Gratidão a Alá: Marrocos é a segunda seleção africana a vencer o Brasil em 4 meses. Foto: Fadel Senna/AFP
O Brasil não perdia em um começo de ciclo para a Copa desde 2002, no início da caminhada para a Copa de 2006. Coincidentemente, o momento era de incerteza. O Paraguai aproveitou o clima festivo da celebração do penta e a despedida de Luiz Felipe Scolari para vencer por 1 x 0, no Castelão, em Fortaleza. O então presidente Ricardo Teixeira empurrava com a barriga a definição do sucessor de Felipão. A escolha de Carlos Alberto Parreira só aconteceu em janeiro de 2003.
O revés contra Marrocos era mais do que esperado. O amistoso nem deveria ter acontecido. Se não há técnico definido 105 dias depois da eliminação contra a Croácia, não existe Seleção. Simples assim. Ramon Menezes assumiu interinamente e caiu na armadilha de transformar o trabalho anterior em terra arrasada. Sim, o legado de Tite tem muitos problemas para o sucessor solucionar, principalmente nas laterais e no meio de campo, porém, o momento recomendava pragmatismo, a escalação do máximo de titulares possível da eliminação nos pênaltis. Seria uma forma de aproveitar minimamente o entrosamento e tentar proteger uma marca tão surrada recentemente. Havia um ponto de partida para Ramon Menezes. Depois de enfrentar Marrocos, o sucessor de Tite daria continuidade (ou não) no que restou de 2022.
Ramon Menezes preferiu montar uma formação “frankenstein”. Brincou de fazer colagem de jogadores com idade para o Mundial Sub-20, os Jogos Olímpicos de Paris-2024, a Copa América nos Estados Unidos e as Eliminatórias para 2026. O cozidão sem o tempero de Neymar e a exibição insossa de Vinicius Junior tinha tudo para desandar e virou filme de terror, em Tânger.
A escalação inicial contabilizava apenas quatro titulares da Copa de 2022: Éder Militão, Casemiro, Lucas Paquetá e Vinicius Junior. Alex Telles e Rodrygo eram reservas. Emerson Royal, Ibañez, Andrey Santos e Rony não estavam na lista dos 26 convocados por Tite. Do outro lado estava um anfitrião com pouco tempo de trabalho, porém entrosado e motivado depois do quarto lugar na Copa. Walid Regragui assumiu Marrocos em agosto do ano passado e faz muito com tão pouco.
Abaixo do que rende no Real Madrid, Vinicius Junior quase assumiu o protagonismo ao abrir o placar em impedimento. Boufal, sim, ocupava posição legal quando fez 1 x 0. Um lampejo de entrosamento entre Lucas Paquetá e Casemiro combinado com um frango do excelente Bono quase impediram a derrota. Defesa entrosada entrega gol. Imagina uma retaguarda que se conheceu dias antes do amistoso. Sabiri aproveitou e decretou a vitória marroquina.
A seleção africana vive um conto de fadas. Em cinco meses, eliminou Espanha e Portugal da Copa, perdeu a semifinal em um jogo duríssimo contra a França, foi derrotada pela Croácia na decisão do terceiro lugar em duelo com atuação polêmica da arbitragem e vence o Brasil. Marrocos tem um norte: é favorita à conquista da Copa Africana de Nações, em janeiro de 2024.
A Seleção Brasileira inicia o ciclo para a Copa de 2026 sem identidade. Carente de um projeto. Mais perdida do que cachorro em caminhão de mudança. O time de Ramon Menezes foi um bando desorganizado à espera de um técnico minimamente capaz de devolver a peixão de um país pela Seleção. Recomenda-se à cúpula da CBF assistir com carinho as imagens da festa do povo argentino na celebração do tricampeonato. Se o novo treinador não tiver uma varinha de condão, o caminho na Copa América de 2024 e nas Eliminatórias será desgastante.
Ao menos um calouro aproveitou a vitrine: Rony! No ano passado, o técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, afirmou que o colega do Liverpool Jurgen Klopp ficaria encantado se visse o atacante. O paraense entrou na brincadeira: “Eu vi essa matéria e espero que o Klopp dê uma olhada (risos)”, disse à época. A Seleção pelo menos continua sendo vitrine. Vai que…
O ciclo para a Copa seguinte começou assim…
2002 para 2006: Brasil 0 x 1 Paraguai
2006 para 2010: Brasil 1 x 1 Noruega
2010 para 2014: Estados Unidos 0 x 2 Brasil
2014 para 2018: Brasil 1 x 0 Colômbia
2018 para 2022: Estados Unidos 0 x 2 Brasil
2023 para 2026: Marrocos 2 x 1 Brasil
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