O vestiário da Seleção espera por um técnico há 44 dias. Foto: Lucas Figueiredo/CBF
Quase centenária, a Copa do Mundo jamais foi conquistada por técnico estrangeiro, mas a CBF deseja um sucessor importado para Tite. O presidente Ednaldo Rodrigues está disposto a isso. Se a Série A de 2023 terá 10 técnicos imigrantes em 20 clubes, surfando na onda dos títulos lusitanos de Jorge Jesus (2019) e Abel Ferreira (2022), a entidade máxima também se acha no direito de entrar na modinha e contratar um europeu para resgatar o respeito da Seleção.
O plano parece, mas não é original. Revolucionário seria delegar a prancheta a uma mulher. A sueca Pia Sundhage trabalha na CBF. A holandesa Sarina Wiegman, as inglesas Emma Hayes e Bev Priestman e a francesa Sonia Bompastor são referências. O machismo não permite tal evolução. O Brasil prefere aplicar fórmula. Viver o que outros sócios do G-8 — seleções campeãs da Copa — experimentaram e não funcionou.
A Inglaterra fez o que pretende a CBF. Mirou em importados de grife. Recrutou Sven-Göran Eriksson. O sueco comandou a seleção nas Copas de 2002 e de 2006. Alcançou no máximo as quartas de final. Foi eliminado nas duas oportunidades por Luiz Felipe Scolari.
Persistente, a FA trocou Eriksson por Fabio Capello. O italiano era o comandante daquele Milan campeão da Champions League em 1993/1994. Fez 4 x 0 no Barcelona de Johann Cruyff. Capello fracassou na Copa de 2010. Caiu nas quartas de final contra a Alemanha. Os fiascos devolveram a Inglaterra aos menosprezados técnicos britânicos.
A França fez teste nos anos 1970. O treinador romeno Stefan Kovacs havia guiado o Ajax ao bi (1972) e ao tri (1973) na Champions League. Era um dos caras da época. Havia sucedido Rinus Michels. O antecessor assumira a Holanda. Em vez de dar taças à França, Kovács lançou Platini, Rocheteau, Giresse e deixou o legado desfrutado por Michel Hidalgo na conquista da Euro-1984.
Outros sócios do G-8 investiram em importados. A Espanha foi comandada pelo argentino Helenio Herrera, o mentor do bi da Internazionale na Champions League em 1964 e 1965. Ele também fez parte da comissão técnica da Itália em 1966 e 1967. O húngaro Ladislao Kubala e o uruguaio José Santamaría foram outras tentativas espanholas.
O Uruguai delegou a Celeste ao argentino Daniel Passarella na virada do século. Não deu liga. A Argentina entrou nas “vibes” do espanhol José Lago Millán e do italiano Felipe Pascucci nos anos 1930 e 1940. A Alemanha teve 11 técnicos. Todos eles santos de casa.
Técnico estrangeiro não é inusitado na Seleção. O Brasil teve dois. Em 1944, o português Jorge Gomes de Lima, o Joreca, dividiu o cargo com Flavio Costa. Em 1965, o argentino Filpo Núñez liderou a Amarelinha, representada pelo Palmeiras, na inauguração do Mineirão contra o Uruguai. A novidade é trabalho de três anos e meio, o ciclo até a Copa de 2026. Mas insisto: Por que não fazer a oferta a uma mulher? Sim, elas podem!
*Artigo publicado na edição impressa deste sábado (21.1.2023) do Correio Braziliense.
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