Tiago Nunes na comemoração do título acriano de 2010 elo Rio Branco
A capital do Acre fica a 3.644Km² de Curitiba, palco da finalíssima da Copa Sul-Americana entre Atlético-PR e Junior Barranquilla-COL, hoje, às 21h45, na Arena da Baixada, mas não há distância capaz de separar o carinho e a torcida dos heróis de um time histórico do Rio Branco por Tiago Retzlaff Nunes.
O técnico do Furacão tinha 30 anos em 6 de junho de 2010, quando levou Douglas; Ley, Marquinhos Costa, Rafael e Zé Marcos; Ananias, Anselmo, Ismael e Testinha; Juliano César e Araújo ao título estadual. Oito anos depois, o gaúcho de Santa Maria tem a chance de inserir a conquista internacional no currículo.
Em entrevista ao blog, jogadores liderados por Tiago Nunes se emocionaram ao falar sobre a campanha do 42º título estadual do Rio Branco. Um deles é Djames Nascimento da Silva — o Testinha — nome de guerra do meia canhoto. “O Tiago Nunes tratava os jogadores da mesma forma. Dava moral independentemente de o cara ser titular ou reserva. Sabe muito. Mostrou isso no Rio Branco e no Atlético-PR. O sucesso não é surpresa”, testemunha.
Antenado, Testinha assistiu ao empate por 1 x 1 no jogo de ida. Nesta quarta, promete vestir a camisa rubro-negra na corrente pelo ex-chefe. “Torço para que ele seja campeão novamente neste ano. É um profissional de excelência”, elogia, referindo-se à conquista do Campeonato Paranaense deste ano.
Lateral-esquerdo do Rio Branco no título de 2010, Zé Marcos virou treinador. Trabalha nas divisões de base. Oito anos depois de receber ordens de Tiago Nunes, é fã do comandante do Atlético-PR. “É inteligente, estrategista. Tinha o domínio do vestiário. É leal, sempre prezou pela honestidade. Um cara justo. Colocava quem estava bem”, detalha.
“(Tiago Nunes) É inteligente, estrategista. Tinha o domínio do vestiário. É leal, sempre prezou pela honestidade. Um cara justo. Colocava quem estava bem”
Testinha, meia-atacante do Rio Branco-AC no título de 2010
Zé Marcos considera a versatilidade de Tiago Nunes o maior trunfo para deter o Junior Barranquilla na Arena da Baixada. “É um cara muito estudioso. Não se apega a um sistema tático. Sabe mudar durante o jogo. Quando o treinador adversário não tem visão de jogo, é surpreendido. Vou dar um exemplo: ele mudou o time no segundo tempo (virada por 2 x 1) e o Flamengo não entendeu. Fez isso com maestria aqui no Acre, e repete num grande clube do futebol brasileiro. Tem mais opções no Atlético-PR, mas não se perde. Usa linha alta, mas sabe a hora de se posicionar, jogar a isca e pegar o inimigo no contra-ataque”.
Testinha conta que Tiago Nunes o fez brilhar. “Eu era meia-esquerda. Ele armou o time para que eu pudesse jogar solto quando estivesse com a bola”, conta o meia. “O sistema tático era o 4-4-2 no formato quadrado, com dois volantes e dois meias. Nós sufocávamos”, orgulha-se. Na final de 2010, o Rio Branco venceu o Náuas por 5 x 3 na ida e empatou por 1 x 1 na volta.
O ex-comandado Zé Marcos acha que a oratória de Tiago Nunes é outro trunfo para pilhar os jogadores hoje. “Ele tem o dom da palavra, sabe tirar o máximo. Naquele título de 2010, ele tocou muito na questão do quanto é sofrido jogar bola no Acre. Aqui, conciliamos futebol com trabalho, com estudo”. A comemoração do título sintetiza a simplicidade daquela conquista. “Nós festejamos na sede do clube com churrasco e sorvete na sobremesa”, ri.
“Ele tem o dom da palavra, sabe tirar o máximo. Naquele título de 2010, ele tocou muito na questão do quanto é sofrido jogar bola no Acre. Aqui, conciliamos futebol com trabalho, com estudo”
Zé Marcos, lateral-esquerdo do Rio Branco-AC no título de 2010
Diretor de futebol do Rio Branco, Alex Cavalcante era apenas torcedor em 2010, mas consegue comparar o estilo do Rio Branco de 2010 com o do Atlético-PR. “Ele já sabia o que fazer. Como veio do Sul, o Rio Branco era um time de força, marcação. Na época, não trabalhava com essa posse de bola, não. Evoluiu muito como técnico. Veio da escola gaúcha, mas se aprimorou. Não é mais equipe só de pegada”, analisa.
O jogo mais importante da nova Arena da Baixada pode quebrar recorde de público. São esperados mais do que os 39.414 pagantes do Paraná Clube na Série B de 2017. A campanha aumenta o otimismo pelo título inédito. Em 11 jogos são oito vitórias, um empate e duas derrotas. Tem o melhor ataque com 21 gols e seis sofridos. A única dúvida de Tiago Nunes é Pablo. Se o centroavante não estiver recuperado do desconforto na panturrilha, a vaga no comando do ataque será de Rony .
O Junior Barranquilla contará cm Téo Gutiérrez. Carrasco dos clubes brasileiros, o artilheiro cumpriu suspensão no jogo de ida. Com o empate por 1 x 1 na semana passada, quem vencer hoje levará o troféu. Empate forçará prorrogação. Persistindo, pênaltis.
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