O sofrimento de Abel para montar o Flamengo sem centroavante raiz e outros pitacos da superquarta

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Não ficarei surpreso se Fernando Uribe virar titular do Flamengo e/ou o clube endinheirado partir para a contratação de um centroavante capaz de desembarcar no Ninho do Urubu, vestir o “manto” e resolver. Os melhores trabalhos de Abel Braga contavam com um camisa 9 raiz. Foi assim com Fernandão no Internacional campeão da Libertadores e do Mundial em 2006. Foi assim com Fred no Fluminense na conquista do Brasileirão em 2012. Trabalhos difíceis também. Basta lembrar o sucesso de Pedro no Fluminense. Está claro que Abel sente dificuldade para jogar sem o chamado pivô. Gabriel Barbosa não tem essa característica. Bruno Henrique vem quebrando o galho. Ouso dizer que Henrique Dourado seria titular com ele. Guerrero e Leandro Damião, que passaram pelo clube recentemente, nem se fala. Os improvisos funcionaram no Carioca em partidas contra adversários fraquíssimos. Gabigol e Bruno Henrique deitaram e rolaram. Porém, os truques de Abel não encaixaram na Libertadores. Ao que parece, as adaptações também deixarão rubro-negros estressados nas 38 rodadas do Brasileirão. Ele adora dois pontas abertos e um centroavante raiz.

Mas o Flamengo não se complicou na Libertadores por causa da falta de um centroavante capaz de se enquadrar no pensamento previsível de Abel. O clube vai passar perrengue na última rodada contra o Peñarol, em Montevidéu, justamente devido ao contestado jeito jeito retrógrado de o treinador ver o futebol. É inaceitável um elenco como esse do Flamengo chegar ao terceiro mês da temporada sem padrão. Não há jogo coletivo. O time se escora nas individualidades. Bruno Henrique, Vitinho e Éverton Ribeiro tentaram decidir assim.

Lembrei aqui no blog na segunda-feira que o Flamengo coleciona três vexames na Libertadores de conquistas no Estadual. Foi assim em 2008, 2015 e 2017. Levei algumas pedradas nas redes sociais na véspera do jogo com a LDU por ressuscitar o tema. Entretanto, o time fez questão de fortalecer o tema daquele post. O raio pode, sim, cair no mesmo lugar pela quarta vez.

Concorrentes do Flamengo na Libertadores têm no elenco o que Abel Braga procura. Falta ao elenco dele um Fred do Cruzeiro; um Paolo Guerrero do Internacional; um Vágner Love ou Mauro Boselli do Corinthians; até mesmo Marco Ruben, do Athletico Paranaense. Quando improvisa Bruno Henrique de falso 9, Abel Braga perde a arrancada dele para puxar os contra-ataques. Gabriel Barbosa aberto na direita prejudica o desempenho de Everton Ribeiro. Há muito a consertar.

Por falar em conserto, Odair Helmann vai adaptando o Internacional a Paolo Guerrero. Pena que deve perdê-lo nas próximas partidas. O camisa 9 saiu lesionado na vitória por 1 x 0 sobre o Alianza. O importante é a classificação antecipada em primeiro lugar para as oitavas de final.

Ao contrário de Abel, Fábio Carille vai ajeitando o Corinthians, mostra evolução. A classificação contra a Chapecoense na Copa do Brasil foi no limite. Fiel ao estilo frio e calculista do treinador. A decepção da noite é o Santos de Jorge Sampaoli. O técnico mais ousado em atividade no país jogou feio na derrota para o Vasco, no Rio, mas conseguiu passar de fase na Copa do Brasil. Ao Vasco, resta encontrar um técnico rapidamente. Está demorando e o fantasma do rebaixamento não espera. Está de plantão na porta de São Januário.

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Marcos Paulo Lima

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