O tamanho do desafio de Antony: Brasil só levou para a Copa um jogador empregado na Holanda

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Tite acertou ao convocar o atacante Antony para as partidas contra Venezuela, Colômbia e Uruguai, em outubro, pelas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Qatar-2022. Merecido pelo que fez na campanha do bicampeonato do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio e ao processo de evolução com a camisa do Ajax. A cria do São Paulo se apresentará ao técnico da Seleção com um desafio enorme: figurar na lista final dos 23 convocados para o Mundial.

Não é fácil. Antony tem contra si um tabu. Presente nas 21 edições da Copa, o Brasil levou para o torneio apenas um jogador emprego na Holanda: Romário de Souza Faria. O Baixinho atuava no PSV Eindhoven quando foi escolhido por Sebastião Lazaroni para ir à Itália em 1990. De lá para cá, vários jogadores de ponta do país passaram pela Eredivisie, como é chamado o Campeonato Holandês, mas nenhum foi para a Copa vinculado a uma equipe daquela liga.

Romário nasceu fora de série. Quando foi para o Mundial de 1990, tinha no currículo o título do Campeonato Sul-Americano Sub-20 de 1985 com direito a artilharia; havia sido bicampeão do Carioca pelo Vasco sendo duas vezes goleador; ostentava uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Seul-1988; um título da Copa América como protagonista em 1989; e arrematado a artilharia da Champions League na temporada 1989/1990 ao lado do francês Jean-Pierre Papin, cada um com seis gols. Portanto, só um lunático deixaria o Baixinho fora da Copa do Mundo.

Não, Antony não precisa emular Romário para ser o segundo jogador em atividade na Holanda convocado pelo Brasil para a Copa. O ponta de 21 anos formado em Cotia precisa resolver um velho dilema de Tite: a carência de um jogador minimamente confiável para ocupa o lado direito do ataque canarinho. Na Era Tite, passaram para o setor Philippe Coutinho, Willian, Everton Cebolinha, Richarlison, Everton Ribeiro, Gabigol e até um colega de Antony no Ajax, o também ponta David Neres. Outros tantos foram improvisado naquele pedaço, como Gabriel Jesus.

A oportunidade chegou para Antony no momento em que ele está sob pressão no Ajax e tem correspondido. Antony desembarcou no clube holandês com a missão de suceder Hakim Ziyech, um dos jogadores mais influentes e criativos do Ajax por anos. Teve um ótimo começo, mas não se mostrou tão decisivo como Zyech. Perdeu espaço para David Neres e sentou-se no banco.

A pressão aumentou na última janela de transferências. Desconfiado com Antony, o Ajax buscou Steven Berghuis no concorrente Feyenoord. O brasileiro não somente ganhou concorrente como foi desafiado a entregar mais gols e assistências. O holandês de 29 anos marcou 21 gols e deu 14 assistências em 41 jogos na temporada anterior. Antony balançou a rede 11 vezes e deu nove assistências em 46 exibições. Nesta temporada, tem encontrado equilíbrio. Acumula dois gols marcados e duas assistências. Marcou neste sábado nos 3 x 0 contra o Groningen e no triunfo do mês passado diante do Vitesse na terceira rodada da Eredivisie.

O futebol holandês ama pontas. A torcida do Ajax gosta ainda mais de Antony por ele ser driblador, uma característica praticamente em extinção na Seleção Brasileira. A medalha de ouro em Tóquio turbinou Antony. Pressionou o técnico Erik ten Hag a encontrar outro espaço para Berghuis. Antony atua como winger pela direita no 4-2-3-1. Berghuis joga centralizado na linha de três armadores e Tadic completa o setor. O trio é responsável por abastecer o francês Sebastien Haller, sensação da primeira rodada da Champions League.

Antony sabe que terá concorrentes. Tite anda tão carente de um homem de confiança para o lado direito do ataque que testará, também, Raphinha do Leeds United. Se ambos não convencerem, voltará a usar Gabriel Jesus, Gabigol ou Everton Ribeiro aberto na direita enquanto Philippe Coutinho e Richarlison, outras opções para o setor, se recuperam clinicamente e fisicamente no Barcelona e no Everton, respectivamente. Por enquanto, recomenda-se a Antony assistir aos gols de Romário no YouTube. O número de camisa na Olimpíada ele escolheu certo: 11. Inspiração nunca é demais em busca de um sonho.

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Marcos Paulo Lima

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