Cadê aquele Mano Menezes que um dia tentou inserir o chip do Barcelona e da Espanha na Seleção?

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Mano Menezes convocou 102 jogadores para a Seleção Brasileira no período de 26 de junho de 2010 a 23 de novembro de 2012. O sucessor de Luiz Felipe Scolari no Palmeiras encontrará quatro deles no clube alviverde: o lateral-direito Marcos Rocha, os versáteis Ramires e Jean, e o atacante Dudu. O bom trabalho de renovação interrompido injustamente pelos mandatários da CBF Marco Polo Del Nero e Jose Maria Marin para entregar o cargo a Felipão tem que ser a inspiração de Mano no desafio assumido nesta terça-feira.

Inspirado pela Espanha de Vicente del Bosque e pela influência do tiki-taka do Barcelona de Pep Guardiola na conquista da Fúria na Copa da África do Sul, Mano Menezes aproveitou uma data Fifa sem amistosos para levar a Seleção até a Catalunha. O elenco desembarcou na Ciutat Esportiva Joan Gamper com a intenção de respirar o ar do país campeão mundial.

Faz nove anos. Era setembro de 2010. Mano Menezes tinha um sonho: “Pelo futebol apresentado nos últimos anos, eles (Barcelona) foram capazes de inspirar a seleção campeã do mundo (Espanha), então pode ser inspiração para nós também”. Com uma ressalva. “Temos que ter a nossa própria característica, a brasileira, com base no talento. Devemos criar uma equipe que represente os nossos sonhos dentro de campo”.

Ferido após cair no conto de Ricardo Teixeira, José Marin e Marco Polo Del Nero, Mano Menezes voltou frustrado para o mundo do clubes. Tentou colocar no Flamengo o chip do trabalho realizado na Seleção, mas não conseguiu. Havia escassez de talento. Mesmo assim, viu o time rubro-negro conquistar a Copa do Brasil 2013 sob a batuta de Jayme de Almeida.

“Pelo futebol apresentado nos últimos anos, eles (Barcelona) foram capazes de inspirar a seleção campeã do mundo (Espanha), então pode ser inspiração para nós também. Temos que ter a nossa própria característica, a brasileira, com base no talento. Devemos criar uma equipe que represente os nossos sonhos dentro de campo”

Mano Menezes, em setembro de 2010, na semana de treinos do Brasil no CT do Barcelona

Voltou a ser o Mano Menezes pré-Seleção em 2015 na segunda passagem pelo Corinthians, porém, encerrou o ciclo sem deixar taça na prateleira do clube. Foi Mano na essência no Cruzeiro. Faturou dois títulos da Copa do Brasil em 2017 e 2018 e o bi do Mineiro em 2018 e 2019. Nenhuma das conquistas lembrou aquele Mano encantado com a influência do Barcelona. Para ser claro na linguagem da moda, voltou a ser o Mano do futebol reativo.

O elenco do Palmeiras, com ex-selecionáveis de Mano Menezes e jogadores que trabalharam com ele no Cruzeiro e/ou no Corinthians, casos de Mayke, Willian e Bruno Henrique, desafia o treinador a se reinventar para conquistar um dos títulos que lhe falta no currículo. As melhores campanhas de Mano no Campeonato Brasileiro são dois terceiros lugares em 2006 (Grêmio) e em 2010 (Corinthians). Ele herda a prancheta de Felipão em quinto, seis pontos atrás dos líderes Flamengo e Santos e com um jogo a menos do que os concorrentes.

“Será uma honra dirigir a Sociedade Esportiva Palmeiras. Minha trajetória vem ao encontro do que pensa o clube e sua imensa torcida. O respeito construído como adversário agora nos torna parceiros. Estilo de jogo se constrói com um grupo de jogadores qualificados e isso certamente temos. As conquistas serão resultado do somatório dessas forças. Os adversários devem ser os outros. Para seguir conquistando vamos em frente. Que assim seja”

Mano Menezes, no site oficial do Palmeiras

O cenário é perfeito se levarmos em conta que o Palmeiras receberá Flamengo, São Paulo e Corinthians em São Paulo (Allianz Parque ou Pacaembu) no segundo turno. Eis a oportunidade de Mano Menezes finalmente entrar para a galeria dos treinadores campeões do Brasileirão. De preferência jogando para a frente, não é, Mano?

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Marcos Paulo Lima

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