De “parceiro” a concorrente: como o Bahia mudou a relação do Grupo City com o Flamengo

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O Flamengo enfrenta o Bahia neste sábado, às 16h, na Arena Fonte Nova, pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro, tendo uma nova relação com o Grupo City —dono de 90% da SAF do Bahia. Parceiros até pouco tempo na compra, venda e no intercâmbio de jogadores, o clube carioca e a multinacional dos Emirados Árabes Unidos proprietária também do Melbourne City (Austrália), Lommel (Bélgica), Sichuan Jiuniu (China), Manchester City (Inglaterra), Troyes (França), Mumbai City (Índia), Palermo (Itália), Yokohama Marinos (Japão), Girona (Espanha), Montevidéu City (Uruguai) e New York City (Estados Unidos) passam a ter embargos comerciais.

Em 2020, o Flamengo vendeu o lateral-esquerdo Caio Roque para o Manchester City. A transação rendeu ao clube à época € 1,5 milhão. O Grupo City investe em jogadores jovens e os aloca em times da multinacional para que o contratado tenha uma fase de desenvolvimento. Quando se destaca, vai para um gigante como o Manchester City. Do contrário, transita entre os times da marca ou é vendido para outro clube a fim de fazer a roda econômica do negócio girar.

Caio Roque deixou o Flamengo com 18 anos. Está com 21. Defende o Lommel, clube da segunda divisão do Campeonato Belga. Um time de desenvolvimento. Nesta temporada, a equipe terminou em sétimo lugar na primeira fase e participou de um play-off contra o rebaixamento.

O Flamengo também negociou o volante Vinicius Souza com o Grupo City. O martelo foi batido em 2020 por € 2,5 milhões. O jogador também vestiu a camisa do Lommel na Bélgica, passou pelo Mechelen e foi emprestado nesta temporada ao Espanyol, clube da elite em La Liga.

O bom relacionamento com o Grupo City reforçou o elenco rubro-negro no passado. Com passagem pelo Manchester City e pelo Girona, o meia-atacante Marlos Moreno foi cedido por empréstimo ao Flamengo em 2018, no último ano de mandato do ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello. A expectativa depositada nele era grande, mas ele não deixou saudades.

A política de boa vizinhança mudou. Oficializado nesta semana como dono de 90% da SAF do Bahia, com possibilidade até mesmo de assumir a gestão da Arena Fonte Nova, o Grupo City obviamente passa a ter o clube tricolor como prioridade no país e o Flamengo já teve uma prova contundente disso. Interessando na contratação do lateral-direito Yan Couto, campeão mundial sub-17 em 2019 com a Seleção Brasileira, o time carioca vê o conglomerado fechar as portas.

Revelado pelo Coritiba, o jogador de 20 anos está vinculado ao Girona, clube catalão da elite do Campeonato Espanhol. Uma das cláusulas do acordo entre o Grupo City e o Bahia é a política de exclusividade do clube para receber jogadores vinculados ao proprietário da SAF. Em tese, atletas do Grupo Unido de Investimento e Desenvolvimento de Abu Dhabi, que pertence ao Sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan, ministro de assuntos presidenciais e irmão do atual presidente dos Emirados Árabes Unidos, Khalifa bin Zayed al Nahyan, só podem ser cedidos ao Bahia.

Yan Couto é monitorado pelos observadores do Flamengo para solucionar o drama do clube na lateral direita desde as saídas de Rafinha e de Rodinei. Varela e Matheuzinho não convencem. Cria da base, Wesley começou bem, mas tem sentido partidas grandes como o clássico contra o Botafogo e o duelo diante do Racing, em Avellaneda. Deixou a desejar também contra o Athletico-PR no caldeirão da Arena da Baixada, em Curitiba.

Diante do veto do Grupo City, resta ao Flamengo comprar Yan Couto.  Segundo o site especializado Transfermarkt, o valor de mercado dele é € 4 milhões. Neste sábado, ele balançou a rede com a camisa do Girona no empate por 2 x 2 com a Real Sociedad. Também acumula duas assistências em 22 jogos na temporada sob o comando do ex-meia Michel. Portanto, a relação do Flamengo com o Grupo City, novo mecenas do Bahia, vive tempos bem diferentes.

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Marcos Paulo Lima

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