Blog Drible de Corpo

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Marcos Paulo Lima

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Bets: Lula aposta em pacote de bondades para driblar climão com clubes

Após proibir patrocínios por MP, Planalto tenta contornar insatisfação no futebol e estuda linha de crédito de R$ 20 bilhões via BNDES para reestruturar dívidas de equipes e SAFs

Lula tentará resolver a bola dividida com os times a cinco dias das eleições. Foto

Depois de “morder” os clubes via Medida Provisória (MP) na última sexta-feira proibindo as bets, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promete “assoprar”. O governo planeja sentar-se com representantes dos clubes impactados pelo veto para avaliar uma ajuda. Entre os dirigentes, há um clima de insatisfação com o fato de eles serem convidados para apresentar o diagnóstico ao Planalto com a decisão consumada.

A confirmação partiu do ministro da Fazenda, Dario Durigan, depois da oficialização da MP”Por determinação do presidente Lula, vamos chamar tanto os clubes de futebol quanto as federações para entender qual é o real impacto. Caso seja necessário, caso essa seja a avaliação do governo, vamos adotar uma medida na sequência”, afirmou.

Dos 20 clubes da Série A, 14 têm acordo de patrocínio máster com bets. O setor injeta por ano mais de R$ 1 bilhão no espaço nobre das equipes da primeira divisão. Como mostrou o blog na última quinta-feira, os presidentes começaram a ser notificados pelas bets do risco de rescisão dos acordos na noite de quinta-feira, véspera da assinatura da MP. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é outra atingida. Os naming rights do Brasileirão e da Copa do Brasil pertencem à empresa líder.

Diante da revolta dos clubes, Lula tem como uma das alternativas um socorro financeiro para o pagamento de dívididas por meio de financiamento Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Houve conversas preliminares no mês passado com dirigentes do Internacional e do Corinthians intermediadas justamente pela CBF.

Uma das ideias é a confecção de uma MP para socorrer os clubes batizada de Programa Nacional de Reestruturação Financeira do Futebol Profissional. Uma linha de crédito de R$ 20 bihões seria disponibilizda para clubes e SAFs. A exemplo de outros programas os juros do BNDES para empréstimo seriam camaradas. Em princípio, não se fala em perdão dos débitos.

De acordo com o Relatório Convocados apresentado em maio pelo economista Cesar Grafietti depois da divulgação dos balanços financeiros, a dívida acumulada pelos times da Série A do Campeonato Brasileiro ainda é superior à receita: chegou a R$ 17,3 bilhões. O crescimento é de 15%. Atlético-MG, Botafogo e Corinthians respondem por 43% do montante. Os times da elite arrecadaram juntos R$ 14,3 bilhões em 2025 — período ao qual se refere o estudo.

Fonte: Relatório Convocados 2026 (César Grafietti)

Dono da maior receita com R$ 1,9 bilhão, o Flamengo não se considera prejudicado tanto pelo veto às bets como por um possível socorro financeiro do governo. “O Flamengo tem uma situação muito peculiar, que o Flamengo não tem dívida com nada, nem ninguém. O Flamengo não deve um centavo a ninguém. O Flamengo não tem dívida pública, o Flamengo não precisa de nenhum tipo de apoio nesse sentido. Eu acredito que vários clubes no Brasil aceitariam isso, mas eu não acho que deve ter qualquer conexão com algo que é absolutamente legal e que está no Brasil. Eu acho que uma coisa não tem a ver com a outra. Uma coisa não compensa a outra, na nossa opinião”, disse o presidente rubro-negro Luiz Eduardo Baptista, o Bap, em entrevista ao Poder 360.

O Relatório Convocados coloca o Flamengo em 11º lugar no ranking das dívidas. O valor estimado dos débitos é de R$ 721 milhões. “A gente estima que as perdas imediatas de receita para o ano que vem sejam de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões e, sem um preparo prévio, é absolutamente impossível que você consiga estancar essa sangria”, projeta Bap.

Alguns clubes se manifestaram em nota. O Grêmio havia assinado acordo com bet na última quarta-feira. “O clube aguardará os desdobramentos do tema nos próximos dias, a partir da publicação da medida pelo Governo. A dimensão do impacto dessa decisão sobre as receitas da indústria do futebol precisará ainda ser mensurada pelos clubes e entidades esportivas de todo país”, escreveu a cúpul tricolor em nota oficial.

O Fluminense também se pronunciou. “O clube assumiu compromissos financeiros para este e os próximos anos contando com esses recursos. Um exemplo concreto: as lojas do Fluminense têm seis meses de estoque de camisas com a marca do patrocinador master. Uma mudança abrupta gera prejuízos e pode custar milhares de empregos em toda a cadeia”, diz um trecho da nota oficial do clube semifinalista da Libertadores. “Defendemos, no mínimo, um período de transição adequado caso haja mudanças. O caminho deve ser guiado por dados concretos e pela efetividade de cada alternativa”, conclui o comunicado.

Fonte: Relatório Convocados (César Grafietti)