com cobras criadas.
Os três reforços dão novas opções ao Flamengo. Rodrigo Caio começou a carreira atuando como volante. Tem facilidade para ocupar o espaço de Cuéllar quando necessário. Pode jogar também como líbero em uma linha de três zagueiros (3-5-2 ou 3-4-3). Abel Braga usou o sistema tático e as variáveis com sucesso na última passagem pelo Fluminense.
Gabriel Barbosa e Arrascaeta jogam em mais de uma posição. Além de cumprir o papel de centroavante, tem facilidade para jogar aberto na direita — território de Éverton Ribeiro e do colombiano Orlando Berrío. Arrascaeta foi até falso nove no Cruzeiro. A torcida rubro-negra lembra bem das atuações dele na final da Copa do Brasil de 2017 e da eliminação nas oitavas de final da Libertadores no ano passado. Arrascaeta esquenta a disputa por vaga na equipe com Diego, Éverton Ribeiro, e deixa os atacantes com uma pulga atrás da orelha. Se Gabigol, Uribe, Henrique Dourado e Lincoln negarem fogo, ele poderá tomar conta do pedaço.
O recado do Flamengo aos concorrentes é forte, com direito a negócio mais caro da história do futebol brasileiro ao adquirir Arrascaeta por R$ 76,5 milhões — valor anunciado pelos colegas setoristas do Cruzeiro Tiago Mattar e Rafael Arruda, de Minas Gerais . Entretanto, o rubro-negro continua sem combater as maiores “doenças”. Faltam laterais. Renê foi bem no ano passado, mas repetirá o desempenho em 2019? Pará e Rodrinei fazem hora extra no Ninho do Urubu. Ninguém se impõe no setor desde a saída de Leonardo Moura.
Cansada de comemorar reforços no aeroporto, a torcida do Flamengo espera, a partir de agora, festejar títulos no estádio, dentro do gramado. Aparentemente, o time para isso começa a sair do papel: Diego Alves; Rodinei, Léo Duarte, Rodrigo Caio e Renê; Cuéllar e Willian Arão; Éverton Ribeiro (Bruno Henrique), Arrascaeta (Diego) e Vitinho; Gabigol.
É um belo time. Boa sorte, Abel!
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