O peso do título da Supercopa Rei na reconstrução de um São Paulo copeiro

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De repente, um clube que ficava de mãos vazias diante do revezamento hegemônico de Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras no cenário nacional, se vê no alto do pódio recebendo taças em decisões contra dois primos ricos do futebol brasileiro. Assim o São Paulo reconstrói a fama de copeiro e devolve a autoestima a uma torcida carente de troféus como o conquistado nos pênaltis no marcante Choque-Rei com duas torcidas no Mineirão, em Belo Horizonte.

Em setembro, o São Paulo derrotou o Flamengo por 2 x 1 no placar agregado da final da Copa do Brasil. Triunfo enorme diante do clube mais rico do país. Dono do elenco mais caro, sortido e técnico. O tricolor finalmente saiu da fila nas competições nacionais. A última faixa de campeão havia sido aquela no Bezerrão, em 2008, no jogo do tricampeonato no Campeonato Brasileiro.

O São Paulo ganhou a Copa do Brasil e a Supercopa Rei em quatro meses. A mais nova vítima da reorganização é o Palmeiras. Mais uma taça na mão diante do maior rival. Assim como Thiago Carpini, Hernán Crespo havia conseguido na final do Campeonato Paulista de 2021. Ambos contra o alviverde imponente de Abel Ferreira. Estão deixando o São Paulo voltar a ser copeiro.

Embora o título inédito tenha sido conquistado nos pênaltis depois de um jogo fraco no tempo regulamentar, o São Paulo superou baixas importantes na Supercopa. Disputou a final sem o técnico Dorival Júnior e viu o sucessor Thiago Carpini montar um time criativo e competitivo. Jogou sem o vendido Beraldo, os lesionados Rodrigo Nestor e Lucas Moura nem relacionou o meia colombiano James Rodríguez para a viagem até Minas Gerais. Mesmo assim, fluiu.

Rendeu porque, entre outras razões, o São Paulo parece ter encontrado sucessor para Rogério Ceni. Protagonista nos pênaltis, Rafael não cobra faltas nem faz gol como o maior ídolo tricolor, mas tem vocação para herói na decisão por pênaltis. Brilhou ao defender as cobranças do zagueiro Murilo e do lateral-esquerdo Piquerez e aumentou o cantinho no coração da torcida.

O Palmeiras tem cabeça fria e coração quente para empilhar títulos com bola rolando, mas coleciona frustrações em decisões por pênaltis. Uma atrás da outra. Faltam competência e equilíbrio emocional. Claro, as ausências do lesionado Dudu e de Endrick, cedido ao técnico Ramon Menezes para o Pré-Olímpico, seriam diferenciais relevantes na decisão.

Acostumado a competir nas raias do Atlético-MG e do Flamengo, o Palmeiras sente o vice diante de um adversário inferior, mas cheio de vontade de voltar a fazer parte do pelotão de elite do futebol brasileiro. Estão deixando o São Paulo chegar, voltar a tomar gosto por títulos. Quando isso acontece com o clube do Morumbi, a promessa de um ciclo vitorioso vindo pela frente.

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Marcos Paulo Lima

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