Flamengo: cadê o camisa 9 formado na base? O vício de comprar pronto

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O atual dono da 9 do Flamengo é cria do Fluminense. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Craque o Flamengo faz em casa, mas ultimamente não consegue formar, potencializar — e firmar — um centroavante no elenco profissional. A receita do clube mais rico da América do Sul esconde essa dívida da base. Não tem? Compra pronto! De preferência, formados na base do Santos.

O clube carioca tem uma obsessão por Meninos da Vila para a função de centroavante. Buscou Gabriel Barbosa. Sonhou com David Washington. Está obcecado por Kaio Jorge. Cogita buscar Marcos Leonardo no Al-Nassr da Arábia Saudita. Todos eles forjados no CT Rei Pelé.

Quando as soluções prontas não estão no Santos, a busca se direciona à fábrica de Xerém. O Fluminense formou Pedro, vendeu à Fiorentina e o clube rubro-negro foi buscá-lo na Itália.

Uma pergunta precisa ser respondida pelo Flamengo. Inclusive por Filipe Luís, ex-técnico dos elencos sub-17 e sub-20 antes de assumir a prancheta do plantel profissional: Por que o time não forma e potencializa um camisa 9? Onde estão os novos Adrianos da base?

Sim, houve tentativas. Vou citar alguns exemplos. Felipe Vizeu surgiu na geração de Lucas Paquetá, teve oportunidades, não aproveitou e está no Sporting Cristal do Peru.

Lincoln ficou marcado pelo gol desperdiçado contra o Liverpool na prorrogação da final do Mundial de Clubes de 2019 sob o comando de Jorge Jesus. Era da safra de Vinicius Junior. Veste a camisa 9 do Spartak Subolica da Sérvia.

Rodrigo Muniz entregou 10 gols em 32 jogos nas temporadas de 2020 e 2021. Não durou muito tempo e foi vendido. Defende o Fulham na Premier League.

Quando mais rico, menos espaço para as sensações da base. Autor do gol do título do Flamengo na Copa Intercontinental Sub-20 de 2024, Felipe Teresa marcou dois gols em cinco oportunidades. Deixou o clube e foi contratado no ano passado pelo Palmeiras.

A temporada do Flamengo começa neste domingo contra a Portuguesa no Carioca, no Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda. O principal goleador do Flamengo é Ryan Roberto. No entanto, é um ponta destro com característica de jogar pela esquerda.

Ryan Roberto balançou a rede 22 vezes em 37 jogos. Foi quem mais fez gols nas duas principais categorias de base do Flamengo (sub-17 e sub-20) em 2025.

O Flamengo não erra em buscar Kaio Jorge e tentar realizar o sonho de consumo do técnico Filipe Luís. Faz parte do jogo e das estratégias de mercado. Ele atende entrega mobilidade, ataca a profundidade e entrega capacidade de pressão, juventude e o principal: gols.

Paralelamente a isso a um desafio claro a quem comanda as divisões de base do Flamengo: pinçar, ensinar, consolidar, potencializar e dar oportunidade a um centroavante formado na base no elenco e, em último caso, no time titular. Isso também faz parte da estratégia dos grandes clubes europeus nos quais o Flamengo se inspira na América Latina.

O Real Madrid se esforça para emplacar Gonzalo Garcia. Há uma estratégia para transformá-lo em novo Raúl González e isso passa pelo empréstimo de Endrick ao Lyon.  O Tottenham foi clube formador de Harry Kane.

O Manchester United forjou Marcus Rashford, um dos destaques do Barcelona na temporada 2025/2026 do futebol europeu.

X: @marcospaulolima

Instagram: @marcospaulolima.jor

Marcos Paulo Lima

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