Blog Drible de Corpo
Marcos Paulo Lima
Esporte 4 min de leitura
Goleiros viram carta de intenções de Carlo Ancelotti para a Copa de 2030
Marcada para o próximo dia 9, a primeira convocação do novo ciclo indicará se o técnico italiano iniciará a renovação no gol ou manterá a hierarquia dos últimos dois mundiais
A primeira convocação de Carlo Ancelotti para os amistosos contra Austrália e Índia no início do ciclo rumo à edição centenária da Copa do Mundo de 2030 está marcada para o próximo dia 9, às 15h, na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na Barra da Tijuca, no Rio.
Ouso dizer que os três primeiros nomes anunciados pelo italiano funcionarão como balizador, uma espécie de carta de intenções do técnico para essa e outras posições com demanda por renovação.
Estamos acostumados, há bastante tempo, a ouvir “Alisson, Ederson e Weverton” abrindo a lista. Quase invariavelmente nessa ordem.
Três grandes goleiros. Dois deles vencedores do Troféu Lev Yashin, concedido ao melhor do mundo na posição. Gratidão ao trio pelos serviços prestados à Seleção.
Alisson, o titular, e Ederson, reserva, foram campeões da Copa América de 2019, no Maracanã.
No mesmo estádio, Weverton defendeu um pênalti e ajudou a brindar o país com a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio-2016.
Os próximos quatro anos, porém, pedem renovação entre as traves.
Carlo Ancelotti confirmou essa necessidade depois da Copa na entrevista aos colegas Cahê Mota e Felipe Brisolla no GE:
“Acho que temos que observar novos goleiros. E há novos goleiros. Há goleiros jovens que estão jogando no Campeonato Brasileiro, que temos que olhar. Levando em conta as qualidades que segue tendo o Alisson, segue tendo o Ederson. A ideia é fazer uma avaliação muito atenta dos novos goleiros”, afirmou.
Isso em tese. Veremos na prática no próximo dia 9.
Nada impede Alisson ou Ederson de disputar a Copa de 2030 caso apresentem padrão de excelência até lá. Dino Zoff foi o capitão da Itália em 1982 e ergueu a Copa aos 40 anos, quatro meses e 13 dias. Seria até natural.
Mas chegou a hora de Ancelotti e do preparador de goleiros Taffarel oferecerem rodagem a uma nova geração. Cabe ao torcedor o mínimo de paciência com os candidatos até o primeiro grande teste do ciclo: a Copa de 2028.
Há alguns pontos de partida.
Taffarel tem investido em Bento. Ancelotti aprecia Hugo Souza.
O italiano enxerga no goleiro do Corinthians características de Dida, personagem especial de duas conquistas da Champions League sob o comando dele: em 2003, na decisão contra a Juventus, com direito a defesa de pênalti do baiano, e em 2007, diante do Liverpool.
Antes da Copa do Mundo de 2026, Ancelotti também convocou John, atualmente reserva do Nottingham Forest, da Inglaterra.
Outros jovens começam a chamar a atenção. Titular do Cruzeiro, Otávio foi o número 1 do Brasil no Mundial Sub-20 do ano passado, no Chile. Aproveitou a ausência do experiente Cássio para cuidar bem da meta celeste.
Na Europa, Kauã Santos ganha experiência vinculado ao Eintracht Frankfurt, da Alemanha. Micael parecia despontar no Athletico-PR, mas perdeu espaço para Santos. Pedro Morisco, do Coritiba, também merece atenção. Léo Nannetti chegou a treinar com a Seleção nos Estados Unidos, embora seja atualmente o terceiro goleiro do Flamengo.
Ancelotti também pode optar por uma faixa intermediária. Nem tão jovens, nem veteranos demais para a função.
Carlos Miguel, do Palmeiras; Léo Jardim, do Vasco; Gabriel Brazão, do Santos; Lucas Perri, do Torino; e Luiz Júnior, do Villarreal, ampliam o leque de possibilidades.
A primeira lista do novo ciclo dirá muito mais do que simplesmente quais serão os três goleiros chamados. Poderá revelar se Ancelotti pretende preservar a hierarquia construída durante anos ou se considera chegada a hora de iniciar, definitivamente, a sucessão.
A resposta começará pelas mãos.