Demitido em casa, Felipão se recusou a esconder o Palmeiras da torcida em Goiânia

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Alexandre Mattos e Luiz Felipe Scolari já não falavam a mesma língua no Rio na definição da programação do Palmeiras para a partida de sábado contra o Goiás, no Serra Dourada, pela penúltima rodada do primeiro turno do Campeonato Brasileiro. O diretor de futebol Alexandre Mattos pretendia isolar blindar o elenco da torcida e levá-lo da cidade carioca para uma “semana de paz” em Goiânia. A logística inclusive estava pronta. Felipão discordou. Quis retornar a São Paulo. Uma fonte conta ao blog que ele andava desconfiado desde a saída de Mano Menezes do Cruzeiro. Sabia que o processo de fritura começaria na primeira oportunidade.

O prestígio depois da eliminação na Libertadores foi traiçoeira. Alexandre Mattos convocou a estranha coletiva (para nós, jornalistas) sem notícia depois da eliminação contra o Grêmio nas quartas de final. Convenceu Felipão a ir a público e bancou a permanência do treinador. Aos 43 anos, usou o senhor de 70 como para-raios. Sabia que um deles, até mesmo os dois, cairia. O jogo contra o Flamengo era de altíssimo riso. A derrota aumentaria a pressão sobre um deles.

Felipão sabia da amizade de Alexandre Mattos com Mano Menezes. Afinal, o dirigente tentou tirar pela primeira vez o então treinador do Cruzeiro em 2017. Motivado com a conquista da Copa do Brasil, Mano escolheu renovar contrato com a Raposa e tocar o projeto de comandar o time mineiro por mais dois anos.

Mano Menezes caiu no Cruzeiro após a derrota para o Internacional por 1 x 0 no jogo de ida das semifinais da Copa do Brasil. Virou definitivamente a sombra de Felipão, que havia sido eliminado pelo Internacional nas quartas do mata-mata nacional. A derrota por 3 x 0 para o Flamengo, no Maracanã, foi a gota d’água. Alexandre Mattos foi até a casa de Felipão. Chegou lá por volta das 18h e comunicou pessoalmente ao treinador que ele estava demitido.

A fórmula do sucesso da temporada passada, quando levou o Palmeiras ao título brasileiro praticamente com o time reserva, não funcionava mais. Usado como escudeiro pelos ex-presidentes da CBF José Maria Marin e Marco Polo Del Nero na última passagem pela Seleção Brasileira, ao faturar a Copa das Confederações 2013 e fracassar na Copa do Mundo 2014, Scolari viu o filme se repetir no Palmeiras na relação com o cartola Maurício Galiotte, o diretor Alexandre Mattos e a mecenas Crefisa. Houve tolerância zero oito meses de levar o Palmeiras ao título do Brasileirão. Sob pressão, Alexandre Mattos, que prestigiara Felipão, está prestigiado após entregar a cabeça de Felipão.

A terceira passagem pelo Palmeiras chega ao fim com 46 vitórias, 21 empates e nove derrotas em 76 jogos oficiais. Deixa o título do Brasileirão 2018 no museu do clube.

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Marcos Paulo Lima

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