Flamengo e Sampaoli não estão felizes e precisam admitir o divórcio

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Jorge Sampaoli caminha passos largos para fazer a pior campanha pessoal em três participações no Campeonato Brasileiro. O argentino foi vice-campeão com o Santos em 2019. Terceiro colocado com o Atlético-MG em 2020. A essa altura da temporada, o trabalho dele no Flamengo não apresenta indicativos de melhora. Aparenta ter atingido o teto na vitória contra o Grêmio por 2 x 0, em Porto Alegre, no duelo de ida das semifinais da Copa do Brasil.

De lá para cá, a relação do time com a bola não para de se deteriorar. Reflexo de uma diretoria, comissão técnica e elenco imersos em um relacionamento de aparências. Nem aquele abraço do grupo no técnico argentino no gol de Arrascaeta abafa a crise no Ninho do Urubu.

O badalado técnico argentino costuma colocar banca nas negociações. Exige mundos e fundos. É obcecado por reforços. Quem contrata sabe. Quem fecha o combo é ciente — espera-se — de como ele funciona. Há um detalhe simbólico na comparação entre os trabalhos de Sampaoli no Santos, no Atlético e no Flamengo. Os dois elencos anteriores com os quais ele trabalhou eram formados por jogadores operários. Dispostos a fazer o que o mestre mandava.

O plantel do Flamengo é diferente daqueles do Santos e do Atlético. Patrícios e plebeus do Ninho do Urubu se recusam a serem hipnotizados pelos conceitos de Jorge Sampaoli. Portanto, das duas uma: ou a diretoria faz uma reformulação drástica no elenco para priorizar a permanência de Sampaoli ou admite o mais rapidamente possível o que parece óbvio: o trabalho não deu liga.

Há um limite claro para a sequência ou não do trabalho: a final da Copa do Brasil. O desfecho da decisão contra o São Paulo pode ser o marco no Flamengo. A questão são os dois jogos anteriores ao início da disputa pelo bi consecutivo no mata-mata nacional. O time terá pela frente o líder disparado Botafogo no próximo fim de semana, no Nilton Santos. Hoje, o Flamengo não em intensidade para competir com o arquirrival. Na sequência, o duelo será contra o Athletico-PR, em Cariacica, no Espírito Santo. Maus resultados podem deixar a situação insustentável.

A diretoria do Flamengo precisa olhar para o que fez o Sevilla na temporada passada. O time não caminhava no Campeonato Espanhol. O clima no vestiário era insuportável. O clube ocupava o 14º lugar. Aproximava-se perigosamente da zona do rebaixamento. A solução foi rescindir o contrato. Pacificado por José Luis Mendilibar, o Sevilla salvou a temporada com a conquista da Europa League contra a Roma, evoluiu no 14º para o 12º lugar em La Liga e evitou a queda.

Está claro no Flamengo: Jorge Sampaoli tem um estilo de jogo, mas o Flamengo não se enquadra. É possível contar nos dedos de uma mão as partidas em que o time se exibiu à imagem e semelhança do técnico. Não há predisposição técnica nem física para executar as ordens dele. As lesões de Arrascaeta e Luiz Araújo no primeiro tempo do empate com o Inter acendem no mínimo o sinal amarelo: a comissão técnica está puxando os treinos mais do que deveria? Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

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Marcos Paulo Lima

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