Flamengo controla LDU na altitude, mas anda vulnerável a pegadinhas táticas

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Um dos pré-requisitos para fazer boa partida na altitude é a posse de bola. Retê-la, claro, impede a posssibilidade de o adversário acelerar o jogo. O Flamengo teve 57% contra 43% da Liga Deportiva Universitária no empate por 0 x 0 desta terça-feira, a 2.850m, em Quito, pela terceira rodada da fase de grupos da Copa Libertadores da América. Houve picos de 64% no primeiro tempo. O time rubro-negro controlou a LDU na maior parte do confronto. Faltaram contundência e uma análise mais aprofundada sobre o adversário. Filipe Luís foi surpreendido.

Vamos por partes. O técnico desejava iniciar a partida com Plata. A lesão do equatoriano no joelho esquerdo gerou o primeiro contratempo. Juninho entrou como referência do ataque no sistema tático 4-2-3-1. O par de volantes formado por Evertton Araujo e Pugar cumpriu o papel de cobrir os laterais Wesley e Ayrton Lucas. Ambos ficaram liberados para apoiar. Na recomposição, Pulgar protegia as costas de Ayrton Lucas e Evertton blindava Wesley.

Arrascaeta no primeiro tempo e Luiz Araújo no segundo desperdiçaram as melhores tramas do Flamengo. Um dos êxitos de Filipe Luís foi a segurança da defesa. Léo Ortiz e Danilo fizeram bela partida. A LDU até anotou gol, mas o lance foi corretamente invalidado por impedimento. A cabeçada de Estrada nos acréscimos da etapa final poderia ter implodido o planejamento.

O Flamengo não balançou a rede pelo segundo jogo consecutivo. Gastou quase tudo nos 6 x 0 contra o Juventude, na semana passada, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro. O ataque não funcionou contra Vasco e LDU. Bruno Henrique é figura apagada desde que ele e familiares foram indiciadas por um suposto esquema de manipulação de resultados.

O elenco do Flamengo é descompensado no ataque. Há muitos pontas, mas nenhum deles tem vocação para artilheiro, ou seja, capaz de finalizar com a previsão exigida pelo padrão de excelência de time de ponta como o Flamengo. Isso explica o pesssimo índice de acerto nas finalizações. Chutes precipitados, erros nas tomadas de decisão, finalizações descalibradas.

Um detalhe chama a atenção. É o segundo jogo em que Filipe Luís se diz surpreendido pelo técnico adversário. Foi assim na estreia contra o Deportivo Táchira da Venezuela e nesta terça diante da LDU. Os observadores técnicos do treinafor rubro-negro podem estar vacilando na análise dos adversários e deixando Filipe Luís às escuras na confecção dos dossiês.

Contra o Táchira, ele ficou surpreso com o sistema de jogo. Diante da LDU, com o cerco em Arrascaeta. “Eles fizeram uma pequena mudança, jogaram com dois volantes. Um deles marcou o Arrascaeta praticamente o jogo todo. Mas isso nos dava a oportunidade de sair. O difícil era acelerar. O Gerson recebeu um passe que seria perfeito para o Everton, mas seria se fosse ao nivel do mar. Nós optamos por um jogo de controle, para evitar a pressão do adversário. Mas pelo que eu vi do jogo do Táchira, a LDU dominou todo o segundo tempo e teve 15 cruzamentos para a área. Aqui, só conseguiu (ter volume) nos últimos cinco minutos. Estou feliz pelo esforço que meus jogadores fizeram porque é dificil jogar aqui”, ponderou.

O discurso foi semelhante ao da vitória contra o Deportivo Táchira, na Venezuela. “O adversário tinha um plano de jogo que nos colocou em situações que nos complicaram muito. Me surpreendeu a mudança de sistema, não vinha jogando com uma linha de cinco. Estavam jogando no 4-4-2. Isso nos gerou uma surpresa. Não foi nossa melhor noite, mas o time soube competir para vencer”, analisou Filipe Luís.

Algo precisa se melhorado ou revisto na análise dos adversários do Flamengo para diminuir o risco de surpresas desagradáveis. Ir além do sistema de jogo e ficar também na característica, de cada jogador. O perfil ajuda a determinar as possibilidades de cumprir funções capazes de confundir e até mesmo bugar o time carioca. O Central Cordoba também planejou diferente no Maracanã e saiu do Rio com a vitória por 2 x 1.

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Marcos Paulo Lima

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