Exclusivo: Ministério Público investigará denúncias de manipulação de resultados no Candangão 2021

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Sob possível ataque de uma máfia de apostadores, o Candangão 2021 será investigado. O blog apurou que o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) foi acionado e a Procuradoria dos Direitos do Cidadão (PDDC) expedirá ofícios para requisitar informações sobre jogos e dirigentes, e analisará possíveis indícios de irregularidades.

Embora vários cartolas tenham negado, desconversado ou tentado, em vão, manter a discrição sobre a possível contaminação do Candangão ao serem entrevistados por este jornalista, o MPDFT confirmou ao blog ter recebido denúncias e relatos de resultados pouco prováveis nos jogos do Campeonato do Distrito Federal. Três dirigentes pediram a ajuda do Ministério Público para apurar suposta manipulação dos resultados, entre eles, o principal interessado nos esclarecimentos: o presidente da Federação de Futebol do Distrito Federal, Daniel Vasconcelos — mandatário da entidade responsável pela organização da competição.

No centro da apuração estão, principalmente, as 36 partidas da primeira fase da edição deste ano. Há suspeita de arranjo em alguns placares. Pelo menos dois jogos são vistos com desconfiança. Em 2 de abril, o Formosa perdeu por 6 x 1 para o Samambaia. Uma casa de apostas prometia pagar alto por uma vitória por cinco gols de diferença. Chama atenção, também, a goleada do Ceilândia por 8 x 1 na última rodada da primeira fase.

Vários jogadores, alguns dirigentes e até árbitros teriam sido abordados para facilitar o esquema de manipulação de resultados mediante uma boa recompensa financeira. Um dos supostos assediados teria, inclusive, usado a expressão: “Dinheiros os caras têm, é jogo para empate”, disparou, referindo-se a uma suposta combinação de placar em uma rodada do Candangão.

Apesar do escândalo da Máfia do Apito no Brasileirão 2005, esquemas de manipulação de resultados são itinerantes no país e buscam cada vez mais competições de pouca visibilidade. Como alguns salários ou taxas são irrisórios ou nem pagos são, alguns atletas, árbitros e até dirigentes vivem de alimentar a cadeia de corrupção.

Parcerias de grupos supostamente ricos feitas a toque de caixa, pontualmente, com times pobres da competição também são observados com desconfiança. Uma fonte relata que alguns dirigentes admitem, inclusive, ter se sujeitado aos acordos para deixar de ser bobos a fim de ter um elenco minimamente competitivo para fazer frente a times de maior investimento no Distrito Federal, como Brasiliense e Real Brasília.

A primeira fase do Candangão aconteceu 20 de fevereiro a 9 de abril. No total, foram disputadas 36 partidas. Quatro times caíram para a segunda divisão: Real Brasília, Samambaia, Sobradinho e Formosa. A segunda começou na quarta-feira e está em andamento com Gama, Luziânia, Taguatinga e Unaí no Grupo C; e Capital, Brasiliense, Ceilândia e Santa Maria no D.

A denúncia de um possível esquema no Distrito Federal ocorre 16 anos depois do maior escândalo de manipulação de resultados no futebol brasileiro. Em 2005, um grupo de investidores havia negociado com o árbitro Edilson Pereira de Carvalho a garantia de resultados a quem havia apostado em sites. Promotores de Justiça de Combate ao Crime Organizado, em São Paulo, em parceria com a Polícia Federal, descobriram o esquema. Onze partidas da Série A foram anuladas e tiveram de ser disputadas novamente.

Apesar do escândalo da Máfia do Apito no Brasileirão 2005 e seus desdobramentos, esquemas de manipulação de resultados são itinerantes no Brasil e buscam desembarcar cada vez mais competições de pouca ou nenhuma visibilidade nacional, como a segunda e a primeira divisões do Candangão, por exemplo. No ano passado, uma reportagem dos colegas Fred Justo e Sérgio Rangel no programa dominical Esporte Espetacular da tevê Globo flagrou corrupção na quarta divisão do Campeonato Carioca.

Em 12 de dezembro de 2018, o então presidente da República, Michel Temer, flexibilizou as apostas esportivas no Brasil a promulgar a Medida Provisória 846. Imediatamente, houve um boom de patrocínios legalizados, como mostrou reportagem do Correio Braziliense em 10 de outubro de 2019. Na temporada passada do Brasileirão, por exemplo, 14 times estamparam uma dezena de cassinos online em seus uniformes: Atlético-MG, Vasco, Bahia, Botafogo, Ceará, Corinthians, Coritiba, Fortaleza, Flamengo, Goiás, Grêmio, Bragantino, Santos e São Paulo.

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Marcos Paulo Lima

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