Gramado tinha padrão internacional após obra de R$ 1 milhão da Fifa para o Mundial Sub-17. Foto: Fifa/Getty Images
Construído por R$ 55.429.383,94. Estádio do histórico Brasil 6 x 2 Portugal, com os melhores do mundo de 2007 (Kaká) e 2008 (Cristiano Ronaldo) dentro das quatro linhas (assista ao vídeo). Palco da noite de gala de Luis Fabiano, autor de três gols. Cenário da briga entre Cristiano Ronaldo e Marcelo, que hoje são amigos. Endereço do sexto título brasileiro conquistado pelo São Paulo, em 2008, na vitória por 1 x 0 sobre o Goiás. Palco da abertura do Mundial Sub-17 entre Brasil x Canadá neste sábado, às 17h, e de outros 17 jogos — inclusive a final do torneio com início neste sábado — o Estádio Bezerrão é um pesadelo para cartolas, políticos e empresários.
Inaugurada em 19 de novembro de 2008 com direito a Romário como garoto-propaganda e homenagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma placa no estádio, a arena customizada pela Fifa para o Mundial Sub-17 ajudou a derrubar, por exemplo, um badalado ex-presidente do Barcelona. O blog apurou que o processo movido pelo Ministério Público contra Sandro Rosell foi transitado e julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em março deste ano. O processo referente ao polêmico amistoso entre Brasil e Portugal realizado no Distrito Federal foi trancado em fevereiro deste ano.
O gasto público de R$ 9 milhões na suposta contratação da empresa Ailanto Marketing Ltda. — que tinha Sandro Rosell como um dos sócios — para trazer as duas seleções ao Gama, também teve consequências drásticas para o então governador do DF, José Roberto Arruda; e para o presidente da Confederação Brasileira de Futebol na época, Ricardo Teixeira. Também foram denunciados e são citados no habeas corpus julgado em 26 de fevereiro deste ano o ex-secretário de esporte Aguinaldo Silva de Oliveira, o ex-presidente da FFDF, Fábio Simão e Vanessa Almeida Precht.
O despacho do ministro Nefi Cordeiro diz: “Assim, absolvidos os demais agentes pela não demonstração do dolo específico e limitando-se o agravo em recurso especial do Ministério Público a impugnar “o argumento central do acórdão, de que não se fez presente o dolo específico de causar dano ao erário, tratando-se de crime material, e não de mera conduta, conforme a redação do artigo 89 da Lei de Licitações”. De rigor, o provimento deste recurso para determinar o trancamento da ação penal, ainda que não julgado o agravo em recurso especial e não ocorrido o trânsito em julgado da absolvição no processo principal. Ante o exposto, voto por prover o recurso em habeas corpus para determinar o trancamento da Ação Penal”.
Os advogados de Sandro Rosell pediam o arquivamento do processo movido pelo Ministério Público desde maio do ano passado. Colecionou alguns fracassos, mas não desistiu. O imbróglio diz respeito à suposta contratação ilegal de uma empresa, a Ailanto Marketing Ltda., em nome de Rosell, para organizar o amistoso da Seleção em 2008, no Bezerrão. Os quatro advogados do catalão alegaram que os demais réus do processo — entre eles o ex-governador José Roberto Arruda —, foram absolvidos. Consequentemente, o cliente teria o mesmo direito. Ex-presidente da Nike no Brasil, Rosell estava preso até pouco tempo na Espanha por suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção em acordos com a CBF na era Ricardo Teixeira.
Rosell é acusado de ter “participado da contratação irregular da empresa Ailanto Marketing Ltda, de propriedade à época dos sócios Sandro Rosell e Vanessa Precht, pelo rito de inexigibilidade de licitação, para promover jogo de futebol amistoso entre Brasil e Portugal, na inauguração do Estádio Bezerrão, no Gama, em 19/11/2008, usando-se de capacidade técnica ideologicamente falsa”, diz a ação penal. O capital inicial da empresa, que firmou o contrato de R$ 9 milhões, era de R$ 800. Além disso, a Ailanto não comprovou experiência prévia em amistosos internacionais nem autenticou os documentos apresentados para a transmissão de direitos das seleções.
Em 21 de agosto do ano passado, o ministro do STJ suspendeu o processo em trâmite no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). “Desse modo, vislumbro a presença da plausibilidade do direito alegado e a iminência de constrangimento ilegal, requisitos autorizadores da concessão de medida urgente para suspender o andamento da Ação Penal até sua apreciação no julgamento de mérito pelo colegiado. Ante o exposto, defiro o pedido de liminar para suspender o trâmite da Ação Penal até o julgamento do presente writ”, assina Nefi Cordeiro.
As sucessivas tentativas dos advogados de Rosell foram motivadas pelo sucesso da defesa do ex-governador do DF, José Roberto Arruda. Em março do ano passado, o político condenado por improbidade administrativa e falsidade ideológica na Operação Caixa de Pandora chegou a gravar um vídeo vestido com a camisa verde do Gama para comemorar a absolvição. Arruda “agradece a Deus” por ter construído o Bezerrão, e diz que a obra marca profundamente a gestão dele.
Também comemora com ironia o fato de a Justiça tê-lo inocentado na denúncia do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) da suposta fraude na licitação para a contratação do amistoso de inauguração do Bezerrão. O serviço custou R$ 9 milhões aos cofres do GDF. Segundo os investigadores, o contrato celebrado pela Secretaria de Esportes do Distrito Federal com a empresa Ailanto Marketing Ltda., de Sandro Rosell, foi superfaturado. De acordo com a investigação, Ricardo Teixeira teria recebido R$ 705 mil de sócios da empresa.
“Respondi um processo porque eu trouxe a Seleção Brasileira para jogar com a seleção de Portugal na inauguração do Bezerrão. Isso me valeu um processo que, graças a Deus, ganhei de 3 x 0. Aí eu brinquei, né? Ganhei de 3 x 0 meu processo, mas o Brasil ganhou de 6 x 2”, tripudiou José Roberto Arruda.
Até pouco tempo, o Bezerrão virou sinônimo de maldição. O Gama não disputava sequer a Série D desde 2016. Atual campeão candango, participará da quarta divisão em 2020. Entre os nomes gravados na placa de inauguração da arena, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, está preso em Curitiba por causa da Operação Lava Jato. O ex-governador José Roberto Arruda sofreu processo de impeachment e continua inelegível. Ricardo Teixeira renunciou ao cargo de presidente da CBF e continua sob investigação do FBI em vários países.
Garoto-propaganda das obras e da inauguração do Bezerrão, Romário, que nã época não era político, vai bem. Derrotado na eleição para o governo do Rio de Janeiro, cumprirá mais quatro anos de mandato no senado.
A campanha estrelada por Romário dizia: “Com ele, Brasília sai na frente para ser uma das sedes da Copa de 2014”. A capital do país recebeu sete jogos no Mundial de 2014. No entanto, o Bezerrão, escolhido para ser ponto de apoio da competição na capital, foi ignorado pelas 12 seleções que passaram pelo DF.
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