Machismo no Paulistão: a fala inaceitável de Gustavo Marques

Compartilhe

Gustavo Marques conseguiu piorar uma das semanas mais vergonhosas do futebol nesse sábado na eliminação do Red Bull Bragantino contra o São Paulo pelas quartas de final da Campeonato Paulista. Como se não bastasse o episódio de racismo contra Vinicius Junior na última terça-feira, em Lisboa, e a homenagem dos jogadores do Vasco-AC a quatro jogadores presos, suspeitos de estupro coletivo, o zagueiro criticou a Federação Paulista por escalar uma mulher para apitar a partida na qual o time dele perdeu por 2 x 1 e deu adeus ao Estadual no estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista.

“Primeiramente, eu quero falar da arbitragem porque não adianta jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho”, disparou o beque em entrevista ao colega Ricardo Martins no canal TNT Sports (assista ao vídeo neste post).

Ele continuou: “Era o sonho da gente chegar à semifinal ou até à final, mas ela acabou com o nosso jogo. Eu acho que a Federação Paulista tem que olhar para os jogos desse tamanho e não colocar uma mulher. Todo respeito às mulheres do mundo, eu sou casado, eu tenho minha mãe, então desculpa se estou falando alguma coisa para as mulheres”, concluiu Gustavo Marques, reivindicando um pênalti no fim da partida.

A rodada deste sábado das quartas de final do Campeonato Paulista teve duas mulheres no apito. Daiane Muniz mediou o duelo entre Red Bull Bragantino e São Paulo. Em Barueri, Edina Alves foi árbitra da vitória do Palmeiras contra o Capivariano.

A Federação Paulista de Futebol se apressou em defender Daiane Muniz. “É com profunda indignação e revolta que recebemos a entrevista do atleta Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino. Uma declaração em relação à árbitra Daiane Muniz que reflete uma visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina, incompatível com os valores que regem a sociedade e o futebol. É absolutamente estarrecedor que um atleta, em qualquer circunstância, questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero. A FPF tem orgulho de contar em seu quadro com 36 árbitras e assistentes e continua trabalhando ativamente para que este número cresça”, contra-atacou a entidade.

Pressionado, Gustavo Marques pediu desculpas, mas não escapará do julgamento no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-SP). “Quero vir aqui a público para pedir perdão para todas as mulheres pela minha fala. Eu sei que eu sou ser humano, todo ser humano erra. Naquele momento, eu estava com a cabeça quente, estava nervoso, falei coisa que eu não deveria. Também fui ali na Daiane, pedi perdão para ela. Ela estava com uma assistente, também pedi perdão para ela, porque ela também é mulher. Acho que eu errei de ter falado”, manifestou-se em entrevista à beira do gramado.

“Estou aqui para pedir perdão para todas as mulheres do Brasil, do mundo. Até minha mulher me xingou também já pela minha fala. Minha mãe também, todo mundo já me ligou, já falou que eu não deveria falar. Estou sendo homem, estou sendo ser humano de vir aqui pedir perdão pela minha fala. E todo ser humano erra. Então, eu vi que eu errei. Estou aqui para pedir perdão para todas as mulheres do mundo”, disse o zagueiro.

Gustavo Marques também procurou a árbitra Daiane Muniz. “Ela aceitou meu perdão. Falou para tomar cuidado porque tem mulheres que não vão aceitar. Ela viu que eu estava nervoso, triste e amargurado”, relatou o jogador do Red Bull Bragantino.

A Federação Paulista de Futebol não pretende poupar Gustavo Marques. “A FPF encaminhará tais declarações à Justiça Desportiva para que esta tome todas as providências cabíveis”, encerra a nota publicada pela organizadora do Estadual.

NOTA DE REPÚDIO DO RED BULL BRAGANTINO

O Red Bull Bragantino vem a público reforçar o pedido de desculpas a todas as mulheres e, principalmente, à árbitra Daiane Muniz. O clube não compactua e repudia a fala machista do zagueiro Gustavo Marques, dita após a partida.

Ainda no estádio, o jogador e o diretor esportivo do clube, Diego Cerri, se dirigiram até o vestiário da arbitragem para pedir desculpas pessoalmente em nome da instituição e reconhecer o erro. Ambos também atenderam a imprensa no local.

Sabemos que o peso de uma eliminação é frustrante, mas nada justifica o que foi dito. Seja no futebol ou em qualquer meio da sociedade. O clube vai estudar nos próximos dias a punição que será aplicada ao atleta.

Leia também

Bi brasileiro, sul-americano e vice mundial: por que Lucas Piccinato caiu?

X: @marcospaulolima

Instagram: @marcospaulolima.jor

Marcos Paulo Lima

Publicado por
Marcos Paulo Lima
Tags: arbitragem feminina Campeonato Paulista Daiane Muniz Federação Paulista Gustavo Marques machismo no futebol misoginia Paulistão Red Bull Bragantino São Paulo FC TJD-SP

Posts recentes

  • Esporte

Bi brasileiro, sul-americano e vice mundial: por que Lucas Piccinato caiu?

  A tolerância zero com técnicos de futebol chegou ao futebol feminino. Atual pentacampeão da…

15 horas atrás
  • Esporte

Como a ingenuidade de Filipe Luís virou arma contra o Flamengo

As entrevistas coletivas de Filipe Luís são ótimas. Dificilmente deixam perguntas sem respostas. No entanto,…

2 dias atrás
  • Esporte

Gama sofreu apenas um gol em mata-mata com o técnico Luiz Carlos Souza

Luiz Carlos Souza tinha um tabu pessoal. O técnico do Gama jamais havia passado da…

2 dias atrás
  • Esporte

Botafogo sofre com a falta de variação tática sob o comando de Anselmi

O Botafogo acumula seis derrotas consecutivas na temporada. Perdeu duas vezes para o Fluminense e…

3 dias atrás
  • Esporte

Saída de Coutinho do Vasco expõe relação tóxica entre ídolos e torcidas

Philippe Coutinho é mais um ídolo a dar um basta na relação tóxica com torcedores…

3 dias atrás
  • Esporte

O papelão de Mourinho ao minimizar denúncia de racismo contra Vinicius Junior

José Mourinho é um dos melhores técnicos do século 21. Levou o Porto ao título…

4 dias atrás