Entrevista/Hilton: brasiliense do Montpellier promete segurar Cavani para ajudar Neymar

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Aos 40 anos, o zagueiro brasiliense Vitorino Hilton da Silva treinou a semana inteira pensando que enfrentaria Neymar. Não será dessa vez. O atacante está fora do duelo deste sábado entre Montepellier e Paris Saint-Germain, no Stade de la Mosson, pelo Campeonato Francês. Com dores no pé, o camisa 10 do PSG está fora da lista de convocados pelo técnico Unai Emery.

Apesar da ausência de Neymar, Hilton avisa: vai jogar por Neymar. Como assim? Com 13 anos de experiência na Ligue 1, o campeão francês por Montpellier (2011/2012) e Olympique de Marselha (2009/2010) diz em entrevista ao blog que pretende parar Cavani a fim de impedi-lo de abrir vantagem sobre Neymar na artilharia. Fã do jogador indicado pela Fifa ao prêmio de melhor do mundo em 2017, Hilton conta o que seria capaz de fazer se Neymar estivesse em campo neste sábado. eu seria capaz de tomar a bola da mão do Cavani e entregar para o Neymar (risos).

Nascido no Distrito Federal, Hilton tem uma história curiosa. Só defendeu times amadores na capital do país. Não vestiu a camisa de nenhum time da capital do país. O início da carreira foi em Santa Catarina. Começou na Chapecoense, aventurou-se na Europa e está em sua 13ª temporada na Ligue 1. O camisa 4 tem moral: é o capitão do Montpellier.

Esperava enfrentar o Neymar?

Com certeza. Seria a primeira vez contra ele. É uma pena que tenha machucado o pé, seria muito encontra-lo, enfrenta-lo. O lado bom é que a ausência vai ajudar o nosso time (risos).

A ausência do Neymar diminui a dificuldade do jogo?

Que nada, o PSG é um grande time do goleiro ao Cavani.

Por falar no Cavani, você é um dos responsáveis por marca-lo. Você também vai jogar pelo Neymar, ou seja, para não deixar o uruguaio fazer gol?

Tenho que segurá-lo, vou tentar dar uma força para o Neymar, mas não é fácil, não. O homem é um grande jogador. Independentemente da dificuldade e do respeito que tenho por ele e pelo time do PSG, eu acho que nós temos uma vantagem. Todos eles estão muito focados no jogo do meio de semana da Champions League. Nós podemos tirar proveito disso.

Qual é a sua opinião sobre a polêmica entre Neymar e Cavani?

Se o Neymar fosse jogar aqui, eu seria capaz de tomar a bola da mão do Cavani e entregar para o Neymar (risos). Agora falando sério, esse tipo de discussão é normal no futebol. São dois goleadores, só que a imprensa viu, o mundo inteiro viu e colocou lenha na fogueira. São jogadores de altíssimo nível. Tenho certeza de que vão ensinar o Bayern a jogar.

Mas não foi o Unai Emery quem com colocou lenha na fogueira ao não determinar quem bate pênaltis, faltas… Como é aí no seu time, no Montpellier?

O técnico sempre definiu isso em todos os clubes em que passei. Todos sabiam quem batia pênalti, falta de um lado, falta do outro, escanteios. Eu, por exemplo, sou o capitão do time. Mas, às vezes, dentro de um jogo, um ou outro sempre acha que está melhor para assumir determinados lances e surge esse tipo de polêmica. Não tem nada demais, é do jogo.

Você percebe alguma mudança na Ligue 1 após a chegada do Neymar?

A chegada dele foi muito boa, lembra muito quando o Zlatan (Ibrahimovic) veio jogar no PSG. O Neymar causou muito impacto, valorizou muito o Campeonato Francês, estão olhando a competição com outros olhos.

  • QUEM É
    Vitorino Hilton da Silva
    Nascimento: 13/09/1977
    Local: Brasília (DF)
    Posição: zagueiro
    Clube: Montpellier (desde 2011)
    Clubes anteriores: Chapecoense (1996-1999), Paraná (2000-2001), Servette (2002-2004), Bastia (2004), Lens (2004-2008), Olympique de Marselha (2008-2011)
    Títulos
    Paraná Clube
    Copa João Havelange – Módulo Amarelo (2000)
    Olympique de Marselha
    Copa da Liga Francesa (2010 e 2011), Campeonato Francês (2010) e Supercopa da França (2010).
    Montpellier
    Campeonato Francês (2012)

Você fala com a experiência de quem joga o Campeonato Francês desde 2004…

Sim, eu jogo aqui na França desde 2004. São 13 temporadas e dois títulos, um pelo Montpellier e outro com o Olympique de Marselha.

Nunca pensou em voltar ao Brasil?

Até pensei, mas a minha família está muito estruturada aqui. Eu saí do Brasil em 2001.

Você nasceu no Distrito Federal. Defendeu algum time daqui?

Nenhum. Eu comecei aí em Brasília, mas jogando em times amadores. Fiz um teste no Gama, só que não deu certo. Depois eu fui para Santa Catarina, consegui vaga na Chapecoense, virei jogador profissional  e estou aqui na França até hoje.

Você sentiu bastante a tragédia aérea da Chapecoense…

Sim, no avião estava um massagista do tempo em que eu comecei lá na Chapecoense.

O Montpellier foi campeão francês em 2011/2012. Qual é a meta em 2017/2018?

Nós tivemos uma perda grande aqui, que foi o presidente Louis Nicollin. Isso causou uma tristeza, um impacto muito grande. A nossa meta é o meio da tabela. Se terminarmos entre os os 10 melhores será ótimo.

Marcos Paulo Lima

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