Conmebol deveria abrir mão da “overdose” de Copa América para ajustar calendário das Eliminatórias, mas avareza não permite

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A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) comete um pecado capital no que diz respeito aos torneios de seleções em tempos de pandemia: avareza. É preciso abrir mão da Copa América para garantir uma certa folga no calendário das Eliminatórias para a Copa 2022, mas a entidade dificilmente desapegará da competição adiada do ano passado para 10 de junho a 11 de julho. Argentina e Colômbia são os anfitriões.

Segundo o colega Martín Fernandez, do portal GE.com, o Conselho da Conmebol (com representantes da Fifa) se reuniu nesta sexta para decidir o que fazer com as rodadas de março das Eliminatórias e adiou o parecer para este sábado. A agenda do Brasil aponta duelos com a Colômbia, dia 26, em Barranquilla; e clássico contra a Argentina, dia 30, na Arena Pernambuco. A tendência é que, sem a convocação de jogadores em atividade na Europa, a entidade suspenda os confrontos deste mês. Técnicos badalados como Jürgen Klopp (Liverpool) e Pep Guardiola (Manchester City) manifestaram o desejo de não liberar seus jogadores.

Segundo apuração do colega Alejandro Casar Gonzalez, do jornal argentino La Nación, os países filiados à Conmebol estão divididos. Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai, Venezuela e Perú rejeitam jogar sem “europeus”. Argentina, Uruguai, Equador e Bolívia topam cumprir o calendário. Em tese, a Argentina seria a maior prejudicada com o desfalque, por exemplo, de Lionel Messi. Os duelos deste mês são simplesmente contra Uruguai (casa) e Brasil (fora).

Numa boa. As Eliminatórias não são o problema neste momento. Insistir na realização da Copa América, sim, é um erro. Nos últimos oito anos, a Conmebol banalizou o principal torneio de seleções do continente. Foram quatro edições: Argentina (2011), Chile (2015), a versão centenária nos Estados Unidos (2016) e Brasil (2019). Uma overdose. Um dos argumentos para a edição de 2020 (adiada para 2021) é padronizar o evento, adequá-lo para que, finalmente, seja realizado a cada quatro anos, paralelamente à Eurocopa. Velha promessa.

Em tempos de pandemia, há escassez de datas. Mais do que isso: incerteza em relação ao cumprimento de todas elas no vaivém das ondas do vírus invisível. Portanto, o mais sensato no momento seria abrir mão da Copa América e aproveitar as datas reservadas ao torneio para acelerar as Eliminatórias. O torneio está programado para 11 de junho a 10 de julho. Em tese, seria possível empurrar as partidas de março para junho e realizar mais uma duas, três ou quatro rodadas no meio do ano. A Conmebol pensou nisso? Creio que nem cogita!

Não cogita porque entramos no campo corporativo. A Conmebol tem contratos assinados com patrocinadores da Copa América. Outros tantos com parceiros das Eliminatórias disputadas em longas 18 rodadas — foram disputadas quatro até agora. Porém, o torneio sofreu esvaziamento. Convidados, Austrália e Qatar desistiram de participar devido à pandemia. Sim, australianos e cataris tiveram essa sensibilidade. As seleções sul-americanas, não. Preferem manter-se reféns das programações mirabolantes dos cartolas.

Abrir mão da Copa América é uma alternativa. Insistir na realização do torneio no meio do ano é um erro. Utilizar as datas reservadas para dinamizar as Eliminatórias seria o mais sensato. Mas bom senso está longe de ser padrão deste lado do Oceano Atlântico.

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Marcos Paulo Lima

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