O Grêmio voltou aos treinos nesta semana. Richard Ducker/AFP
Em meio a ajustes com o Ministério da Saúde sobre os protocolos para a retomada sem público das competições, e depois de receber um feedback com ressalvas ao Guia para Retomada Progressiva elaborado por médicos de clubes e da Confederação Brasileira de Futebol, a cúpula da CBF observa com tranquilidade a nova troca de comando na pasta em meio à pandemia do novo coronavírus. Nelson Teich pediu demissão nesta sexta-feira — 29 dias depois de suceder Luiz Henrique Mandetta no governo do presidente Jair Bolsonaro.
Questionado pelo blog se a mudança repentina emperra o processo de alinhamento com o governo para que a bola volte a rolar no país, o secretário-geral da entidade máxima do futebol, Walter Feldman, evitou polêmica. “O processo é absolutamente técnico. A equipe de técnicos é permanente. Mas não queremos entrar nisto. O nosso compromisso é com a saúde”, disse o dirigente da CBF, sustentando o discurso inicial do presidente Rogério Caboclo de que as competições nacionais só retornarão no país quando houver garantia das autoridades públicas de saúde.
Walter Feldman acrescentou ao blog que o debate é amplo e envolve profissionais de saúde. “São 140 médicos do futebol, infectologistas, epidemiologistas, entidades da medicina. Estamos confiantes, mas não vamos entrar nessa polêmica (da troca de ministros)”, finalizou.
O otimismo da CBF não significa pressa. Foi o que deixou claro o coordenador do protocolo nacional da CBF, Jorge Pagura, durante uma live do Companhia de Viagem realizada nesta sexta-feira no Instagram. “A CBF, na figura do presidente Rogério Caboclo, respeita totalmente as decisões que vêm dos órgãos federal, estadual e municipal. Não vai mexer uma palha para forçar nada”, avisou. “Há um mês e meio que estou trabalhando nesse projeto (de retomada do futebol) com médicos, epidemiologistas. Estamos totalmente prontos para voltar com a maior segurança dentro da sua atividade aqui no país. Quando o futebol fala todo mundo escuta. Nossa responsabilidade na execução do plano é muito grande”, explicou o neurocirurgião, coordenador médico da Copa América 2019 e do Mundial Sub-17 no ano passado, ambas realizadas no Brasil.
Peça-chave no diálogo com o Ministério da Justiça, Jorge Pagura falou na live sobre a nova troca de ministro. “Não é uma coisa boa essa troca. Não vai existir superministro porque é uma luta notável, mas inglória. Vamos ter que trocar o pneu com o carro andando. Precisamos de sinergia de ações numa pandemia. Não há sinergia e a culpa é geral”, criticou.
A comissão criada pela CBF concluiu o Guia para Retomada Progressiva em duas semanas no início de abril. Porém, teve dificuldade para encaminhar o dossiê ao Ministério da Saúde por causa da primeira crise, ou seja, a troca de Luiz Henrique Mandetta por Nelson Teich. A entidade recuou e preferiu aguardar pelos ajustes na nova gestão da pasta. Um mês depois, uma nova crise pode retardar o processo de alinhamento que estava em andamento.
Como publicou o colega Raphael Zarko no portal globoesporte.com, em 30 de abril, o Guia Médico de sugestões protetivas para retorno das atividades do futebol brasileiro foi confeccionado pela Comissão Nacional de Médicos da CBF. Participaram Nemi Sabeh Junior, médico da seleção feminina; os chefes dos departamentos médicos do Atlético-MG, Rodrigo Lasmar, que também é da Seleção; do Flamengo, Márcio Tannure; do Avaí, Luis Fernando Funchal; e da Ponte Preta, Roberto Nishimura. O infectologista Sergio Wey, do Hospital Albert Einstein, orientou os médicos.
