Chamada de “segunda divisão” por cartola, Copa Sul-Americana abre os braços para acolher o Atlético

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Onze meses depois de o Atlético-MG ser eliminado pelo San Lorenzo na fase inicial da Copa Sul-Americana, e de o presidente Sérgio Sette Câmara esnobar a competição chamando-a de “segunda divisão da Libertadores”, o Galo dá vexame na competição de elite. A queda na primeira fase depois da derrota por 1 x 0 para o Nacional do Uruguai nesta terça-feira mostrou que o problema do clube não é figurar na Série A ou B do continente, mas a falta de gestão, de zelo da atual diretoria com a conquista de uma vaga para qualquer torneio internacional.

O Atlético-MG foi despachado da Sul-Americana comandado por um técnico interino. Na época, a responsabilidade era de Thiago Larghi. O estepe herdara a prancheta de Oswaldo de Oliveira. A história se repete nesta temporada. Rodrigo Santana cai na Libertadores duas semanas depois de suceder o demitido Levir Culpi. Em ambos os casos, a cúpula alvinegra empurrou o problema com a barriga. Não teve a mínima pressa para ir ao mercado contratar um treinador minimamente capaz de domar o vestiário.

O experiente volante Elias disse depois do jogo desta noite que a diretoria precisa dar uma pausa na rotatividade dos técnicos. Sérgio Sette Câmara anunciará em breve o quinto nome diferente em um ano e meio de mandato. Roger Machado, Rogério Micale, Oswaldo de Oliveira e Levir Culpi foram triturados. Na semana passada, o cartola trocou o diretor de futebol pela terceira vez. Rui Costa assumiu o cargo depois das passagens de Marques e de Alexandre Gallo pela função. É muita mudança em pouco tempo. O escudo da atual administração é apontar o rombo financeiro herdado das gestões de Daniel Nepomuceno e de Alexandre Kalil.

O mundo dá voltas. Por ironia do destino, a Libertadores pode castigar a boca grande do presidente Sérgio Sette Câmara e “rebaixar” o Atlético-MG à Copa Sul-Americana. Terceiro colocado no Grupo E, o clube disputará a vaga para a “segunda divisão” com o Zamora na última rodada. Vale lembrar que os terceiros colocados na fase de grupos da Libertadores entram na segunda etapa da Sul-Americana, que está de braços abertos para receber quem um dia a desdenhou.

Em tese, restariam três possibilidades de título nesta temporada: Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e a Copa Sul-Americana. O Galo amarga jejum de 47 anos no Campeonato Brasileiro. Não fatura o título desde 1971. Logo, essa deveria ser a prioridade do clube daqui em diante. Não importa se o elenco é menos competitivo que os do Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Internacional e Palmeiras. Afinal, estamos falando do clube do mantra “eu acredito”. A Copa Sul-Americana deveria ser o plano B — trata-se de um título inédito. A Copa do Brasil seria a terceira opção. O mata-mata nacional é o torneio que oferece a melhor premiação, verdade, mas o clube levou a taça em 2014 com requintes de crueldade, ou seja, em cima do arquirrival Cruzeiro. Não adianta querer abraçar o mundo. A diretoria e o novo técnico precisam escolher um atalho par voltar à Libertadores em 2020.

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Marcos Paulo Lima

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