Formado no DF, juiz Wilton Pereira Sampaio vai à Copa após ser considerado baixinho por Armando Marques

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Discreta, pouco badalada, mas competente, eficiente e influente, a escola de formação de árbitros de futebol do Distrito Federal mantém a tradição de emplacar ex-alunos na Copa do Mundo. Depois do auxiliar Jorge Paulo de Oliveira (2002) e do juiz Sandro Meira Ricci (2014 e 2018), Wilson Pereira Sampaio está relacionado para ser um dos homens do apito do Brasil no Qatar, a partir de 21 de novembro. Diplomado na turma de 2000 em Brasília, o goiano de Teresina desembarcou no quadrado aos 15 anos e começou nos gramados da capital do país antes de pedir transferência, em 2012, para o estado natal a fim de conquistar o selo Fifa. Como o amigo Sandro Meira Ricci já tinha o selo pelo DF, ele partiu rumo à cidade vizinha a fim de apressar o dele.

Wilton Pereira Sampaio irá à Copa pela segunda vez. Na primeira, em 2018, na Rússia, fez parte da equipe de árbitros de vídeo. Dessa vez, irá ao Mundial com o colega paulista Raphael Claus. Portanto, o Brasil terá dois mediadores no torneio. Além deles, foram relacionados os auxiliares Neuza Inês Back, Bruno Boschilla, Rodrigo Figueiredo, Bruno Pires e Danilo Simon. O país não teve profissionais relacionados para o VAR.

Irmão do também árbitro Savio Pereira Sampaio, outro juiz formado na escola do Distrito Federal, Wilton cumpre uma profecia feita ao Correio Braziliense em 2018. numa entrevista ao colega Victor Gammaro, o agora comentarista da Central do Apito do Grupo Globo cravou o nome do árbitro do país em 2022.

“Wilton Pereira Sampaio. Eu comecei com ele, não o contrário. Ele é um árbitro daqui (Teresina de Goiás), tem vasta experiência nacional e internacional, além da experiência no arbitro de vídeo. É um profissional que fez vários jogos de Eliminatórias (para a Copa do Mundo), como aquele Argentina x Peru, o mais complicado da competição na minha opinião. Ele foi lá e resolveu. É o árbitro que estará na Copa América do ano que vem (2019) e está na frente dos outros. Só depende dele”. opinou.

Quatro anos depois, a profecia está cumprida. Mas Wilton Pereira Sampaio nem sempre dependeu somente dele para alcançar o mais elevado patamar na carreira. Ele chegou a sofrer resistência interna na Comissão de Arbitragem da CBF. Uma fonte contou ao blog que o ex-chefão do órgão na entidade máxima do futebol do futebol brasileiro questionava o tamanho dele (1,73m). Estimulado a observar o jovem profissional a fim de utilizá-lo mais vezes em competições nacionais, Armando Marques respondeu ao interlocutor ao conhecer Wilton pessoalmente em um evento realizado no Distrito Federal para profissionais da Região Centro-Oeste: “Aquele é o árbitro do qual você falou? Esquece! ele é muito baixinho”, descartou.

O manda-chuva da arbitragem chegou a ser lembrado de que o brasileiro Romualdo Arppi Filho não tinha estatura elevada e mediou a final da Copa do Mundo de 1986 entre Argentina e Alemanha, no México. Nem esse argumento foi capaz de convencer o turrão Armando Marques a dar moral ao emergente Wilton Pereira Sampaio.

O árbitro só começou a ocupar as principais vitrines do futebol brasileiro depois da saída de Armando Marques na crise provocada no Brasileirão pela Máfia do Apito de 2005. Acumulou milhas em competições nacionais, conquistou o selo Fifa, ganhou o mundo em torneios como a Libertadores, Sul-Americano, Copa América, Sul-Americano Sub-17, Recopa Sul-Americana, Mundial de Clubes da Fifa e esteve na Copa Árabe no fim do ano passado, no Qatar, no último grande evento teste do país antes do Mundial. Mediou os duelos entre Qatar e Omã, Síria x Mauritânia e Marrocos x Argélia pelas quartas de final. E o diferencial: esteve na Copa da Rússia, em 2018, trabalhando como auxiliar no VAR. A experiência pesou. Era a prova final de que o “baixinho” descartado por Armando Marques estava, sim, à altura de ser um dos árbitros do Brasil na Copa do Mundo 2022.

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Marcos Paulo Lima

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