Na era dos pontas, um nove raiz fez o Palmeiras jogar e vencer o Bolívar

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O futebol vive a era dos extremos. A dependência dos pontas. Quem desfruta de um ou dois jogadores com essa característica tem meio caminho andado para o sucesso ou para engessar times taticamente no 4-3-3 ou no 4-2-3-1. O Palmeiras fugiu da obviedade na imponente vitória por 3 x 2 contra o Bolívar pela terceira rodada da fase de grupos da Copa Libertadores da América. Na altitude de 3.600m de La Paz, um centroavante foi o balão de oxig6enio alviverde. Flaco López deu fôlego e 100% de aproveitamento ao time de Abel.

O questionado argentino incorporou Evair na Bolívia, o histórico goleador do Palestra Itália no início da era Parmalat. Ele era arco e flecha no timaço de Vanderlei Luxemburgo bicampeão brasileiro em 1993 e em 1994. Brilhou depois na mesma função no Vasco de Antônio Lopes no reencontro com Edmundo na conquista do título nacional de 1997.

O centroavante argentino roubou a bola de Quintero no lance do primeiro gol do Palmeiras. Só não entrou com bola e tudo porque teve humildade, como diz a canção de Jorge Ben Jor.

Ele puxa o contra-ataque do segundo gol. Parte em velocidade com a bola dominada. Escolhe servir Facundo Torres e o uruguaio repassa a bola a Estêvão em uma linha de passe dentro da área do atordoado Bolívar e ampliar o placar nas alturas.

Quando o adversário cresceu, pilhou a torcida e deu sinais de que viraria a partida diante de um Palmeiras exausto e cada vez mais sem posse de bola, Flaco López surge como se fosse um ponta direita no setor ocupado costumeiramente por Estêvão, Felipe Anderson, Mayke ou Marcos Rocha e cruza para a área. Facundo Torres dá uma assistência atrapalhada e a bola chega aos pés de Maurício para definir a jogada e decretar a vitória.

Dizem que a concorrência eleva o nível do elenco. A chegada de Vitor Roque despertou Flaco López. A performance contra o Bolívar mostra um jogador disposto a vender caro a posição.  Ele simplesmente participou dos três gols exercendo diferentes funções. Posou de centroavante raiz no primeiro tempo, foi praticamente um meia no segundo e assumiu o papel de ponta no terceiro. Deu aula de como ser um “camisa 9” moderno.

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Marcos Paulo Lima

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