Nova temporada do futebol brasileiro ensaia o resgate das duplas de ataque

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O futebol brasileiro vive uma fase retrô no ataque. Nos anos 1980 e 1990, clubes e seleções tinham mania de escalar dois atacantes, seja por opção tática — 4-4-2 e 3-5-2 estavam na moda — ou qualidade técnica. O Brasil teve Muller e Careca nas Copas de 1986 e 1990. Depois veio Bebeto e Romário, em 1994. A dupla Ro-Ro de 1997. Bebeto e Ronaldo, em 1998. Ronaldo e Rivaldo no penta, em 2002. O Flamengo ostentou Sávio e Romário. O Baixinho também fez par com Euller no Vasco. Edmundo e Evair brilharam no Gigante da Colina. Que dupla! Marques e Guilherme no Atlético-MG.

Lá fora, a Holanda ganhou a Euro-1988 com Gullit e Van Basten. Maradona e Careca faziam diabruras no Napoli. Völler e Klinsmann levaram a Alemanha ao tri. Bergkamp e Henry encantavam no Arsenal. Saudades do Chile de Salas e Zamorano ou até mesmo do Uruguai de Luís Suárez e Cavani.

O Real Madrid tirou a velha moda do baú com Vinicius Júnior e Benzema. A Argentina apostava em Messi e Lautaro Martínez antes de trocá-lo por Julian Álvarez. Mbappé estava afinado com Giroud. Com diferentes adaptações, as seleções protagonizaram a final de todos os tempos no Catar.

As duplas de ataque ganham eco nos clubes do país. O Flamengo demorou a entender que Pedro e Gabi poderiam atuar juntos. Dorival Júnior trouxe a expertise do Santos, quando usava Gabi e Ricardo Oliveira, e deixou como legado para Vítor Pereira uma combinação perfeita. Afinada, a dupla começou 2023 mais entrosada.

Fernando Lázaro herdou a prancheta do Corinthians e configura o ataque alvinegro com Roger Guedes e Yuri Alberto. Começa a surgir uma sintonia fina entre eles. O Timão tem tudo para experimentar um ano artilheiro. O São Paulo projeta Luciano e Calleri. Rogério Ceni quer o brasileiro atuando como uma espécie de camisa 10 atrás do argentino. Tem insistido nisso neste início de temporada.

As duplas de ataque estavam em baixa por um certo abandono de um dos sistemas táticos mais convencionais: o 4-4-2. O 4-2-3-1 virou moda. Os treinadores usavam dois meias abertos ou um construtor e um ponta. O Fluminense joga assim, com uma linha de três abastecendo Cano.

Aí o 4-3-3 saiu do fundo do baú e o centroavante passou a ficar isola à espera do desequilíbrio dos extremos. Tite apostou nesse formato ao escalar Raphinha, Richarlison e Vini Junior. Abel Ferreira tenta fazer o mesmo no Palmeiras com Rony, Endrick e Dudu. Porém, o português é inquieto. É capaz de usar apenas Rony e Dudu como dupla de ataque ou até mesmo Raphael Veiga no papel de falso nove. Hulk joga assim no Galo.

Renato Gaúcho começa com Suárez e dois pontas, mas sabe como o uruguaio brilhou em parceria com Messi formando uma das duplas mais sensacionais da história. Nuances de um futebol brasileiro que vive momentos “De volta para o futuro”. Vive o presente, mas não deixa de reinventar soluções do passado como tirar da cartola a velha e boa dupla de ataque.

*Coluna publicada no último sábado (28/1) na edição impressa do Correio Braziliense.

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Marcos Paulo Lima

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