Gabriel Barbosa e Bruno Henrique: dupla de ataque afinada. Foto: Alexandre Vidal/Flamengo
A melhor notícia da convincente vitória do Flamengo sobre a LDU é a possibilidade de o time comandado por Abel Braga ser duas caras, dupla face ao longo da temporada. Melhor do que ter apenas um estilo de jogo é desenvolver dois, criar e aprimorar alternativas. Critiquei aqui a postura rubro-negra na eliminação diante do Fluminense nas semifinais da Taça Guanabara. O time teve 38,5% de posse de bola contra 61,5% do arquirrival tricolor. O plano de jogo mudou bastante — para melhor — contra os equatorianos.
Com o elenco atual, é inadmissível atuar recuado à espera dos contra-ataques. A proposta foi outra contra a equipe equatoriana. O Flamengo se impôs, teve 69% da posse de bola contra 31% da LDU. É um avanço. Talvez, uma tentativa consciente (ou será inconsciente?) de retomar o legado de Zé Ricardo, Reinaldo Rueda, Paulo César Carpegiani, Maurício Barbieri e Dorival Júnior — quem melhor combinou posse e agressividade na reta final do Brasileirão passado. No ano passado, o Grêmio precisou se reinventar no jogo de ida contra o River Plate, no Monumental de Núñez, numa demonstração clara de que nem sempre é possível impor um estilo. Recuado e sofrendo horrores, arrancou vitória por 1 x 0. Quem acompanha sabe que o tricolor gaúcho gosta de ter a bola, mas a necessidade obrigou Renato Gaúcho a agir como o velho Renato Gaúcho.
Na vitória sobre a LDU, o time conseguiu ter a bola nos pés, criar chances e convertê-las em três gols. Ainda gosto do excesso de cruzamentos para a área. Em compensação, começam a surgir lances pelo meio, como as tramas do primeiro e do segundo gol. O resultado poderia ter sido elástico, mas aí é questão de capricho, zelo, excelência nas finalizações, ou seja, um velho drama. Para sorte de Abel, os desperdícios não fizeram falta, porém, ele ficou incomodado com os erros.
A dupla de zaga formada por Léo Duarte e Rodrigo Caio é ideal. São beques jovens, velozes e um mais experiente do que o outro. A torcida conta o tempo para Rafinha deixar o Bayern Munique e assumir logo a lateral direita ocupada por Pará e Rodinei. Do outro lado, Renê deu segurança ao setor com mais uma belíssima exibição. Aliás, como ele tem evoluído. O clamor por um lateral-esquerdo deu até uma trégua recentemente.
E o Cuéllar, hein? Que exibição do único volante do time. Li relato do colega Pedro Henrique Torre de que ele saiu de campo ovacionado pela exigente torcida. Questiono apenas se o gringo não está sobrecarregado demais. Willian Arão não ajuda a carregar piano. Quem sabe o prata da casa Ronaldo aliviaria a barra? Cuéllar dará conta sozinho contra adversários bem mais pesados do que San José e LDU?
Fala-se muito em Diego e De Arrascaeta. Entretanto, Éverton Ribeiro é quem parece intocável. Aumenta a concorrência entre os dois colegas pela outra vaga no meio de campo. Seria interessante ver Diego recuado no papel de segundo volante no lugar de Arão a fim de abrir vaga para Arrascaeta, mas acho Diego estabanado na marcação. Prova disso é o pênalti cometido por ele e defendido por Diego Alves — jogador mais regular neste início de temporada. Decisivo contra LDU e San José.
Na frente, faz tempo que o Flamengo não curte uma dupla de ataque tão afinada, produtiva e feliz. Bruno Henrique faz gols e dá assistências para Gabriel Barbosa. Gabigol balança a rede e também é garçom de Bruno Henrique. Há cumplicidade. Ambos estão contentes com o próprio desempenho e com o técnico Abel Braga. Por sinal, que abraço do Gabigol no treinador, hein!
Nem só de abraços vive um time. A desatenção merece puxões de orelha, cobranças. Diego não pode cometer um pênalti como aquele. Willian Arão não tem o direito de tentar fazer gol contra. Trauco não pode fazer pênalti no primeiro lance em campo. A ordem é entrar ligado no 220v como o centroavante colombiano Uribe, autor do terceiro gol 20 segundos depois de pisar no gramado.
Como tuitei imediatamente após a partida, o Flamengo não vencia seus dois primeiros jogos na Libertadores desde 2010. Não conseguiu a proeza em 2012, 2014, 2017 nem 2018. É um grande passo para avançar às oitavas. Porém, vale lembrar que, apesar da arrancada em 2010, o Flamengo desandou nas rodadas seguintes e só se classificou — com a pior campanha da etapa de grupos — graças a uma improvável, milagrosa e histórica combinação de resultados. O Flamengo havia inclusive encerrado a participação na primeira fase quando soube que estava nas oitavas. Portanto, não custa rever o passado para evitar aqueles erros no presente.
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