Endrick corrige mentalidade de clube de Dorival na vitória contra o México

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Dorival Júnior continua invicto na Seleção e desfruta de um anjo da guarda chamado Endrick. Uma vitória contra a Inglaterra, outra diante do México e o empate com a Espanha. Todos com gols do atacante de 17 anos saindo do banco de reservas. Mais do que esses retrospecto ficam algumas lições para o técnico recém-empossado. Não dá para comandar o Brasil com mentalidade de clube. Não se poupa time titular em Copa do Mundo como fez Tite na terceira rodada da fase de grupos no Catar nem em um amistoso contra o México antes da Copa América. Era para ter iniciado a vitória por 3 x 2 com força máxima e fazer o rodízio a partir do segundo tempo. Tempo de entrosar não de fazer laboratório. À época para fazer isso foi desperdiçada com dois técnicos interinos depois da era Tite. No Flamengo de 2022, por exemplo, Dorival tinha a equipe de Copas e a do Campeonato Brasileiro. Seleção é diferente.

A Seleção precisa começar com os melhores sempre. Lucas Paquetá, Endrick, Vinicius Junior, Raphinha e Rodrygo viram o primeiro tempo do banco de reservas. Desperdício e desrespeito aos quase 90 mil torcedores pagantes no Kyle Field Stadium. Fã paga ingresso para desfrutar do melhor produto possível. Faltou qualidade, principalmente, na saída de bola. Havia sido assim também contra Espanha e Inglaterra. Daí a necessidade de repetir a formação titular e entrosar inimízio da construção em uma partida contra o México, não nos treinos em Orlando. A Seleção sentiu a ausência do goleiro Ederson na saída de jogo. Ele é melhor do que Alisson com os pés. O jogador do Manchester City foi cortado por lesão. Há um atenuante. O Brasil de Dorival é mais organizado do que aquele de Fernando Diniz. A saída de bola é ruim, porém menos complexa — e às vezes traumática como a do antecessor. Ao menos evita problemas graves.

Andreas Pereira compensou na bela finalização depois de receber assistência de Savinho, um dos destaques da etapa inicial. O autor do gol mostrou personalidade contra México, Espanha e Inglaterra. Certamente será titular na estreia na Copa América contra a Costa Rica.

Em meio à crise nas laterais, os olhos estavam voltados para o jovem Yan Couto na direita. O campeão mundial sub-17 em 2019 contra o México, no Gama, foi agudo ao cegar à linha de fundo e servir Gabriel Martinelli no segundo gol. Bem no ataque, frágil na defesa. Para mim, ele fez gol contra e diminuiu para o México. Eis um jogador para o departamento de psicologia da Seleção observar de perto. Yan Couto sentiu muito o peso da derrota do Girona para o Real Madrid nesta temporada. Vinicius Júnior fez gato e sapato dele no Santiago Bernabéu e ele sai do campo chorando inconformado com os erros individuais e a própria exibição no Texas.

O empate do México também acontece no setor de Yan Couto. A defesa não pode permitir ao mesmo jogador responsável pela cabeçada defendida parcialmente por Alisson pegar o rebote e finalizar novamente praticamente sem ângulo em um chute cruzado defensável.

Quando caminhávamos para empate frustrante e indosdo, eis que surge o cara da última bola. Em jogos pesados  da NBA, a última bola costuma chegar nas mãos do fora de série da turma. É dele que se espera alguma coisa. Endrick está assumindo esse papel em três jogos saindo do banco de reservas sob a batuta de Dorival Júnior. Vinicius Junior deu uma assistência de Ronaldinho Gaúcho na cabeça do iluminado Endrick para o brasiliense decretar a vitória. Três gols em cinco jogos com a camisa principal. Três em três apresentações com o novo treinador.

“Falam que eu sou muito pequeno para ser um camisa 9, mas não é questão de ser pequeno, é o posicionamento”, comentou Endrick só comentar o gol de cabeça. “Um excelente trabalho do Dorival. Treinamos bem e espero que possamos trabalhar cada vez mais porque o objetivo é a Copa América. Vamos ver o que vai acontecer. Espero que possamos ganhar essa Copa América com a torcida de todos os brasileiros”, encerrou.

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Marcos Paulo Lima

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