Com Dorival, Flamengo tem seis vitórias, três empates e uma derrota. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
Pela segunda vez em três anos, o Flamengo supera a pontuação do último título brasileiro que conquistou. Em 2018, chega aos 69 pontos. Na temporada de 2016, a equipe rubro-negra, sob o comando de Zé Ricado, fez 71. Na campanha vitoriosa de 2009, o time do técnico Andrade faturou a taça e deu a volta olímpica no Maracanã com 67. Histórias, contextos diferentes. Como distintos são os campeonatos na era dos pontos corridos. O Flamengo, de Adriano e Petkovic, é lembrado na frieza dos números como o “pior” campeão na quantidade de pontos absolutos, o que não significa necessariamente que seja o pior time na comparação entre os vencedores desde 2003, quando o atual sistema de disputa entrou em vigor.
O Flamengo teve (e ainda tem) chance de impedir o título do virtual — e merecidamente — decacampeão Palmeiras. Dificilmente conseguirá, entre outros motivos, por causa da falta de sensibilidade da atual diretoria. Maurício Barbieri fez um baita trabalho neste Brasileirão. É um bom e promissor profissional. No entanto, havia chegado ao limite. Era preciso mudar. Para variar, a cúpula rubro-negra demorou. O desempenho do sucessor dele é a prova disso.
Dorival Júnior assumiu o Flamengo com a missão de comandá-lo em 12 partidas. Em 10, acumula seis vitória, três empates e uma derrota. Aproveitamento de 70%. Em cada um dos três empates, houve pelo menos uma oportunidade crucial de gol. Willian Arão na estreia de Dorival contra o Bahia; Lucas Paquetá diante do Palmeiras, no Maracanã; Vitinho e Uribe lá no Morumbi no confronto com o São Paulo.
Quando Dorival Júnior assumiu, em 28 de setembro, escrevi aqui no blog o texto “Por que Dorival Júnior pode dar certo no Flamengo”. Apontei três fatores: o alinhamento ao legado de Maurício Barbieri, ou seja, o gosto pela posse de bola; a agressividade do ataque do Santos vice-campeão em 2016; e a lembrança do Corinthians de Antônio Lopes. Em 2005, o Delegado levou o Timão ao título em 69 dias. Dorival completará 64 dias de trabalho em 2 de dezembro. O milagre aconteceu com Antônio Lopes, mas dificilmente se repetirá com Dorival Júnior.
O técnico desembarcou no Flamengo com faca entre os dentes, sabendo que, diante dele, estava a melhor oportunidade da vida para ganhar o título que lhe falta no currículo. As principais conquistas são a Copa do Brasil 2010 à frente de Neymar, Robinho e Ganso; a Série B pelo Vasco, em 2009; o Campeonato Paulista em 2010 e em 2016; o Gaúcho e a Recopa Sul-Americana pelo Internacional em 2012; e estaduais menos expressivos por Figueirense (2004), Sport (2006), Fortaleza (2005) e Coritiba (2008).
O novo técnico chegou com brilho nos olhos, mas parte do elenco continuou apresentando um comportamento indiferente. Do time que começou a partida contra o Grêmio — César; Pará, Réver, Rhodolfo e Renê; Willian Arão e Cuéllar; Éverton Ribeiro, Diego e Vitinho; Uribe — apenas dois jogadores já foram campeões brasileiros. Diego como protagonista do Santos no longínquo 2002. Éverton Ribeiro no papel principal do bi do Cruzeiro, em 2013 e 2014. Mais uma prova de que a conquista inédita deveria ser obsessão.
A lição é a seguinte: nem sempre é possível juntar a fome de Dorival pelo título com a (má) vontade de ganhar em um elenco tão blasé.
Pontuação dos campeões da Série A 2003: Cruzeiro (100)* 2004: Santos (89)* 2005: Corinthians (81)** 2006: São Paulo (78)*** 2007: São Paulo (77) 2008: São Paulo (75) 2009: Flamengo (67) 2010: Fluminense (71) 2011: Corinthians (71) 2012: Fluminense (77) 2013: Cruzeiro (76) 2014: Cruzeiro (80) 2015: Corinthians (81) 2016: Palmeiras (80) 2017: Corinthians (72) *24 clubes **22 clubes ***20 clubes de 2006 em diante
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