“O processo é absolutamente técnico. A equipe de técnicos é permanente. Mas não queremos entrar nisto. O nosso compromisso é com a saúde. São 140 médicos do futebol, infectologistas, epidemiologistas, entidades da medicina. Estamos confiantes, mas não vamos entrar nessa polêmica (da troca de ministros)”
Walter Feldman, secretário-geral da CBF, ao blog
De acordo com a matéria do globoesporte.com, os médicos consultaram protocolos que estão sendo utilizados nas federações da Espanha, de Portugal e em alguns clubes do Japão e da Alemanha, como o Bayern de Munique e o Bayer Leverkusen. Por sinal, a Bundesliga será retomada neste fim de semana. Cada médico escreveu parte do documento. Em seguida, o texto foi entregue a Jorge Pagura, presidente da Comissão Nacional de Médicos para consolidar as sugestões e discutir as ideias.
Em 27 de abril, o ex-ministro da Saúde Nelson Teich confirmou que havia um diálogo pelo retorno do futebol. “Existe um pedido para avaliar o retorno de jogos sem público, da CBF. Isso é uma coisa que estamos avaliando. Nem tudo o que a gente avalia é para ser definido. Não é coisa definida ainda. Mas são algumas iniciativas que, de alguma forma, poderiam trazer uma rotina um pouco melhor para o dia a dia das pessoas”, disse.
No mesmo dia, o secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, confirmou a abertura dos diálogos pelo retorno do futebol. “Estamos conversando para garantir que os protocolos sejam adequados e tenhamos tempo para implementá-los. O que a gente pode dizer é que (a retomada do futebol) será em breve. O povo brasileiro está em casa, quer assistir ao seu jogo de futebol, e os campeonatos têm que continuar. Desde que, claro, não haja impactos sobre a saúde”.
No início deste mês, o Ministério da Saúde analisou o guia produzido pela CBF para a volta do futebol, deu parecer favorável ao reinício das competições, mas apresentou ressalvas ao documento. A pasta gerenciada até então por Nelson Teich sugeriu que a CBF “garanta a realização dos testes e avaliações constantes não apenas nos atletas, mas também que seja ofertado aos membros das comissões técnicas, funcionários e colaboradores, assim como os respectivos familiares e contactantes próximos”, diz o feedback do órgão.
“”Não é uma coisa boa essa troca (de ministro). Não vai existir superministro porque é uma luta notável, mas inglória. Vamos ter que trocar o pneu com o carro andando. Precisamos de sinergia de ações numa pandemia. Não há sinergia e a culpa é geral. A CBF, na figura do presidente Rogério Caboclo, respeita totalmente as decisões que vêm dos órgãos federal, estadual e municipal. Não vamos mexer uma palha para forçar nada. Há um mês e meio que estou trabalhando nesse projeto (de retomada do futebol) com médicos, epidemiologistas. Estamos totalmente prontos para voltar com a maior segurança dentro da sua atividade aqui no país. Quando o futebol fala todo mundo escuta. Nossa responsabilidade na execução do plano é muito grande”
Jorge Pagura, diretor médico da CBF, em live do Companhia de Viagem
O Ministério da Saúde também recomendava esclarecimentos ao fato de que “na proposta apresentada, não fica evidenciado onde serão realizados os testes, periodicidade e critérios de retestagem, e como serão assistidos caso o diagnóstico dos atletas seja positivo”. Alerta, ainda, que, “a disponibilização de testes rápidos no sistema de saúde encontra-se saturado diante das necessidades da população brasileira”.
Na época, a pasta comandada por Nelson Teich cobrava um plano mais elaborado por parte da CBF envolvendo outros órgãos governamentais e da sociedade civil, e o detalhamento das medidas de saúde, segurança e higiene que serão adotadas”.
A maior pressão pela volta do futebol partiu do presidente Jair Bolsonaro, que chegou a cogitar a realização de jogos do Campeonato Carioca no Mané Garrincha, em Brasília. A arena é um dos hospitais de campanha no apoio a pacientes da covid-19. “Não sou médico, mas nós entendemos que poderia começar a abrir jogos com critério e sem torcida no primeiro momento. Times de futebol, como Flamengo e Palmeiras, têm folha de pagamento milionária, estão sem dinheiro de imagem, alguns times já estão diminuindo salário. E futebol, em grande parte, não são os grandes jogadores. A grande maioria ganha na faixa de R$ 10 mil, R$ 15 mil, R$ 5 mil. Esse pessoal está sendo prejudicado também”, argumentou.
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